Há meses atrás, no último dia 14 de fevereiro foi entregue ao niteroiense Bruno Santos o prêmio da maior onda surfada no Brasil. Isso causou uma certa polêmica na cidade de Niterói entre os locais.
Muitos que acompanharam as performances de outros surfistas viram que ondas muito maiores que a de Bruno Santos foram surfadas, inclusive documentadas em vídeo e foto. Parabéns a Bruninho. Prêmio ganho é prêmio ganho e ninguém tira isso dele mais.
Ao voltar de Noronha, o carioca Evaristo Kiko Ferreira esteve em minha casa e disse que um dia antes do prêmio ouviu conversas dos atletas da Greenish (que também votam no prêmio), dizendo haver uma grande posibilidade dele ganhar e que na votação deles já estava na frente. O mesmo não acreditou quando ouviu o resultado favorecendo Bruno.
Kiko, como bom atleta e numa atitude louvável, se levantou, esperou cerca de meia hora até que as entrevistas com Bruno terminassem e foi em sua direção para dar-lhe um abraço e parabenizá-lo. Algo dentro de Kiko havia mudado, uma sensação de decepção muito grande tomou conta dele naquele momento, pois sabia que sua onda era maior e o que havia lhe prejudicado era apenas o ângulo da foto.
Mesmo assim acreditou que a filmagem seria o suficiente pra mostrar que surfou a onda com sucesso e que veio do outside, da curva do Costão, onde só quebram ondas acima de 4 metros.
Não, nada disso aconteceu e Evaristo ficou em segundo lugar. Nem sequer o chamaram para entregar o prêmio que outrora havia sido seu. A sensação de desânimo e decepção muito grande foi o que ele me disse que sentiu.
Evaristo é evangélico hoje em dia e agradeceu a Deus mesmo por aquela derrota, pois sabia que havia um propósito espiritual em tudo aquilo mas mesmo assim foi duro.
De acordo com a comissão julgadora, as ondas eram muito parecidas e talvez até de igual tamanho e por isso a decisão muito difícil, mas como relatei antes, a foto da onda de Kiko não representava nitidamente a realidade e sim a filmagem, mas pelo que vimos não deram valor à filmagem deixada por Kiko nas mãos dos juízes.
O critério de julgamento do prêmio diz que são avaliados os seguintes fatores: tamanho da onda, altura do surfista, tamanho da prancha, relatos da mídia sobre os swells, previsões meteorológicas sobre os swells e ainda havia o critério subjetivo de performance na onda.
Ainda que Evaristo houvesse empatado em um dos mais importantes fatores do julgamento, que é o tamanho da onda, ganharia nos outros. Sua prancha era uma 8´6″ e sua altura é 1,76 metros.
A mídia não parou de falar dele durante todo o ano, sobre sua persistência e obstinação para alcançar a meta. Kiko dedicou sua vida em 2007 a este prêmio, saindo muitas vezes de Florianópolis, onde morava, para vir até o Rio surfar esses swells que por sinal eram muito maiores do que o swell surfado por Bruno.
Não que Bruninho não surfe ondas grandes, mas em função de ser um surfista profissional que corre as etapas do WQS, muitas vezes não pôde estar presente em todos os swells que Kiko estava.
E por final, os sites de meteorologia atribuiram àquele mar que Kiko surfou uma estimativa de 3,8 metros com período de 14,5 segundos (no primeiro) e no outro que Kiko também pegou uma bomba, a previsão era de 4,2 metros com período de 15,8 segundos.
Analisando o q diz o critério de julgamento, no caso de empate entre as duas ondas, Kiko ganharia com grande margem de pontos, mas não foi o que aconteceu e por isso, depois de refletir muito, estou enviando esta matéria completa com vários dados para que o internauta possa avaliar o todo dessa questão e opinar com justiça sobre este triste incidente no nosso esporte.
Kiko não ganhou, mas poderia sim ter ganho, pois cumpriu todos os quesistos do critério de avaliação do prêmio.
Volto a repetir, Bruno e Kiko não têm culpa de nada aqui, são dois guerreiros do esporte, mas os idealizadores deste prêmio, deveriam rever seus regulamentos e a forma pela qual tudo está sendo feito desde o evento, além da cerimônia de entrega de prêmios.
Gostaria de parabenizar o empresário Petrônio Tavares e toda sua equipe pelo projeto do prêmio, mas também deixo minha crítica construtiva para que pequenas falhas como essa jamais voltem a se repetir, pois muitas vezes isso pode acabar com a carreira de um atleta vencedor e guerreiro, ou então mudem o regulamento.
O pedido de muitos que indiretamente assinam esta matéria comigo, locais de Itacoatiara, como Erick Magalhães, Marcílio Bequinho, Rafael Cury, o fotógrafo André Cyriaco e outros, além de Evaristo Ferreira, é que sejam usados todos os critérios de avaliação expostos no regulamento do prêmio com justiça e imparcialidade, só isso.
Me lembro bem de quando conversei com Kiko em minha casa depois de seu retorno. Esse era seu maior desejo, que não brincassem com o regulamento ou mesmo tomassem decisões políticas e comerciais que indiretamente pudessem ser mais lucrativas pra marca.
A vida de um atleta sempre está em jogo nessas decisões, principalmente seu coração. Espero não ter ofendido ninguém com esta matéria e de alguma forma ter ajudado e colaborado para melhoria desse evento tão bacana que fez reviver nos big riders brasileiros aquele sonho de viver exclusivamente do esporte.

