
O governador Geraldo Alckmin inaugurou nesta terça (17/12) a pista Descendente da Rodovia dos Imigrantes, que liga a capital às praias da Baixada Santista e litorais sul e norte do Estado.
A estrada é o mais importante e complexo projeto de engenharia rodoviária realizado neste início de século na América do Sul.
O tempo de duração da obra foi de quatro anos e três meses e mais de 4,5 mil pessoas trabalharam para sua conclusão – terminando cinco meses antes do prazo previsto.
O novo trecho inicia-se na região de planalto, no Km 41 da rodovia já existente desde 1976, próximo à Interligação com a Via Anchieta. São 23,23 quilômetros que vencem um declive de 730 metros da Serra do Mar, até o Km 62.
As empresas responsáveis pela obra foram a brasileira Figueiredo Ferraz, que criou o traçado original, e as italianas In. Co (especializada em viadutos) e Geodata (especializada em túneis).No total, foram investidos cerca de US$ 300 milhões para a construção da pista.

O destaque fica para as práticas de gestão ambiental empregadas para proteger a Mata Atlântica. Um primeiro projeto, elaborado em 86, foi modificado para atender a todas as exigências ambientais que evoluiram nesses 12 anos.
As duas principais alterações foram: ter a maior parte possível do trajeto em túneis, que reduzem a necessidade de supressão vegetal; e diminuir o traçado em viadutos e ampliar ao máximo as distâncias entre os seus pilares.
Isto resultou em três túneis. O mais extenso é o Túnel Descendente 1 (TD 1), com 3.146 metros, e é considerado o maior túnel rodoviário do Brasil. O TD 3 tem 3.005 metros e o TD 2, com 2.080 metros, complementa os 8,23 quilômetros abertos no interior da Serra do Mar.
O sistema escolhido para construção dos túneis foi o New Austrian Tunneling Method, a mais confiável técnica para as condições geológicas da Serra do Mar.
Foram utilizados quatro equipamentos de perfuração computadorizados, chamados jumbos, importados especialmente para a obra e são os únicos existentes no país.
Os jumbos são máquinas de escavação que se locomovem sobre pneus e possuem quatro braços: três perfuratrizes e uma caçamba de

serviço. Para cada 480 metros cúbicos de rocha removidos, empregava-se mil quilos de explosivos. O material era introduzido na rocha com base num mapeamento prévio feito pelos técnicos e gravado em disquete.
As informações eram interpretadas pelo computador do equipamento, orientando o trabalho do operador, que utilizava um joy stick semelhante aos dos videogames. O posicionamento das máquinas no interior dos túneis era feito com o auxílio de raios laser.
Cada um dos túneis têm três faixas de rolamento, com uma faixa de segurança, e cerca de 11 metros de altura. Eles são dotados de baias de emergência, com 60 metros de comprimento, para receber veículos em pane, sem que prejudiquem o fluxo do tráfego. São oito baias, uma a cada um quilômetro em média.
Homens, equipamentos e materiais foram transportados por guindastes até o local onde seriam construídos os pilares, para não afetar a mata da região.
Em todo o trajeto, foi usado pavimento rígido de concreto, de maior resistência ao desgaste em relação ao pavimento flexível asfáltico, o que irá reduzir a necessidade de manutenção e, conseqüentemente, de obras que prejudicam o tráfego.

*Pedágio mais caro – Foi confirmado o aumento de 45,45% na tarifa do pedágio do sistema Anchieta-Imigrantes, que liga a Baixada Santista à região metropolitana.
A partir do próximo dia 18, data da abertura da nova pista da Rodovia, a tarifa passa de R$ 6,60 para R$ 9,60.
Segundo a Ecovias (concessionária que administra o sistema), está sendo aplicado um novo sistema de cobrança, assim com prevê o contrato de concessão e é feito em todas as rodovias concessionadas do Estado de São Paulo.
A tarifa é calculada segundo a quilometragem da estrada, que tem 21 quilômetros de extensão e o maior túnel rodoviário do Brasil.
Se por um lado o novo sistema de cobrança afeta quem sobe e desce a Serra, por outro, barateia para os motoristas que circulam pelo litoral.
Os motoristas de Praia Grande, Mongaguá, Itanhaém e outros municípios do litoral sul que trabalham em Cubatão, passam a pagar R$ 2,60 ao invés de R$ 6,60. Os que vêm do litoral norte e Guarujá pagarão R$ 4,40 e não mais R$ 6,60.
*Colaborou o correspondente Herbert de Passos Neto.