Tio Gouveia

Fabinho brinca no playground

Fábio Gouveia e a filha Ilana no North Shore de Oahu, Hawaii. Foto: Arquivo pessoal Fábio Gouveia.

O paraibano Fábio Gouveia acaba de voltar de mais uma temporada havaiana. Acompanhado pela molecada, Fabinho curtiu sua tradicional temporada de dois meses em Oahu e pegou boas ondas em picos como Sunset, Velzyland, Haleiwa, Laniakea e Rocky Point.

 

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Correspondente do Waves no Hawaii, Bruno Lemos abordou o maior surfista brasileiro de todos os tempos um dia antes de retornar ao Brasil com os filhos Ian, Ilana e Igor Gouveia.

 

Quantos dias você passou aqui no North Shore desta vez e o que achou da temporada?
 
Como de costume, passei dois meses aqui. Costumo dizer que não tem temporada ruim, pois sempre dá pra pegar bastante onda no período de dois meses. Vim no começo de novembro e surfei bastante em Laniakea, Velzyland e Haleiwa.

Gouveia bota pra baixo em Pipeline. Foto: Bruno Lemos / Lemosimages.com.

No fim de novembro e começo de dezembro rolaram uns kona winds e muita gente não se dava o trabalho de checar Haleiwa. Foi lá que pegamos talvez os melhores mares desta nossa temporada, mesmo em condição não tão propícia. Pegamos um mar de 8 a 12 pés com séries até maiores, com apenas quatro cabeças na água.
 
Você estava sempre acompanhado pela família e agregados. Quem fazia parte dessa equipe e como era o dia-a-dia de vocês?
 
Ano passado vim com quatro moleques a mais e com meus três filhos, então foi um total de sete pessoas. A barca era uma loucura, e este ano diminuí para apenas dois garotos a mais. É muita função em todos os aspectos, porém alguns momentos são muito legais, como ver a evolução dos moleques.

 

Este ano, o Cauê Wood ficou conosco no primeiro mês e foi com ele que peguei o Haleiwa bonzão e grandão. Ele mostrou disposição ao entrar naquele mar. Depois, um amigo de meu filho mais velho chegou e o Cauê teve de ir pra outra casa, como já estava combinado, pois o Sidinho Guimarâes ficou conosco o tempo inteiro.
 
Qual foi o melhor mar ou o melhor momento de vocês aqui no North Shore?
 
Acho que os melhores mares foram Lanis, V-land, Rocky Point e Haleiwa. Em cada pico desses pegamos altas ondas, cada dia um pegava a sua do dia. Foram bons tubos, muitos drops atrasados, altos bottoms, etc.
 
E o pior?

Cara, o pior acho que foi um Ehukai Beach que acabei nem caindo, e um V-land pequeno que estava um crowd da gota serena. Ali já é crowd, pequeno então nem se fala…

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Fabinho à vontade em Sunset Beach. Foto: Bruno Lemos / Lemosimages.com.

É verdade que você estava caindo em Sunset com mais de 10 pés, usando apenas uma 6’4? Que prancha é essa e como ela estava funcionando?
 
É verdade e fiquei amarradão por a prancha ter funcionado. Tinha desenvolvido essa prancha com o shaper Gregório Mota a partir de uma fish 5’6 e uma maroleira 5 ‘8 que havia feito no Brasil, ambas twin fin, daquelas retrô com a base largona e posicionadas bem lá na extremidade da rabeta. Havíamos colocado cinco sets de plugs FCS para vários testes, mas não passei das twins. Ficaram muito legais e seguras, a ponto de não precisar colocar nenhum estabilizador.

 

Essa 6’4 tinha flutuação e largura de uma Waimea Gun, com 19 e cacetada de meio e três e não sei quanto de espessura. Logo tinha bastante remada e disputei ondas com os caras que estavam com pranchas 9, 10 pés.

Molecada é só alegria em Oahu. Foto: Arquivo pessoal Fábio Gouveia.

 

Mas claro que entrava um pouco mais atrasado do que esses caras com esses barcos, mas com certeza os arcos que eu estava fazendo eram bem mais curtos. Dropei umas de 10 pés bem confortável e manobrando bem. Vou investir nesse modelo nas próximas temporadas, mas é uma prancha mais específica para ondas tipo as de Sunset, e apenas surfei para a direita. Não sei se de backside vai funcionar tão bem, já que ela flutua bastante.
 
Houve algum surfista nesta temporada que te impressionou?
 
O Heitor Alves surpreendeu em Haleiwa e o Leo Neves em Sunset. De repente ele até poderia ter vencido aquele evento, pois acho que surfou melhor que o campeão da prova no geral. Ele encaixou perfeito naqueles mares. O Trekinho também esteve surfando muito com uma 5’9 de quatro quilhas, inclusive caindo em um Pimbals de uns 10 pés.

 

Outro cara que impressionou foi um soul surfer sul-africano chamado Andrew. Esse cara tem um sorriso fácil e só pega as bombas atrás dos picos de Sunset e Waimea. Vi uns caras mandando bem em Backdoor, mas acho que atirado mesmo estava o Garret McNamara em Waimea. O maluco chegou a colocar de backside em uma esquerda e deu um jump pra dentro do tubo, parecia que queria se suicidar. E por falar em Waimea, vale ressaltar as ondas que o Danilo Couto e a Maya Gabeira pegaram nos mares que deram até o momento.


Muita gente tem comentado que o teu filho Ian está surfando bem e pode ter um bom futuro como surfista. Você, como pai, gostaria de ver o filho ser um surfista profissional em vez de ter outra profissão?
 
 
O Ian está realmente focado em ser um surfista profissional e seguir carreira. Fico muito amarradão por isso, pois posso passar minha experiência de vida e ele pode tirar proveito de muitas coisas. Ele vem ao Hawaii desde pequeno, mas só nos últimos dois anos foi pra valer e ele está indo bem, dentro da evolução normal do esporte. Sempre prego a ele não colocar pressão em nada, ir apenas seguindo os degraus naturalmente e curtindo muito o surf, o que é mais importante. Dou as dicas, mas ele segue o caminho dele. Aos poucos vai se soltando em mares maiores, mas já tem uma base de tubos e manobras aéreas muito apurada.
 
E na tua carreira, o que podemos esperar do futuro de Fabinho? 
 
Estou no momento da transição de diminuir as competições, mas quando vejo imagens de uma boa session, me empolgo e sei que ainda posso vencer eventos. Então, vou deixar rolar, mas com certeza vou fazer boas viagens para pegar ondas que ainda não conheço e testar variados tipos de equipamentos, fazer várias experiências, inclusive voltar a shapear umas pranchas, coisa que adoro e só parei por causa de tempo.
 
Agora, aquela velha e tradicional. Deixe um recado para quem ler esta entrevista.
 
A vida é longa, mas passa rápido. Então, aproveitem as oportunidades e curtam cada momento, pois vale muito a pena. Aloha e feliz 2008 a todos.

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