Indonésia inesquecível

Em julho de 2001 fiz uma trip inesquecível para a Indonésia, mais especificamente para ASU, na ilha de Sumatra, antes do Morongo, dono da Mormaii, comprar o surf camp.

A ?barca? era composta pelo baiano ?dropador? de Maverick?s Danilo Couto, o também big rider de São Paulo Rodrigo ?Coxinha? e os locais do Arpex Mário ?Gago?, Inácio, Denílson Thyola (local do Arpoador e professor da
escolhinha da FESERJ) e eu (Hugo Pacheco).

Tínhamos acabado de voltar de G-land, onde ganhamos um presente dos Deuses ao nos depararmos com o pico totalmente vazio, podendo mesmo dizer ?deserto?. Dia 25/07/01, dois dias antes de chegarmos em G-land, havia terminado o campeonato local.

Simplesmente não acreditamos no que encontramos. As ondas quebravam de 4 a 6 pés perfeitos (de Money Trees até Speed Bowl), sem sequer uma alma viva dentro d?água, a não ser a galera.

No dia 02 de agosto retornamos a Bali e nos preparamos para a viagem a ASU (Sumatra). A ?barca? ganhou o reforço de outro local do arpoador, o surfista ?Valtinho? Netto que, inclusive, já nos aguardava em Bali com todos o trajeto aéreo e terrestre preparado e esquematizado.

No dia 03 de agosto voamos de Bali rumo a Jakarta (capital da Indonésia, na Ilha de Java) por uma hora e quarenta minutos. De Jakarta, pegamos mais um vôo com destino a Medan, localizada na parte sul da Ilha de Sumatra. Foram duas horas de vôo.

Chegando lá, nos hospedamos num hotel apenas para passar à noite, pois logo pela manhã enfrentaríamos uma outra viagem, cujo percurso de van ?cortava? Sumatra até o litoral. Percorremos durante nove horas estradas e serras perigosíssimas. Pelo menos nos deparamos com o visual do ?lake toba?, um dos maiores lagos do mundo.

Às 21 horas do dia 4 de agosto, embarcamos num ferry boat ?sinistro? com destino à Ilha de Nias. Durante o trajeto e até mesmo para entrarmos no ferry, tivemos que ficar muito atentos, pois o povo sumatrez não é nada hospitaleiro e confiável como o balinês.

Éramos os únicos ?diferentes? naquele ferry boat enorme (já que a maioria era de religião muçulmana). Sem contar que tivemos que subornar a tripulação para que pudéssemos passar as doze horas de viagem dentro de cabines apertadíssimas, com direito à muito calor e mosquitos.

Chegamos na ?capital mundial da malária?, isto é, Nias, na manhã do dia 05 de agosto. Como fazia quatro dias que ocorrera uma enchente (matando mais de 800 pessoas) no local, ficamos sabendo que a precária estrada que atravessa a selva de Nias estava num estado anormal e muito perigosa.

Fomos obrigados a nos instalar no único veículo capaz de suportar tal precariedade: um caminhão. Sofremos com seis horas de viagem, acomodados na caçamba como bois, para percorrermos apenas 86 km. Foi assustador. Subidas e descidas jamais vistas, com buracos enormes, sem contar as pontes de ?pedaços? de madeira pelas quais passávamos.

A adrenalina era grande, pois por onde olhávamos havia pontes caídas, o que nos levava a temer que a ponte pela qual atravessávamos pudesse ser a próxima.

Às 16 horas chegamos do outro lado de Nias, onde pegamos mais um barco até a Ilha de ASU (um ?pontinho? bem pequeno no Oceano Índico) com destino ao David Surf Camp.

O visual da ilha é inacreditável e realmente impressiona. Nos fez lembrar o filme ?A lagoa azul?, e certamente compensou o sufoco que passamos na longa jornada de viagem ao paraíso.

As ondas são realmente tão transparentes que parecem de ?vidro?, como inclusive já havia nos afirmado nosso grande amigo Fernando Bittencourt. Conclusão: Pegamos altas ondas. Além de tubos, a onda proporciona também várias manobras.

O David Surf Camping é literalmente de frente, muito próximo do pico, com direito a três ou quatro caídas por dia. A distância das ondas em relação ao Camping chega a ser brincadeira.

Para se ter uma noção, o nosso amigo ?mestre cuca? Waltinho, quando não se dedicava as ondas, preparava vários ?banquetes? e da cozinha chamava a galera que estava desfrutando dos ?cilindros transparentes?.

Tínhamos também uma mascote que alegrava a todos o dia inteiro, um macaquinho filhote de nome Buy (cuja mãe virou refeição em Sumatra).
Sem dúvida, foi uma viagem inesquecível para todos nós.

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Doutor Guilherme Vieira Lima, explica como a estabilidade do core define a potência das manobras e protege o corpo de lesões crônicas.