Por trás das notas

Falta favoritismo no SuperSurf

#Depois da terceira etapa do SuperSurf 2002, no último final de semana (06 e 07/07) em Ubatuba (SP), temos o ranking embolado e muito equilibrado, não só nos pontos, mas também em nível técnico.

Este circuito, o mais forte e com maior premiação do mundo, reflete o atual nível do surf brasileiro, mas mostra também que nossos surfistas estão no mesmo patamar técnico, ou seja, todos estão surfando bem e qualquer um pode ganhar uma etapa ? e não temos nenhum nome que se sobressaia perante os demais.

Além disso, o fato de o circuito desviar o foco de uma carreira internacional também limita nossos horizontes, pois o intercâmbio proveniente do WQS incentiva nossos surfistas a evoluir e a se superar, principalmente ao enfrentarem as novas revelações estrangeiras.

A falta de triagens não deixa os novos valores desafiarem os profissionais de ponta. Com isso, o nível técnico fica previsível e as manobras também… Algo me diz que alguma coisa está faltando para que este circuito seja duradouro e dê retorno para seus patrocinadores.

#Já o circuito Super Trials, que funciona como divisão de acesso (similar ao WQS), está muito caro para pouco retorno e várias etapas estão sendo canceladas, o que prejudica a renovação para o ano que vem.

Nesta última etapa não conseguimos espaço na mídia e passamos em branco nos principais jornais do eixo Rio/São Paulo. Alguns podem dizer que é por causa da ausência dos Top da ASP, outros dirão que faltaram ondas perfeitas.

Ainda podemos achar que, se houvesse um pacote que incluísse anúncios, teríamos mais espaço. Talvez com todas estas ações juntas. É muito importante fazermos um esforço para manter este circuito, e uma pressão mais forte em nível editorial e de assessoria de imprensa também podem ajudar.

A diferença entre o primeiro e o décimo colocado no ranking é de menos de 200 pontos, e não há diferença de nível técnico. Acho que está faltando um surfista que ganhe tudo, um Schumacher do surf brasileiro, uma estrela que seja copiada, que seja um ídolo e que atraia os espectadores para assistir um campeonato de surf.

#Quando o norte-americano Kelly Slater ganhava tudo alguns achavam sem graça, mas é justamente isso que atrai a mídia, o craque, o surfista invencível, os recordes. Só quando tivermos os fenômenos brasileiros no SuperSurf teremos atrativos. Por enquanto, qualquer um pode vencer.

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Mais de cinquenta anos de câmera na mão: do Píer de Ipanema a Pipeline com Gerry Lopez, de Bob Marley no Havaí aos Rolling Stones no Maracanã. Fernando “Fedoca” Lima viveu e fotografou tudo isso. Agora reúne tudo em um livro.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)