Quando não há favorito

Quando não há favorito

Podemos dizer que no calendário do WCT em 2013 a etapa brasileira seria a que tem mais probabilidades de uma vitória surpreendente. E o motivo é a incerteza das condições do mar, além da possível troca de picos entre Arpoador e Postinho, duas ondas completamente distintas.

Caras como Taylor Knox, Kalani Robb, Trent Munro e porque não Peterson Rosa nem de longe eram considerados candidatos ao título do evento realizado no Rio, mas acabaram beliscando o caneco nas águas cariocas.

A peculiaridade e inconstância de nossas ondas por causa das variáveis de vento, maré e fundo de areia fazem com que muitas vezes cada bateria seja surfada com condições distintas.

Pensando dessa forma, daria pra dizer que os brasileiros teriam vantagem pela familiaridade com nossas ondas, mas não é o que se vê, ao menos na estatística. No Rio, desde 1989, junto com a já citada vitória de Peterson em 1998, apenas Flávio Padaratz, em 91, e Adriano de Souza, em 2011, conseguiram vencer na Cidade Maravilhosa. E somente o australiano Dave Macaulay, um conhecido goofy excelente nas marolas, venceu duas vezes. Fora ele, nunca outro Top repetiu a dose no Rio.

Dessa forma, creio que a melhor maneira de fazer suas apostas no FLUIR Game é checar até o último momento as previsões para o Arpex e Postinho e tentar escolher surfistas de acordo com o que deve rolar. Óbvio que Slater, Parko e Fanning surfam bem em qualquer onda, mas não são poucas vezes que acabam derrotados por não saberem surfar ou escolher da forma correta as ondas que existem em determinado momento do evento.

No Arpoador, as esquerdas de linha, fortes e rápidas, precisam de cavadas longas e ataque ao lip. Porém, pegar a onda certa vai da sorte ao conhecimento e nisso não há vantagem para ninguém, pois nenhum Top 34 conhece a onda a fundo. Já no Postinho, com um bom swell de sul, picos quadrados dão as caras tornando o drop o principal motivo de conseguir um bom tubo ou uma vaca horrenda. E este tipo de onda é mais comum para os atletas do WCT.

Penso que no Arpoador Gabriel Medina seria o cara a ser batido. Seu surf de frontside é primoroso e os aéreos insanos para finalizar no quebra coco do pico certamente fariam enorme diferença. Se rolar o Postinho, bom ou ruim, creio que a gringalhada iguala a vantagem que os brasileiros teriam de estar num beach break. Poderosa, não foi à toa que ano passado John John Florence, Parko e Josh Kerr foram os melhores, pois entubam muito. Além disso, Kelly Slater seria uma figura a ser batida, pois notadamente, ainda mais com a ausência de Florence, ele é o melhor tube rider da trupe.

Como geralmente um swell no Rio de Janeiro não fica grande por mais de dois dias, diria que o evento tem enormes chances de ter algum dia com ondas médias e aí Filipe Toledo, principalmente no Postinho, pode definir vitórias com seus aéreos altíssimos para qualquer lado.

Adriano de Souza terá uma tarefa dura e acho que prefere que o evento role no Postinho. Sinto que ele gostaria que o campeonato voltasse para as areias do Meio da Barra, aliás, ele e todos os brazucas. Alejo Muniz e, principalmente, Raoni Monteiro, também devem estar querendo que uma frente fria sólida chegue do sul fazendo a laje do Postinho sorrir. Miguel Pupo, outro excelente goofy, vai torcer pelo Arpex.

Assim como pouca gente apostou em Florence ano passado, tá arriscado a uma zebra faturar de novo. Um brasileiro talvez? Ou Travis Logie? Na dúvida, marque os bicho papões, mas deixe um espaço para o imponderável. Quem sabe você não fatura a etapa do Game com um franco atirador!

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