Pororoca francesa

França selvagem

A carioca Ângela Bauer, 40, aproveitou sua passagem pela França após as disputas do campeonato mundial feminino de longboard, realizado no mês de julho em Biarritz, para conhecer melhor o país e aprender um pouco de francês.

 

Além de se aventurar pelo país, a carioca aproveitou para capturar imagens para o DVD e álbum de fotos que está produzindo em parceria com a fotógrafa Lorene Carpentier e surfar a pororoca francesa.

 

De quebra, ela colocou diversos modelos de pranchas de sua marca, Ângela Bauer Authentic

Longboarder, à venda numa escola de surf, cujo dono, Jean Luc, fala português.

 

No dia do meu aniversário o Jean Luc organizou um surfday com distribuição de autógrafos. O evento foi um sucesso e contou com a presença da equipe francesa da marca Reef. Além do norte-americano Rob Machado.

 

A escola fica na praia de Bidart, a dez minutos de Cote du Baque, praia que rolou o campeonato mundial. O lugar é irado com fundo de areia numa baía pequena e protegida do vento.

 

Nunca tive coragem de entrentar a pororoca brasileira, mas a francesa foi demais! Quando pensei que teria que encarar os grandes troncos da floresta amazônica que vem na correnteza, os peixes grandes e os possiveis jacarés e piranhas, desisti na hora.

 

Além de que se eu caísse antes do tempo, teria que esperar sozinha no meio do rio até me resgatarem.

 

Mas a pororoca francesa é alucinante! Lógico que o rio tava limpo, a água quente e não tinha os troncos grandes e as piranhas e jacarés como no Brasil.

 

Lorene Carpenter, fotógrafa que me convidou para a seção de fotos me garantiu que seria tranquilo e que tinha convidado também o Eduardo Bagé e a esposa Audrey.

 

Então lá fui eu dirigindo sozinha para San Pardon, a 200 quilômetros de Biarritz. O Bagé me havia passado as referencias para que eu não me perdesse no caminho. Chegando lá me impressionei com a quantidade de pessoas que vem assistir os surfistas.

 

Bom, não foi muito fácil logo de primeira. A onda passou por mim e eu não consegui entrar. Não entendi nada, pois tinha olhado para trás e visto mais ou menos um metro de espuma na minha direção, mas devido a uma bancada de areia ela encheu justamente onde a Audrey e eu estávamos.

 

Pra variar, Bagé deu show. Fez todo tipo de manobra e passou pela galera num hang five em grande estilo. O pessoal de uma emissora de TV local até veio entrevistá-lo. Com certeza ele foi a estrela do dia.

 

Clique aqui e confira mais fotos da pororoca francesa

 

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Eu não quis ir embora sem surfar a onda, então resolvi ficar. A cidade é muito pequena e muito aconchegante.

 

Os hotéis estavam todos lotados, então a fotografa me apresentou a galera local, que me convidaram para dormir lá e tentar surfar na próxima onda que viria por volta das 6:45 horas da manhã.

 

A onda vem mais ou menos de 12 em 12 horas e se chama Mascaret. À noite rolou um churrasco na praça e todos se interessam por saber coisas sobre o Brasil.

 

No dia

seguinte acordei as 5:30 horas da manhã para me arrumar com calma e encontrar a Lorene no píer.
 
Mais uma vez não consegui pegar a onda. Estava afobada para não perder a onda e me  posicionei  muito no bico e acabei capotando. Tive que remar tudo de volta.

 

Como a onda passaria de novo por volta das 19 horas, aproveitei o dia e fui dar um role em Bordeoux, que é uma cidade próxima, muito antiga e famosa pelos vinhos.

 

Quando voltei para San Pardon já estava o maior crowd. Mas até que enfim, consegui pegar a onda e surfei por oito minutos. Outras pessoas continuaram na onda e surfaram por 15 minutos.

 

Gostei tanto que resolvi ficar mais e pegar outra. A galera local é bem gente fina, e desta vez consegui ficar mais tempo na água. Até arrisquei umas manobrinhas e consegui fazer um cut back perfeito.

 

Foi mesmo uma grande aventura. Para voltar da onda, tinhamos que subir as margens do rio e afundar o pé na lama literalmente. Tava com lama até o joelho. Tinha horas que ficava meio incomodada por causa da lama.

 

Foi muito legal aprender também como funcionam as correntes no rio. A água estava morna e agradável, apesar da coloração marrom.

 

O visual da lua cheia às margens do rio e o churrasco com a galera fecharam o dia com chave de ouro. Conheci um cara que conhecia a Karina Abras e os amigos franceses dela, fiquei feliz do povo daqui gostar tanto de nós (brasileiros).

 

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