
Uma das praias mais populares entre os surfistas cariocas, a Macumba, no Recreio dos Bandeirantes, pode se tornar em breve a mais cobiçada da região graças a um projeto que prevê a construção de um fundo artificial no local.
O primeiro passo para a concretização desse antigo sonho foi dado ontem, com a assinatura de um termo de compromisso para a realização do projeto entre a Coppe/UFRJ e a Fundação Rio Águas. Se der tudo certo, este será o primeiro “surfódromo” do país.
Segundo notícia publicada nesta terça no jornal O Globo, o objetivotambém é de conter a erosão do fundo na praia da Macumba. A previsão para a conclusão do projeto é de quatro meses de trabalho.
Ainda de acordo com a reportagem, estudos preliminares feitos pela equipe da área de engenharia costeira da Coppe prevêem que o fundo artificial será de concreto, com formato de pirâmide, situado a 150 metros da praia, submerso entre 1 e 7 metros.
O comentário do engenheiro e surfista Luis Guilherme Aguiar, um dos técnicos do grupo de estudo, deixa clara a ótima perspectiva do projeto. “Queremos criar na Macumba ondas como as da Indonésia, não tão altas como as do Hawaii, mas perfeitas para o surfe”, disse Aguiar ao Globo.
Os estudos também mostram que com a ponta da pirâmide apontada para o mar, duas ondas perfeitas e tubulares se formariam, uma direita e uma esquerda, com cerca de 300 metros de extensão. A onda pode dobrar de tamanho ao bater na bancada e levar o surfista a atingir até 30 km/h.
Além disso, está prevista também a construção de um quebra-mar ao longo do Canal de Sernambetiba, a 200 metros do surfódromo, pela Superintendência de Rios e Lagoas (Serla), que irá criar outro pico de ondas no local.
“Serão criados dois points distintos de ondas. O do quebra-mar irá funcionar com ondulação de sul e sudoeste. Já o surfódromo receberá qualquer ondulação e sempre terá ondas boas”, explica Paulo Rosman, professor da Coppe.
Alexandre Pinto, presidente da Rio Águas, diz que há interesse da prefeitura em realizar a obra, com o objetivo de desenvolver o turismo na praia da Macumba. Para o empresário e surfista Maurício Andrade, um dos idealizadores do projeto, a iniciativa só traz benefícios para o esporte e a cidade.
“Com fundos que criem ondas perfeitas, podemos trazer eventos internacionais para o Rio, além de incentivar a prática e melhorar o lado social do esporte”, comemora Andrade.
Na contramão dessa iniciativa está a notícia da retirada do píer da Barra, que há dois anos vem sendo responsável pela criação de ondas perfeitas no local. Com a finalização das obras do Emissário Submarino da Barra da Tijuca, iniciadas em 2001, será destruído o píer de 180 metros, construído no local para sustentar as obras.