O inverno começa em outubro no Hawaii. Mas, para mim a temporada teve início apenas em novembro, pois nossa equipe estava cobrindo o WCT em Floripa.

 

Mesmo assim fico antenado com as informações recebidas do arquipélago pelo meu amigo Bruno Lemos, morador do local e parceiro de inúmeras temporadas.

 

Com o encerramento do WCT no Brasil, voltei ao Rio de Janeiro e permaneci monitorando o swell no Hawaii – uma verdadeira tortura. Naquela época rolaram altas ondas, mas eu ainda não tinha como ir para lá.

 

Felizmente consegui agilizar minha ida rapidamente, com meu parceiro de filmagens Luis ?Dedé? Passos, e parti para minha 16ª temporada havaiana.

 

Foi um alívio quando escutei aquela música ?hawaiian? no aeroporto de Honolulu. Naquele momento acabou o stress e altas ondas estavam me esperando.

 

Nosso primeiro dia de filmagem rolou em ondas menores, com cerca de 1,5 metros em Off The Wall clássico!

 

O destaque do dia foi o tubo de uma garota… Isso mesmo, uma menina. A brasileira Silvana Lima representou o time brazuca com um belo tubo em Off The Wall. O havaiano Bruce Irons aplaudiu a brasileira pela excelente performance.

 

Silvana colocou por trás do pico com perfeição e segurança incríveis e saiu seca do tubo, recebendo elogios de todos presentes.

 

Com uma nadadinha percebi que a bancada estava muito limpa, com pouca areia, deixando as condições ainda mais perfeitas. A previsão para o dia seguinte apontava ondas com cerca de 10 pés e swell de Noroeste. Adivinha?

 

Pipeline quebraria clássico. Mas, logo pensei nas finais em Sunset, em que meu amigo Yuri Sodré disputa uma vaga. Se tudo der certo ele fatura esse evento. Resolvi arrumar um tempinho para filmar Pipeline, nem que fosse por meia hora, mas tinha que registrar os caroços nervosos que quebrariam por lá.

 

No dia seguinte acordei às 5 da matina e entrei na internet para ver se realmente o swell havia chegado. E elas vieram!!! Fui com Jorge Pacelli e com o cinegrafista Marcelo Dada Pelosini checar se teria o campeonato em Sunset.

 

Randy Rarrick, organizador da Tríplice Coroa Havaiana, disse que a prova seria adiada novamente. Não pensamos duas vezes e fomos direto para Pipeline. O visual das ondas na chegada em Pipe era estonteante. Cerca de 100 cabeças na água com ondas variando entre 6 a 10 pés liso, com altos e perigosíssimos tubos.

 

Observei os fotógrafos no canal de Pipe por alguns segundos e vi uma série de Norte varrendo todos para debaixo da rasa bancada.

 

Clique aqui e confira a galeria de fotos da session em Off The Wall

 

Clique aqui e confira a galeria de fotos da session em Pipeline

 

Clique aqui para ver a galeria de fotos em homenagem a Malik Joyeux (31/03/80 – 02/12/2005)

 

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Aquela vontade de ir ao banheiro surgiu imediatamente. Naquele momento o big rider Malik Joyeux passou por mim e pelo Dada e nos cumprimentou.

 

Corremos para casa e arrumamos nosso equipamento. De volta a Pipe, no momento em que fui cair no mar, o inesperado aconteceu.

 

Joyeux sofreu um acidente e percorreu embaixo da água uma distância aproximada de 500 metros. A correnteza estava muito forte. Olhei para o fotógrafo Sebastian Rojas saindo do mar com os olhos arregalados, mas preferi não falar com ele.

 

Realmente não queria ver aquela cena e entrei rapidamente na água para começar mais um dia de trabalho. Notei que o mar ?não estava para peixe? e filmei muitos wipeouts.

 

Até Bruce Irons pagou o preço de Pipe. Alguns brasileiros também estavam na água, com destaque para Paulo Moura, que pegou muitos tubos e consegui filmá-los.

 

O dia foi passando e as minhas dúvidas sobre o acidente de Malik aumentavam, pois não sabia o que ocorreu com ele. A dúvida sobre a situação de Malik não me deixava à vontade no mar.

 

Dos 100 surfistas que estavam presentes no início da session, apenas 15 permaneceram depois do acidente. Havia uma energia bem estranha ali. Passaram-se algumas horas quando vi uma roda de homenagem sendo formada bem em frente à antiga casa de Gerry Lopez.

 

Minhas dúvidas terminaram ali, Malik realmente havia falecido. Naquele momento muitas coisas vieram à cabeça. Em um momento você está bem e numa fração de segundos parte para outro universo.

 

Apoiado em minha câmera, rezei por ele procurando mandar boas energias para a alma de Malik. Naquele momento não havia mais clima para trabalhar. Depois de quatro horas nadando, esperei o momento certo e saí do mar exausto.

 

Peguei minha mochila e parti para casa. No caminho, meu grande amigo Bruno Lemos me deu uma carona para a casa localizada em Sunset Beach. Chegando lá vi o Dada com uma expressão triste e desanimada.

 

Conversamos um pouco sobre o acidente e cinco minutos depois chegaram Heitor Pereira e o Junior Faria dizendo que Pipe havia feito mais uma vítima. Aquela notícia nos deixou frustrados. Foi um dia triste de altas e perigosas ondas.

 

Que Deus o abençoe, Malik!

 

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