Nascido no Rio de Janeiro (RJ) e residente no Hawaii, o ator global Omar Docena caminha para a sua terceira temporada em Oahu com muita disposição.
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Aos 24 anos, Docena acaba de retornar da Indonésia, onde surfou altas ondas durante três meses e participou das gravações da novela Três Irmãs, atração da Globo que vai ao ar em setembro e tem o surf como tema principal.
Em entrevista concedida a Bruno Lemos, o ator fala sobre a sua vida e comenta os bastidores da novela global.
Como veio parar no Hawaii?
Saí do Brasil sem roteiro definido, com o objetivo de conhecer lugares, culturas e, claro, ondas diferentes. Estacionei no Hawaii por conta da qualidade de vida e pelo power das ondas. Moro no North Shore de Oahu, numa casinha que foi erguida por mim, minha namorada e meus queridos amigos. Trabalho na Surf Hawaii Surf School, uma escola de surf que fica em Haleiwa e pertence ao brasileiro Edison De Paula.
No Brasil, estudava e trabalhava como ator, participei das minisséries da Globo “Cidade dos Homens” e “Um Só Coração”. Também já trabalhei como apresentador de um programa no canal Multishow chamado “Quarto Mundo”, e foi assim que eu consegui a verba inicial necessária para realizar minhas surf trips.
Você vai aparecer nos primeiros capítulos da novela, que foram gravados em Bali. Pode falar um pouco do seu personagem?
Meu personagem se chama Jerry. Ele é amigo do Eros (Paulo Vilhena) e sou eu quem vou apresentar a ilha de Bali e as ondas perfeitas do lugar para ele. O Jerry também será o elo de ligação de uma forte parceria entre Eros e Gregg (Rodrigo Hilbert), um brasileiro que reside na Indonésia e surfa altas ondas. Nós três, juntos, além de muito surf, curtimos as belezas da ilha e formamos um time bastante divertido.
Como foi que conseguiu a vaga para esse papel estando aqui no Hawaii?
A verdade é que a minha participação na novela aconteceu por pura sorte. Eu estava no lugar certo, na hora certa. Saí do Hawaii para uma trip em Bali e, um dia, quando estava checando o surf em Uluwatu, encontrei a produtora da novela, Marília Fonseca, com quem trabalhei há alguns anos. Ela me reconheceu e ficamos conversando por algum tempo, depois me apresentou ao diretor Zé Villamarim, que também estava lá estudando locação. Eles me falaram que estavam precisando de um ator brasileiro e que eu me encaixaria perfeitamente para o fazer o papel do Jerry. Depois disso, o diretor geral, Dênis Carvalho, aprovou e o negócio foi fechado.
Como foi a experiência?
Foi muito bom voltar ao set de filmagens. Havia algum tempo que eu estava sem trabalhar como ator e gravar em Bali foi uma experiência alucinante. Não é todo dia que surge uma oportunidade dessa, principalmente envolvida com surf, algo que gosto muito. Só o fato de ter as suas ondas filmadas na água, por uma câmera de 16 milímetros, já é muito show. A equipe toda, de forma geral, foi super gente boa. Sem dúvida me diverti muito e ganhei novos amigos.
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E o nível de surf dos atores?
O Rodrigo (Hilbert) e eu já nos conhecíamos. Nós fizemos a oficina de atores da Rede Globo juntos. Ele e o Paulinho me trataram muito bem e agora eu posso dizer que de fato eles são “brothers”. Em um dos dias de gravação, no Inside Corner de Uluwatu, o mar estava com uns 2 metros, a correnteza estava muito forte e eu e o Rodrigo acabamos tomando uma série um pouco maior, bem embaixo do pico. Nesse dia, o Rodrigo demonstrou bastante sangue frio e disposição perto da bancada rasa.
Numa outra filmagem, em Keramas, eu estava com a prancha do Garut, atleta local da Rip Curl, que era meio pequena. Lá o Paulinho fez a minha mala, ele se deu bem, mesmo com o forte crowd de profissionais mostrou que é muito bom surfista. No fim das contas, eu ainda acabei com a prancha quebrada.
O pessoal teve que contratar dublês, pois os atores estariam muito ocupados filmando as cenas de abertura da novela fora da água, mas, com certeza, eles “representaram” no surf.
Em sua opinião, qual a repercussão que essa novela deve ter?
Achei que a idéia da TV Globo de abordar o surf numa novela foi algo muito inteligente. Todo mundo sabe que esse esporte está em ascensão, não só no Brasil, mas no mundo todo de forma geral. Como tudo na vida, existe o lado ruim, que é o crowd mais intenso a cada dia, mas o lado bom é que a popularidade traz o incentivo e a evolução de forma profissional. Um exemplo disso foi o interesse da Rip Curl em apoiar as gravações em Bali. Com certeza a novela vai levar o surf a camadas da sociedade brasileira que nunca pensaram em pegar onda.
Também acho que o pessoal que já pega onda vai ficar amarradão. Isso porque a TV Globo, com toda sua estrutura, foi capaz de organizar alguns picos da península de Bukit exclusivamente para a filmagem e isso proporcionou altas imagens, sem falar que eles contrataram uns caras especializados da equipe do Surf Adventures para captar imagens de extrema qualidade em película. Outro show à parte foi o software que a Globo utilizou para trocar os rostos dos dublês com os dos atores. Foram feitas marcações nos rostos dos dublês para que depois fosse feita a substituição. Dessa maneira, entrávamos na água todos juntos e se a melhor da série fosse surfada por qualquer um de nós, tínhamos imagens 100% garantidas.
O que mais você fez em Bali, além de gravar as cenas com a Globo?
Além da gravação da novela, que movimentou Bali por duas semanas, pude aproveitar o que a Indonésia tem de melhor: a perfeição das ondas. Surfei os dois lados de Bali em dias muito bons e sem tanto crowd, porque ainda era o início da temporada. Fui a G-Land por uma semana e peguei um swell de Sul sólido, com um crowd que não passava de 10 pessoas espalhadas por Money Trees e Speedies. No maior dia, as ondas estavam de 2,5 a 3 metros plus, uma onda indonésia com poder havaiano. Depois me deparei com a esquerda mais perfeita do mundo, na minha opinião, que é Desert Point. Fiquei mais uma semana por lá e pude aproveitar para botar o backside em dia nos tubos de 2 a 2,5 metros mais mecânicos que já vi. A trip para a Indo é um sonho, o custo-benefício é ótimo, mas tem de estar preparado para passar longas horas no avião, dormir na selva e na favela. Perrengues que toda surf trip tem que ter.
E agora, quais são os teus planos?
Voltei ao Hawaii depois de três meses na Indo e agora as ondas ainda estão pequenas por aqui. Por enquanto, o cenário é o de treino para a temporada, com muita remada, surf de fish, longboard e idas para os outros lados da ilha. Pretendo estar de volta ao Brasil para a estréia da novela, agora em setembro. Além disso, vou aproveitar para curtir o Natal com família e amigos. Depois, o único plano certo é surfar até quando eu puder e até quando Deus permitir. Aloha!
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