Mais uma temporada que se vai. Mais um verão de derreter gelo no freezer que chega. Mas essa temporada ficou para a história.

A temporada começou super cedo, em setembro já tinha onda. Não deu altas, mas era certo de ter 4 pés em varios picos: Velzyland, Rocky Point, Laniakea, que rolaram em condições clássicas. Isso serviu para tirar aquela pressão e fazer a galera começar a pensar melhor, ter mais calma para esperar a boa. Enfim, voltar a viver na real do Hawaii.

 

Em outubro rolou altas ondas e com aquele crowd fácil, era só ir para o outside esperar a

sua, muito fácil. Foram altas ondas, com sol e as vezes só os amigos lá fora, essa é a época que junto com o spring time, é possível pegar suas melhores ondas e curtir o astral de cair só com os amigos. Mesmo que só por uma hora, em um mar perfeito.

Novembro, como de costume, começou a pressão com a chegada de todos os tipos de maluco da face da terra. Desde os profissionais, até surfistas sem noção do perigo que estava por vir.

Junto com isso comecaram as confusões, brigas e instaurou-se o stress na ilha. Mas tá beleza. Se acordar cedo você sempre pega a sua. Pois

os locais e tops só chegam junto com a luz do sol e os fotógrafos. Muitos vem para o Hawaii hoje em dia, só para fazer fotos e manter-se na midia. Fazem seu trabalho e vão embora para algum pico secreto. Pegar ondas clássicas com os amigos e curtir o que realmente deveria ser o espírito do surf.

Pipeline é um pico que se descontrolou de vez! O localismo é forte, mas se comparado com a pressão, acho que os locais tem sido até bem educados. Está insuportável, são muitas vezes 70 pessoas no pico isso ainda na escuridão. Você consegue pegar umas três ondas e as vezes sao as três ruins. Vai para casa com aquele mau humor. Ficar vendo os locais pegando altas e sobrar o lixo pra galera, ninguém aguenta.

 

É verdade que tem aqueles dias onde tudo dá certo. Esse ano mesmo, em um mar crowdeado. Em pleno sábado, meio dia. Eu estava de bobeira em Backdoor, entra a série e sobrou uma das boas. Mas não é todo dia, tem dias e mais dias de espera. As vezes sobra a recompensa.

Em dezembro, o Hawaii é o lugar. Isso aqui vira um hospício. Tem de tudo: caça top, top, não top, haole, prego, briga, acidentes, vacas bizonhas e tudo mais que puder acontecer de bom e de mal no esporte, se espreme pelas areias do North Shore.

É normal em dezembro rolar uma série de ventos Kona, e isso estraga um pouco as ondas neste mês e deixa o crowd mais nervoso. Nessa temporada não foi diferente.

Tive a oportunidade de viajar até Maui em janeiro de 2005 e constatei que Honolua bay é o lugar pra se voltar. Um secret spot de esquerdas com ondas de dez e doze pés, nivel de Teahupoo nos foi  apresentado – estava com o Tâmega . Além de direitas e esquerdas de sonho. Muitas delas quebrando sozinhas. Cheguei a sonhar com uma possível mudança para a ilha de Maui.

Pude ver de perto e ainda fotografei o grande herói do nosso esporte, Guilherme “mega” Tâmega surfar Jaws e ser o segundo bodyboarder a surfar lá. Ondas enormes de mais de 25 pés com uma prancha de bb comum.

A galera do bodyboard brasileiro tem mostrado muita raça aqui no Hawaii. Novos talentos despontando: Fabio Sasso e seu irmão, Eduardo “duda”, que caíram em todo tipo de mar. Pegaram altas em um mês e voltaram ao Brasil com o dever cumprido; o capixaba Maguinho já é local e tem um know how absurdo. Quanto maior o mar, melhor sua performance. Pelé, Jefinho, Cassiano, Josifran, Guiga, Maíra, Alexandra Kagaia estão cada vez surfando melhor.

Não foi surpresa nenhuma o fato de Carol Casemiro ter feito a final de Pipeline e ela continua com seu treinamento de Karatê kid para na próxima temporada quem sabe levar a etapa. Lorraine Lima pegou altas inclusive surfou um Off the Wall meio indigesto, mostrando que gosta da adrenalina.

Luiz Gustavo Villar ficou 100 dias na ilha e a cada dia sua performance em ondas havaianas melhora. É um dos melhores sempre, em qualquer tipo de mar e tamanho. Pegou umas bombas em Pipeline e isso talvez lhe renda uma capa na revista Ride it!

Paulo Barcellos mesmo machucado do joelho, continuou tirando seus trens e curtindo o mar nas condições mais bizarras. Quanto mais sinistro o mar em Pipa, mais feliz o cara fica. Um cara que está sempre na paz, que acompanhou o meu drop da morte esse ano. E ainda me fez rir depois dele.

Guilherme Tâmega redescobriu o Hawaii. Está aqui desda novembro esculaxando o que vier pela frente. Ganhou uma etapa do circuito havaiano, muito conhecido por seu julgamento extremamente duvidoso. Encarou Jaws e conseguiu mais um vice campeonato, quase mordendo o pentelhésimo título de sua carreira.

Ricardo Soneca continua com a pilha de sempre, pegando todas as ondas que aparecem pela frente. Está a caminho do hospital para o nascimento do seu filho Cristian. Sou bodyboard a amigo dessa lenda aqui no Hawaii e deixo aqui meus parabens. Parabenizo também todos que vieram e aproveitaram seus dias de sonho, surfaram altas e voltaram para o Brasil com lembranças de mais uma temporada no Hawaii.

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Mais de cinquenta anos de câmera na mão: do Píer de Ipanema a Pipeline com Gerry Lopez, de Bob Marley no Havaí aos Rolling Stones no Maracanã. Fernando “Fedoca” Lima viveu e fotografou tudo isso. Agora reúne tudo em um livro.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)