#A segunda etapa do WQS terminou em ondas muito pequenas e teve a vitória de um surfista francês, pela primeira vez na história do Circuito Mundial de Surf Profissional. Já se tornando uma tradição na segunda divisão do Circuito Mundial, o Reef Brazil Classic 2001 aconteceu na praia da Joaquina, entre 25 e 28 de janeiro.
O francês Mikael Picon venceu a final contra um português e dois brasileiros, Joca Junior (segundo colocado) e Guilherme Herdy (terceiro colocado). Na categoria Feminina a vencedora foi Andréa Lopes na frente de um público imenso, curtindo o dia ensolarado e acompanhando o campeonato. Houve ainda o tradicional concurso de Miss Reef Brazil, com um desfile de gatinhas entre 16 e 22 anos, vestindo pequenos biquínis brancos
Guilherme Herdy garantiu a liderança na final, com duas notas boas bem no início da bateria (5,5 e 6,67 pontos). Parecia que o jogo estava ganho, ainda mais com outro brasileiro e dois surfistas vindos de países europeus, Tiago Pires (Portugal) e Mikael Picon (França), num campeonato em pleno verão brasileiro.
Foi aí que o grande vilão da história entrou em ação e, assim como fizera inúmeras vítimas durante o evento, também liquidou com qualquer reação dos dois indefesos surfistas brasileiros. Era o flat. Cada vez mais prolongado, o intervalo entre as séries tornava cada bateria mais um jogo de nervos entre os competidores.
Eles saíam da prancha e esperavam as ondas em pé, no raso banco de areia, quase misturados com a multidão, um verdadeiro cinturão humano que rodeava a área de competição.
#Herdy não encontrou mais as mesmas ondas do início. “Qualquer um podia vencer a bateria naquelas condições, o nível de surf era muito alto”, disse o surfista de Niterói, residente em Florianópolis.
Joca Junior estava posicionado à esquerda da pedra Careca e ficou um tempão pra pegar sua primeira onda. Enquanto o locutor comentava notas e performances dos adversários, Joca chegou ao primeiro lugar com duas ondas razoáveis, mas logo caiu na vice-liderança, quando Mikael Picon encontrou duas outras melhores. O português Tiago Pires também ameaçou entrar na briga, mas com apenas uma boa nota ficou muito difícil.
“O francês pegou aquelas duas ondas seguidas e ficou me marcando”, disse Joca Junior. Picon arrancou um 6,60 e um 5,83 dos juizes e totalizou 17,66 pontos, contra os 16,63 de Joca Junior, os 15,40 de Herdy e os 14,40 pontos de Tiago Pires. Foi a primeira vitória de um surfista francês no Circuito Mundial de Surf Profissional.
#Mikael Picon revelou que ele já esteve cinco vezes no Brasil e sua primeira vitória ter acontecido aqui teve sabor especial, pois ele declarou que adora este país. “Moro em Capbreton, Hossegor, e sempre treino em ondas pequenas ou médias”, disse Picon, que ficou em terceiro lugar na etapa de abertura do Circuito WQS, ocorrida uma semana antes na Argentina. O novo número 1 do WQS 2001 ganhou US$ 6 mil como prêmio pela vitória.
Outros nomes que fizeram um bom trabalho foram o baiano Flávio Costa e o paulista Odirley Coutinho. Surfando de backside nas esquerdas, Costa veio desde o primeiro round e parou nas quartas-de-final. Odirley Coutinho passou quatro fases em primeiro lugar, foi até a semifinal, perdendo pra Joca Junior e Mikael Picon.
O flat surpreendeu também a atleta do WCT Jacqueline Silva (SC) que terminou em segundo lugar na categoria Feminina do primeiro evento do Abrasp Super Surf, com Suelen Naraisa (SP) em terceiro e Taís de Almeida (RJ) em quarto.
Depois de conseguir boas notas, Andréa Lopes ficou na marcação de Jacqueline, inibindo qualquer reação da competidora nascida em Floripa. “Não gosto dessa marcação, mas eu também marcaria Andréa, se estivesse na situação dela”, afirmou a vice-campeã.
#Taís e Suelen começaram bem, tentando pegar várias ondas logo no início. Mais experientes, Jacque e Andréa eram mais seletivas na escolha das ondas e suas manobras eram visivelmente mais potentes e precisas.
As poucas ondas fechavam rápido. Taís de Almeida teve dificuldade em pegar ondas abrindo. Ambas as atletas foram elogiadas pela vice-campeã do evento, Jacqueline Silva. “São duas meninas novas e já estão dando trabalho, se tiverem uma cabeça legal, elas vão longe”, disse Jacque.
Tanto a bateria masculina quanto a feminina foram encerradas sem que os atletas tivessem ondas para tentar uma virada no resultado. O flat imperou e ficava pior a cada hora. Esta etapa começou com meio metrão em séries constantes na quinta-feira, e acabou com raras ondas de meio metrinho. Para o competidor Rodrigo Lima, do Paraná, o melhor dia de ondas foi sexta-feira.