Felipe estréia em Jaws

Aos 21 anos, surfista profissional Felipe Martins encara swell cabuloso em Jaws, Maui, Hawaii. Foto: Eduardo Cassol.

Em meio aos experientes big riders brazucas que encararam Jaws nos últimos dias 23 e 24 de janeiro, estava o jovem Felipe Martins, de apenas 21 anos.

 

Um swell com ondas de 30 a 40 pés de face marcou a estréia do cearense num dos picos mais cabulosos do planeta.

 

Felipe, que estava hospedado na casa do big rider baiano Yuri Soledade, confessa ter ficado totalmente “adrenalizado” na ilha de Maui.

 

“Quando cheguei na casa do Yuri, fiquei vendo as fotos dele na parede e ficava só imaginando: ‘caramba, quero uma foto dessas, deve ser muito animal surfar essa onda, um sonho mesmo’. Foi uma vibe que eu nunca havia sentido na vida. Não sabia se desistia, mas tinha muita vontade de surfar aquela onda”, comenta Felipe.

 

Novo integrante do SuperSurf, o cearense conta que a sensação foi tão boa que ele até demorou pra cair na real. “Vi as imagens e fiquei amarradão. A sensação é indescrítivel, é uma adrenalina tão grande que você perde a noção do tamanho e do perigo. Só entreguei nas mãos de Deus e do Romeu (Bruno), que escolheu a onda e me puxou”, continua.

 

O cearense chegou a Maui na companhia dos amigos Duca e André, que estão gravando imagens para um filme de surf. Chegando lá, foram muito bem acolhidos por Yuri Soledade, que levou a galera pra conhecer vários picos de de surf.

 

Antes do swell bombar em Jaws, Felipe teve a oportunidade de fazer um treino num pico de Maui junto com Rodrigo “Coxinha” e Yuri. “No mesmo dia, só que à tarde, fomos para Jaws, mas não pude surfar junto com a galera. Fiquei só olhando de cima do penhasco, afim de surfar, mas vendo que era sinistro”, diz.

 

O cearense revela que até pensou na possibilidade de morrer em Jaws, mas teve coragem para encarar o desafio. “Falei pra mim que ninguém nunca havia morrido lá e eu não seria o primeiro. Se os caras me puxassem eu iria e teria coragem de botar pra baixo”, comenta.

 

“Parece que o Yuri leu meu pensamento e falou que ia me levar no dia seguinte. Ele perguntou ‘quer ir, Felipe? Eu te boto no canal e te puxo quando eu cansar’. Não sei o que rolou e ele teve de ir embora, mas o Romeu ficou e disse ‘aí, Felipe, se prepara que vou te puxar’. Deu o maior frio na barriga, mas falei ‘vou dropar, nem que eu venha me embolando lá de cima’ (risos)”, relembra o cearense.

 

Romeu Bruno deu vários toques a Felipe e tranqüilizou o cearense. “Com Yuri, Romeu e Coxinha, a escola não poderia ter sido melhor. Os caras são muito casca grossa”, diz Felipe.

 

“Acho que não estava tão preparado para levar uma vaca sinistra e não tinha muita noção do real perigo que Jaws representa, mas estava bem fisicamente e mentalmente. Não parava de pensar como seria se eu pegasse uma onda e levasse uma vaca. Fiquei mentalizando, vendo como os caras fazem e analisando todos os detalhes pra não vacilar na hora de dropar. Mesmo assim dei uns vacilos, mas a galera ia me corrigindo”, conclui o cearense.

 

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