Diferente dos últimos três anos, quando meu destino era o Hawaii, resolvi fazer um surf mais tranqüilo, surfando ondas menores na Costa Rica.
O país é show. A vibe parece a do Hawaii, a fauna e a flora são riquíssimas, o povo hospitaleiro e as ondas mágicas!
De Norte à Sul existem vários picos de ondas surreais, para todos os gostos. E foi num pico chamado Playa Negra, que aconteceu um episódio que gostaria de relatar, como um alerta para os surfistas brasileiros.
Temos que nos conscientizar da importância de ser educados e respeitar os outros, principalmente em picos estrangeiros.
Todos sabemos que os brasileiros são mal vistos em quase todos os lugares do mundo (não adianta ficar bravo, pois quem viaja sabe) e você sabe por quê?
O fato aconteceu por volta das 9 horas de um dia ensolarado e ondas com 1 metrinho na série. Éramos seis brasileiros na água, mais uns dois gringos e uns três locais, todos para surfar uma única onda.
Acreditem, estávamos todos numa vibe tão boa que o surf simplesmente fluía sem egoísmo. Um cedia a onda para o outro, todos com um sorriso no rosto, curtindo aquele momento “Pura Vida” da Costa Rica. De repente, um brother me avisa, apontando para a areia: ?lá vêm o crowd?!
Não esquentei muito, pois isso faz parte, seja quem for que chegar, vai sentir o que esta rolando no ar e se juntará à nós, participando daquela sintonia.
Estava enganado! Em questão de minutos, me vi rodeado por nada mais, nada menos, do que oito novos brasileiros, que estavam juntos, e entraram no mar de uma só vez, falando alto como se estivessem em suas casas, remando em todas as ondas, sem a mínima vontade de compartilhar.
Agindo dessa maneira, quebrou-se todo aquele encanto, e aquela vibe tranqüila se transformou em algo tenso e estressante. Logo aconteceu o que eles queriam, todos saíram da água, ficando apenas eu no meio dos oito. Foi aí que o rapaz de camiseta amarela (o mais folgado e sem noção), achando que eu fosse gringo, começou a gritar: “Não deixem o gringo pegar onda. Vamos passar o carro nele”, exlcamava.
Achando que iria me intimidar chegou a gritar: “Aqui é brazilian jiu-jitsu black belt team”. Ouvindo estas coisas, mantive a calma. Treinei jiu-jitsu muitos anos de minha vida, e sei que quem é lutador de verdade não fica procurando encrenca. Estava quase me virando para ele e dizendo: ?meu irmão, sou brasileiro, qual é a tua? Quer decidir isso lá na areia??.
Procurei elevar meus pensamentos, pedi a Deus orientação e logo depois este pensamento fiquei sereno e tranqüilo novamente. Entrou uma série lá na frente, ninguém pegou e depois todas as ondas quebrarem virgens, o nosso “amigo” de camiseta amarela começa a gritar repetidamente: “Tomar no c…”, (só por que não pegou nenhuma onda).
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Naquele momento percebi que se tratava de um coitado, pobre de espírito e fiz uma oração para Deus o iluminar, pois uma pessoa que age dessa maneira está em completa escuridão.
Logo outra séria desponta no horizonte, virei a prancha e peguei uma das maiores. Quando estava no meio do drop, ouço um grito, era o nosso amigo “canarinho” que estava vindo lá de trás.
Fiz questão de não sair e surfei a onda até o final. Saí no canal e vi que ele então pegou a de trás e vinha em minha direção. Sentei na prancha aguardando-o se aproximar e quando estava bem próximo, deu uma rasgada e a borda da prancha enterrou na água, fazendo-o cair.
O cara tirou a cabeça da água e olhando para o céu gritava: “Filha da p…, filha da p…”, então subiu em sua prancha e começou a remar para o outside, sem ao menos olhar pra mim, que tinha acabado de rabeá-lo numa das melhores do dia.
Antes que me critiquem dizendo que falo dos outros, mas quem rabeou foi eu, alego que aquele indivíduo estava precisando desta lição.
E o show não acaba por aí. Depois que saíram d’água, um deles enfia uma banana na sunga, como se fosse o “homem-jegue”(se fosse pela suas atitudes até poderia ser) e sai desfilando na praia, passando ao lado inclusive de uma moça que estava deitada na areia lendo um livro.
No dia seguinte estes caras não apareceram no pico (penso que a estratégia deles é se queimar em um pico por dia), mas o filme dos brazucas já estava totalmente destruído!
Tanto é, que meu amigo remava numa onda com total prioridade, e mesmo assim, um dos locais que no dia anterior estava manso e amigo, entrou na onda, rabeando-o na ?caruda? e na volta, gritou para seu amigo também local: “Não tenho mais paciência com esses brasileiros”.
Quer dizer moçada, para elevarmos a moral dos brasileiros lá fora é um processo demorado, e quando achamos que estamos nos desenvolvendo, aparece um bando de “sem noção” e acaba com todo um trabalho em apenas algumas horas.
Conscientizem-se galera: Educação! É importantíssimo não só no surf, mas na vida! Para isso, aqui vai algumas dicas de boas maneiras que se cada um fizer sua parte, transformaremos a nossa reputação lá fora para melhor!
Não cheguem de galera no pico, sempre entre no mar um de cada vez, em intervalos de 10 ou 15 minutos.
Logo que chegarem ao outside, não saia remando em todas as ondas que aparecerem, de um tempo, estude quem é quem na água, sinta como esta a vibe do lugar, vá com calma.
Não seja egoísta, mesmo que você tenha a prioridade, ceda algumas ondas para os outros.
Claro, esta dica é antiga, mas parece que a galera sempre esquece: não fale alto no pico. Na verdade, se estiver crowd, quanto menos você conversar, melhor.
Habitue-se a recolher o lixo do pico (da água ou da areia), é um belo exemplo que as pessoas que estiverem vendo, poderão seguir, e, se não tiver ninguém ao redor, saiba que o universo o assiste.
Precisamos acabar com essa mentalidade de ser “malandro” e querer levar vantagem em tudo. Isso na real só nos prejudica, em todos os sentidos. Além de ficarmos mal vistos lá fora, atitudes egoístas como estas nos atravancam a vida, não evoluímos em nada que fazemos.
Pura Vida!
