Surf adaptado

Henrique Saraiva é guerreiro do kneeboard

 

Henrique Cardoso Saraiva usa o kneeboard para voltar ao esporte. Foto: Luiz Blanco.

Meu nome é Henrique Saraiva, nasci em 1979, em Belo Horizonte, MG, mas moro no Rio de Janeiro desde então. Sempre fui uma criança muito ativa, praticando diversos esportes e até competi em alguns. Aos 18 anos fui vítima de um assalto na ciclovia da Lagoa.

 

Roubaram minha bicicleta e eu levei um tiro na região lombar da coluna que lesionou parcialmente a medula. Passei alguns dias sem sensibilidade e sem movimentos dos membros inferiores. Mil coisas passavam pela minha cabeça, sem saber se um dia eu voltaria a jogar bola, surfar etc.

 

Essa incerteza era horrível, mas foi bom, pois a partir daí, toda melhora que acontecia eu já encarava como um lucro. Hoje ando com o suporte de muletas, não voltei a jogar futebol, mas encontrei um esporte que me ajudou muito em minha reabilitação, o surf adaptado.

 

Cerca de três anos após o acidente um amigo, hoje surfista profissional, começou a me incentivar a tentar surfar de kneeboard, surf de joelhos.

 

Eu achava que seria impossível, já havia tentado surfar de bodyboard e não consegui me adaptar. Ele insistiu, insistiu até que um dia de mar calmo fomos tentar. Na primeira onda já consegui surfar. Claro que com um empurrãozinho dele, mais o fato de eu já ter surfado na adolescência me ajudou bastante.

 

A partir de então, minha relação com o surf foi se intensificando a cada dia. O surf ajuda na minha recuperação física e na minha reintegração social. Dentro d?água eu não preciso de muletas e nem da ajuda de ninguém, minhas limitações diminuem e minha sensação de liberdade aumenta.

 

O surf me ajuda também nas dores que eu sinto na coluna, pois a postura da remada fortifica a região lombar. Com tantos benefícios alcançados, o surf virou pra mim um estilo de vida.

 

Pouco mais de um ano atrás eu comecei a pensar em passar essa minha experiência a alguém com deficiência. Eu sempre senti muita gratidão ao meu amigo por ele ter insistido sabendo que o esporte faria bem pra mim e eu queria fazer o mesmo por outras pessoas.

 

Foi então que, depois de pesquisar muito sobre o assunto, juntamente com um grupo de pessoas, fundei uma associação sem fins lucrativos disposta a ajudar pessoas com deficiência a usufruírem os mesmos benefícios que o surf trouxe para mim.

 

Atualmente, o Instituto Adaptação e Surf conta com uma equipe formada por fisioterapeuta, professores de Educação Física, surfistas, estagiários e uma rede de voluntários disposta a desenvolver um trabalho lúdico de reabilitação pela prática do surf adaptado.

 

Convido todos a conhecer um pouco mais sobre nossas iniciativas visitando o site Adaptsurf.

 

 

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