Acabo de chegar de minha primeira trip ao Peru. Fiquei na região de Punta Hermosa.
Esta também foi a primeira vez que viajamos em função de ondas grandes. Encontramos boa ondulação nos últimos dias 10 e 13 de abril.
Equipado com minhas maiores pranchas, 9’0” e 8’2”, embarquei rumo a Pico Alto na companhia da minha namorada que registrou toda trip.
Chegamos lá na manhã do dia 9, data que o mar iria ganhar tamanho até o final da tarde.
Por volta das 13 horas, avistamos em meio a forte neblina, uma onda que quebrava forte no outside. Era Pico Alto começando a funcionar.
Sem perder tempo, preparei minha 9’0” e pegamos um “tuk tuk” (um modelo de moto táxi muito comum na região) e fomos rumo a playa Norte, lugar teoricamente que funciona como entrada para Pico Alto.
Um belo quebra-coco com mais de 2 metros nos deu as boas-vindas.
Depois de passar a arrebentação e remar por mais 1,5 km – por volta de meia hora, cheguei ao outside junto com meu amigo Paulo.
Estávamos a sós e não conhecíamos a onda. Foi muito difícil me posicionar no lugar certo, além do medo de tomar uma série na cabeça, já que nunca tinha visto ondas daquele tamanho.
Depois de uns 20 minutos na água, sem que eu percebesse, a corrente me colocou bem no pico e consegui pegar minha primeira onda.
Foi animal! Um drop e um bom passeio na maior onda que eu já tinha surfado.
Boiamos por mais de meia hora depois desta onda. Em seguida, o brasileiro Fernando Gaspar e o local Jaime Venegas entraram na água e nos ensinou como se posicionar no pico.
Jaime foi um show a parte. O cara logo que entrou no mar remou bem para o outside e virou embaixo da maior do dia, completando um air drop animal.
O cara realmente conhece a onda. Com uma prancha maior que 10’0”, ele vinha sempre nas boas e surfou um tubo enorme no maior dia do swell.
Todos sempre me falam que a vibe dos peruanos com os brasileiros não é legal, mas em Pico Alto é diferente. Naquelas águas todos se respeitam e tive uma ótima interação com os locais.
Depois de um primeiro dia de mar glassy e com forte neblina, o segundo dia amanheceu com sol e o mar bem grande, com muita espuma branca em todo outside.
Este foi um dia clássico, de ondas bem grandes e perfeitas. Depois, no terceiro dia, o mar deu uma baixada.
Mas, na tarde do quarto dia o swell subiu de novo e no sábado, dia 13, estava realmente bem grande.
Até o nosso mestre do big surf, Carlos Burle, apareceu para remar numas das bombas.
O resultado dessa trip foi super positivo, com altas imagens e uma verdadeira aula de big surf. Surfei as maiores ondas da minha vida.
Constatei o quanto é importante ter o equipamento certo. O uso de coletes flutuadores tem ajudado muito na segurança dos atletas que se arriscam nestas condições.
De volta ao Rio de Janeiro (RJ), já estou providenciando uma prancha 10’0”, pois percebi que a 9’00” vira brinquedo de criança na hora que o bicho pega de verdade.
Por aqui vou monitorando o mapa do swell para ver onde será o próximo desafio.
Quero agradecer a hospitalidade do Diogo, na pousada do brasileiro Ernesto Nunes, à minha namorada pela paciência de ficar mais de quatro horas por dia filmando em coma do cliff e à receptividade dos locais de Pico Alto, que deram uma verdadeira aula de big surf.
Foto de capa Jaime Venegas