A partir desta segunda-feira, a Totem lança a edição limitada de camisetas Brazilian Surfing Legends, produzidas em homenagem às grandes lendas do surf brasileiro.
Idealizada por Fred D’Orey, surfista e proprietário da marca, a coleção resgata nomes que escreveram a história do esporte no país e conquistaram o mundo com o surf no pé.
Serão dez surfistas homenageados pela loja, sendo que cinco já foram anunciados: Pepê Lopes, Tito Rosemberg, Daniel Friedmann, André Pitzalis e José Artur Machado, mais conhecido como Petit, o Menino do Rio.
No texto abaixo, D’Orey, que também é escritor e colunista da revista Fluir, fala como surgiu a ideia da homenagem e revela detalhes da coleção.
A história é a seguinte… Pergunte para um australiano quem foi Michael Peterson, Wayne Lynch, Col Smith ou Joe Engel e você vai se surpreender com as respostas.
Todos foram deuses do surf em suas épocas e continuam mais do que vivos na memória das novas gerações australianas.
Lá fora os caras celebram e têm o maior orgulho das feras que fizeram a história deles. Pensando nisso, imaginei fazer uma coleção celebrando os nossos. Ela chama Brazilian Surfing Legends. Vão ser dez caras homenageados. As camisas de Pepê Lopes, André Pitzalis e Tito Rosemberg já estão prontas.
André, por exemplo, foi muito importante para o meu surf. Quando moleque no Arpex, saía da água pra vê-lo surfar. Depois, passei a rir com seu senso de humor único. Bem mais tarde escrevi duas matérias sobre ele na Fluir. Agora faço uma camisa com uma foto sua, fechando o ciclo. Que as novas gerações saibam quem foi esse fera braba. Essa é a intenção.
A camisa vem com um tag e um silk interno contando um pouco da história deles e o porque de terem sido importantes para mim e para o surf brasileiro.
As peças vão estar à venda a partir desta segunda-feira na Totem. É uma edição limitada.
Confira abaixo um pouco da história de cada surfista que inspirou a coleção. Espero que curtam e tenham orgulho de usar. Em breve anuncio os outros cinco escolhidos.
Pepê Lopes O Píer, que durou de 1969 até meados de 1973, abrigou, nas mesmas areias, intelectuais, artistas e surfistas. Foi bom para o surf esse banho de cultura. Mas o melhor é que o fundo do Píer era perfeito e dava muita onda. Mas muita mesmo. Onda forte, double up implacável. Foi essa a escola do Pepê, e que o ajudou a tirar de letra os drops atrasados de Pipeline, colocando-o na final do Pipe Masters de 1976.
Tito Rosemberg O aventureiro Tito Rosemberg deixou o Brasil no início da década de 70 e fez da África Norte Ocidental sua casa por muitos anos. Munido de uma chama incansável para aventuras, de sua namorada e de um Land Rover (carro / casa), Tito surfou ondas de sonho longe da civilização.
André Pitzalis Em 1974, André Pitzalis venceu seu primeiro campeonato, o nacional de Ubatuba. O campeonato lançou seu nome como um dos mais promissores surfistas do Brasil, junto com Pepê, Bocão, Rico e Daniel Friedmann.
Dentre eles, André talvez tenha encarnado com mais precisão o espírito do surfista carioca. Foi contratado pela Hollywood para ser o ator principal do primeiro anúncio de esportes veiculado pela empresa. Foi também a primeira vez que o surf apareceu com grande destaque na televisão brasileira (a primeira versão do campeonato tinha um minuto). André aparecia arrepiando as esquerdas do Quebra-Mar diariamente no intervalo das novelas e do Jornal Nacional.
Daniel Friedmann Nos anos 70, Daniel Friedmann era o deus todo poderoso do Arpoador e fazia umas pranchas iradas. Não tinha pra ninguém dentro e fora da água. Quando ele passava na rua, as cabeças viravam na sua direção, tal o respeito que o seu surf inspirava. Estilo e posicionamento perfeitos, radicalidade e fluidez. O cara ainda era muito bom de tubo.
Petit Alguns já devem ter ouvido falar que o Petit (José Artur Machado) era aquele garotão do Arpoador que encantou Caetano e que serviu de inspiração pra música Menino do Rio (“dragão tatuado no braço…”). Mas o que as pessoas nem imaginam é que ele arrebentava no surf.
Sempre com uma prancha emprestada, sem estrepe, com short rasgado, Petit vinha lá de fora manobrando fluido e fazendo uma linha totalmente única, emendando uma manobra na outra, com um posicionamento em cima da prancha totalmente relaxado, sempre com um sorriso malicioso no rosto, de quem está se divertindo muito naquele instante. Ele era um surfista maravilhoso pra se observar, por ser completamente natural e imprevisível.




