Gouveia dá largada fabulosa

O paraibano Fábio “Fabuloso” Gouveia largou na frente na corrida pelo título brasileiro no SuperSurf 2005.

 

Gouveia venceu a etapa de abertura da temporada, realizada na paradisíaca praia do Rosa, em Imbituba (SC), no último mês de abril.

 

A vitória lhe valeu um prêmio de R$ 22 mil e 1.000 pontos no ranking brasileiro do SuperSurf 2005. Na final, Fabinho derrotou o paulista Beto Fernandes por uma pequena diferença: 12,70 x 11,40 pontos.

 

Aos 35 anos, Gouveia foi campeão brasileiro e mundial do WQS em 1998 e sua última vitória no SuperSurf tinha acontecido em 2000, quando foi inaugurada a divisão principal do

 

Circuito Brasileiro Profissional, na praia de

Maresias, em São Sebastião (SP).

 

A decisão na praia do Rosa foi prejudicada pelo grande intervalo entre as séries. Quando faltavam três minutos para o término, Gouveia achou uma boa direita e tirou nota 5,97, mas a decisão do título ficou para os segundos finais com a entrada de uma série decisiva.

 

Beto pegou a onda da frente precisando de 4,21 pontos e tirou apenas 3,87. Enquanto isso, Fabinho veio na de trás, começou com um aéreo, deu duas batidas e ainda finalizou com outro aéreo já na areia, para delírio da torcida.

 

Gouveia recebeu sua maior nota – 6,73 – para confirmar a vitória por 12,70 x 11,40 pontos.

 

Nesta entrevista concedida a Beda Batista, do site ClickPraias, ele fala sobre a vitória na praia do Rosa, sua vida em Florianópolis e os planos para 2005, que incluem batalhar por uma vaga no WCT.

 

Qual é a sensação de ganhar a primeira etapa do Super Surf 2005 na praia do Rosa?

 

É uma sensação muito boa, sensação de voltar ao pódio. Porque o surfe está cada vez mais difícil, para mim mais ainda, pois já estou na estrada há muito tempo e a nova geração vem com tudo. Realmente, hoje em dia pódio é uma coisa escassa. Então você tem que aproveitar aquele momento. Fiquei amarradão em estourar o champanhe e largar bem é sempre muito importante. Não vou dizer que porque larguei bem eu quero o título, pois eu já tenho um título brasileiro. O que vier a mais é lucro, será um presente. Não gosto muito de colocar metas, pois se você não consegue acaba ficando frustrado. Eu gosto de ir subindo os degraus, mas é sempre muito bom. Você acaba ficando motivado para correr os eventos, para treinar, é muito bom quando você larga bem. Geralmente eu não largo bem, começo a melhorar do meio do ano em diante. Os anos em que eu larguei bem foram os anos bons, então eu espero que esse ano seja um ano bom.

 

A última onda você pegou nos instantes finais…

 

É, foi na regressiva (rs).

 

##

Você tinha uma grande torcida na praia, como foi aquele momento?

Na real eu sabia que a praia estava cheia, mas ali na hora só conseguia ver o mar e a onda que eu tinha que fazer. Eu sabia que o Beto precisava de uma nota baixa, estava com a prioridade e tinha pegado a onda da frente. Eu vi uma onda pequena que realmente não parecia que ia render alguma coisa. Aí fui para o tudo ou nada e a partir do momento que subi na prancha vi que ela renderia alguma coisa. Tentei dar aquele aéreo porque as rasgadas que eu estava tentando não saiam bem por causa do vento. Quando eu rasgava forte o vento segurava a prancha e eu não conseguia sair com velocidade para a segunda manobra, e acabava gastando minhas chances.

 

Até optei por pegar algumas esquerdas que me deram uma pontuação regular e no final foi aquilo, fui para o tudo ou nada, rasguei forte ainda no final e recebi a nota. Nem sei qual foi a nota que o Beto tirou…

 

Ele tirou 3,87 pontos, mas precisava de 4,21 pontos.

 

É, na real eu o vi remando, vi que ele tinha feito a primeira manobra e depois não tive mais tempo para pensar. Desliguei o cronômetro, lembro ainda de ouvir o locutor começar a regressiva, remei na onda e deu tudo certo (rs).

 

Quais são seus planos para 2005?

 

Tentar voltar para o WCT e melhorar minha forma física. Quero aproveitar o mês de maio, que não têm nenhuma etapa do WQS, para treinar bastante. Estou fazendo um trabalho em academia com pesos, esteira, bicicleta, trabalhando mais exercidos aeróbicos. Sempre revezando esteira ou bicicleta com as máquinas, mas quero nadar também, pois é uma das atividades que trabalham a parte cardiovascular. Porque você está sempre na prancha remando, tem a bóia ali, você não faz tanto esforço e a natação vai te deixar com fôlego e mais velocidade.

 

Você está gostando de morar em Santa Catarina?

 

Estou muito feliz. Sempre gostei muito daqui, a primeira viagem que fiz saindo do meu Estado natal foi para cá, no OP Pro da Joaquina, em 86, e foi o primeiro evento que me dei bem fora do meu Estado, fiquei em quinto. Em 87 retornei e essa foi a segunda viagem para fora da Paraíba, fiquei em terceiro no OP Pro. E assim o pontapé na minha carreira foi num evento que rolou na Joaquina, era um intercâmbio Brasil-EUA, foi em 1987. Lá eu aprendi a competir. Foi realmente um lance de intercâmbio e eu venci uma das etapas, estava sempre chegando perto, mas não tinha conseguido nenhuma vitória. Então eu venci aquela etapa e depois que você consegue vencer a primeira vez, deslancha. Depois disso venci vários outros eventos. Fui campeão mundial amador em 87 (em Porto Rico, o Brasil ficou em terceiro lugar na classificação geral por equipes), enfim tudo para mim meio que começou aqui, né?

 

##

Então, eu adoro isso aqui, nunca pensei que um dia viria morar aqui. Porque nordestino para estar no frio é fogo (risos), mas é aquela coisa, eu nunca quero estagnar, eu sempre fico procurando formas para tentar evoluir, estou aqui há dois anos e meio, na época em que me mudei eu vi que aqui seria bom para mim, pois havia várias competições, vários atletas de ponta e um circuito local forte. O fato de ter muitas competições em Santa Catarina facilitava para eu ficar mais tempo com a minha família, passando mais tempo em casa. Porque se estivesse morando no Nordeste e tivesse provas aqui eu tinha que vir para cá e nem sempre minha família poderia vir. Então, eu voltava do exterior e em vez de ir para casa vinha para cá. Dessa forma, aqui foi o lugar que achei mais cômodo, para

evoluir em águas geladas e outra coisa que pesou foi o fato de eu trazer as minhas crianças e dar a oportunidade deles serem surfistas.

 

Eu vi que eles tinham talento, mas a gente morando em Recife não podia surfar por causa dos tubarões e tinha que se deslocar para Maracaípe, que é a mesma distância de Floripa ao Rosa (Imbituba), e nem sempre eu estava lá para levá-los e nem sempre minha esposa podia levá-los quando eu não estava lá. Não tem pressão: “Meu irmão, vamos para lá para você ser surfista profissional”. Não tem nada disso, mas eles estão surfando direto, estão competindo. A geração deles tem uma molecada muito boa. Cauê Wood, Julio Terres, Santiago e Alejo Muniz e vários outros e eles estão crescendo também. Só o fato de eu dar esta oportunidade e eles estarem aproveitando já foi um lance muito legal. De repente eu tive dois anos difíceis, os dois últimos, mas eu sei que essa minha vinda para cá ainda vai render muitos frutos, como já estão rendendo em diferentes áreas.

 

Como foi competir na praia do Rosa?

 

Foi bem legal, no primeiro dia vi que o astral estava muito bom. Eu só tinha surfado uma vez ali no canto direito e não conhecia essa área da Fazenda Verde do Rosa, estou numa pousada super legal ali atrás também. As crianças quando desceram viram as ondas e a mini-ramp de skate e disseram: “Pó, isso aqui é o paraíso, velho!” (rs). Aí, passam a metade do dia surfando e a outra metade andando de skate. Eu vim assim, justamente curtir né, cara. Curtir, competir, mas vim e fui evoluindo no evento. Enfrentei baterias difíceis sempre virando ali no sufoco e o resultado foi maravilhoso.

 

Deixe então uma mensagem para a nova geração de surfistas brasileiros.

 

Ter muita seriedade. Pois tem aquela coisa, “chegar ao topo” e “permanecer lá”, que são duas coisas bem diferentes. Eu acho que é até mais fácil chegar ao topo do que permanecer nele. E para permanecer o cara tem que prestar atenção nas coisas que faz, tem que ter muito profissionalismo e acima de tudo ter uma boa conduta. Porque existe aquele ídolo irreverente, mas geralmente este não dura tanto. Existe o “irreverente esperto” (risos) que faz as irreverências, mas na hora que tem que trabalhar legal trabalha. Esse é o “mala” e muitas vezes dá certo também. Na verdade tem que se dedicar, porque hoje existem muitos atletas bons e se você procurar fazer algo diferente vai sair na frente. Atualmente os surfistas bons estão mais ou menos nivelados, então, quem fizer uma preparação física ou trabalhar com prancha para poder surfar mais forte terá um diferencial. Mas isso você vai descobrindo com o tempo e com a observação. Além disso, aprender a vencer com as derrotas, pois em um momento ruim você precisa estar preparado para não se deixar abalar. Porque em um momento bom é muito fácil, mas em um momento ruim é que o cabra tem que ser casca-grossa. Eu já passei duas ou três vezes por essa fase. É igual ao futebol, em que os jogadores estão, às vezes, em alta e, às vezes, em baixa. No surfe é a mesma coisa.

 

 

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Mais de cinquenta anos de câmera na mão: do Píer de Ipanema a Pipeline com Gerry Lopez, de Bob Marley no Havaí aos Rolling Stones no Maracanã. Fernando “Fedoca” Lima viveu e fotografou tudo isso. Agora reúne tudo em um livro.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)