Noa Deane

Impressões brasileiras

Totalmente focado no freesurf, especialmente na arte de voar, o jovem Noa Deane teve uma experiência pra lá de diferente no primeiro semestre.

Depois de acompanhar o Top Josh Kerr nas etapas do Tour disputadas em Snapper Rocks e Margaret River, Deane embarcou rumo ao Rio de Janeiro (RJ).

No site da revista australiana Stab Mag, Noa comentou suas impressões sobre o Tour e falou da experiência em território verde-amarelo.

“Eu me senti estranho no evento. Kerrzy já havia me arrastado para outros dois campeonatos antes e fiquei sem graça. Seria como se você dissesse dane-se a alguém e aí passasse um tempo com ele. Então isso já estava passando pela minha cabeça. Mas acordei na primeira manhã e caminhamos em linha reta em direção ao campeonato. Tive um colapso. O narrador na praia estava gritando ao microfone, o surfe estava na TV e aqueles comentaristas estavam gritando, então fui para fora buscar um ar fresco e aí todas aquelas pessoas nos balcões ao nosso redor gritavam pelo surfe. Não havia como escapar dessa intensidade”, conta Noa Deane.

“Assim que saímos do Rio, fomos a uma ilha muito animal. Havia uma prisão e um cara explodiu o telhado e escapou de helicóptero, uma fuga ao estilo Escobar. Fomos num barco de Lorenzo, amigo de Kerrzy. Fizemos um pouco de wake surf e aí pegamos uma pegamos uma pequena direita (3:06 no vídeo). Estava muito seca quando surfamos, mas quando a maré encheu ficou muito, muito divertido. Kerrzy e eu surfamos por umas duas horas. Estava bem complicado. Mas foi animal porque não havia ninguém lá fora”.

O australiano falou também sobre a recepção dos brasileiros aos surfistas profissionais. “Eles foram bem suaves!”, elogiou. “O lugar é muito variado. Em alguns picos não há regra. Você dá a volta nas pessoas e elas não ficam chateadas, o que acho super estranho. Mas o que percebi é que enquanto 10 a cada 100 brasileiros que vão para Snapper são super chatos e ogros, lá todos os locais eram sossegados. Muitos deles eram lendas. Especialmente quando saímos do Rio. Toda a galera em Ubatuba foi irada. Havia alguns caras impregnando, mas alguns ficavam relaxados, deixando ondas e observando-o surfar”, lembra.

“Há um interesse muito grande no surfe lá agora”, continua Noa sobre o Brasil. “Ouvi algumas pessoas dizendo que pode ser porque eles perderam a Copa do Mundo. Todos estavam chateados por isso e eles são muito apaixonados por terem um vencedor, porque Gabriel (Medina) ganhou alguma coisa, ele é o cara. Se nós perdemos no Cricket aqui na Oz, e Mick (Fanning) ganhou o título mundial, não tem como a galera que não surfa ir ao bar gritar ‘Yeah, Mick!'”.

De volta ao Rio, mas para uma experiência diferente no evento, Noa conta: “Fomos a Copacabana, que era muito legal, mas bem selvagem; eles ficam muito loucos. Sabe quando está de ressaca e quer ter um pouco de tempo tranquilo para se recuperar? Mesmo quando está sobrecarregado ou cansado e quer ficar na tua? Você não consegue isso no Rio. Mesmo em um restaurante, todos estão gritando uns para os outros, há muita paixão. Na Oz, todo mundo está tentando ser super tranquilo, mas lá todo mundo está gritando por cima da mesa na maior loucura”.

Assista ao novo vídeo da dupla divulgado pela Rusty.

Confira o primeiro vídeo

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