
Congresso? alguém viu?
Voltando de Rio das Ostras, refleti no carro sobre tudo o que aconteceu por lá. Cheguei apenas no sábado, para lançar a preview do vídeo Ideologia Q!
Ao chegar na praia, nos deparamos com uma belíssima estrutura montada para o evento, área coberta para atletas, espaço reservado para imprensa, ótimas instalações para os juízes, arquibancada para o público, excelente sistema de som, nota 10…
A organização realmente está de parabéns. A única coisa que faltou foi o principal: as ondas.
Tudo bem, podemos justificar que infelizmente naquela ocasião a natureza não ajudou. Mas espera aí, o evento não pode ser adiado? Os patrocinadores não querem, deixa rolar…
o campeonato pode acontecer de qualquer jeito, mesmo se não tiver ondas. Qual o problema? Os atletas reclamam, mas sempre estão dentro d’água. Quem se importa?
É uma vergonha! No sábado e domingo não havia a menor condição de alguém, por melhor que fosse, mostrar um pouquinho de bodyboard.

Aquilo não era o meu esporte… sendo maltratado com manobras ridículas. Não por culpa dos atletas, afinal, eles foram submetidos a isso. Fiquei surpreso em ver, que alguns dos competidores de ponta do Brasil, estavam no Rio, e não competiram na etapa do Brasileiro. E a maior reclamação era o valor alto da inscrição. Mais uma vergonha, que os atletas não fazem nada!!
Paga-se caro, caríssimo, e ganha-se muito pouco. A inscrição custava cerca de R$ 80 por campeonato. Mais uma filiação de R$ 90. Onde está esse dinheiro?
Afinal, neste evento notou-se uma média de 60 atletas profissionais. É muito dinheiro… Será que os patrocinadores não investem grana?
Tudo bem de novo, afinal falaram que haveria um debate, entre mídia, atletas e dirigentes. Vamos ver no que vai dar…
Estava marcado para as 19 horas. Cheguei lá às 19:10 e vi cenas lamentáveis. Na verdade, não era um congresso, mas sim uma “babação de ovo”, uma rasgação de seda.

Me desculpem os termos, mas eles refletem minha indignação. Vi o presidente da Confederação Brasileira falar que a etapa era a melhor do circuito, com a melhor premiação.
Como ele pode falar em premiação? Ele deveria ter vergonha, afinal se esta é a melhor etapa do circuito, isso mostra que não vamos bem das pernas. Pois em nosso “primo-rico”, o surf, a pior premiação do Super Trials (segunda divisão do Circuito Brasileiro), é superior a nossa premiação da melhor etapa. Isso é justo?
Tudo bem, ele pode não ter como arrecadar verba, mas falar assim, na frente dos secretários da cidade, que aquela era a melhor premiação do circuito?!!
Desse jeito eles nunca vão querer aumentá-la, correto? Eles já têm a melhor premiação do circuito. Para quê dar mais dinheiro?
Com esses elogios, nosso ilustre presidente da Confederação deixou bem claro o seguinte: Vocês políticos estão pagando mais do que o justo como premiação do evento. Muito obrigado, estamos muito felizes!
Fala Sério!!

Depois disso começou a distribuição de placas, homenagens, “blá blá blá”, muito “blá blá blá”. E os atletas “representantes” presentes no evento falaram como ótimos amigos, passando uma imagem de satisfação total. Fala sério!!
Mais uma vez falo, sem medo dos famosos cartões vermelhos. Não é certo, continua tudo errado. Os atletas evoluem nas manobras, arrebentam no free surf; juízes se esforçam para melhorar e se atualizarem; e nossos dirigentes continuam na mesma, com a mesma ladainha.
Até ouvi ele falar que não havia vendido nenhum dos adesivos “Eu apoio o bodyboarding”, que ele mesmo criou para arrecadar mais fundos para entidade.
Com esse fato, fica ainda mais claro, a falta de credibilidade da entidade entre os atletas, que há anos não vêem melhoria nenhuma na CBRASB.
Não existe um site próprio da principal entidade do esporte. E se a imprensa quiser saber o histórico da CBRASB? Vai procurar onde?
No site da Associação de Copacabana?
Sem desmerecê-la, é um site belíssimo. Parabéns a seus representantes! Mas a história é a seguinte: como um site da maior entidade do esporte no Brasil, que administra as federações que por sua vez administram as associações, está dentro do site de uma associação?
É o mesmo que um pai ter um currículo dentro do caderno de seu filho, e apresentá-lo a todas as empresas.

Hoje em dia, uma das coisas básicas que cada empresa faz é ter seu próprio site na internet. Afinal, é muito fácil e barato.
Barato sim, por pior situação que a CBRASB esteja, ela pode muito bem contratar um estagiário para fazer o site e pagá-lo R$ 200 por mês. Acredito que tem muito universitário querendo mostrar seu trabalho. O que são R$ 200 reais?
Um pouco menos que a inscrição de três atletas!
Ou melhor ainda, pode-se fazer parcerias com faculdades e promover concursos entre universitários, para que os alunos das áreas de Marketing e Desenho Industrial criem peças publicitárias e websites. Façam apenas interessados no status do prêmio e divulgação do trabalho… É difícil? É caro?
Fui até Rio das Ostras, no dia do meu aniversário, achando que pudesse encontrar uma luz no fim do túnel no que diz respeito à CBRASB.
Realmente, comprovei que por enquanto não existe! A consequência disso são atletas desestimulados, que estão cansados de se exporem ao constragimento de surfar marolas, pagar caro, e ver os dirigentes “cagando na cabeça” de todos. Essa é a real e cada vez mais nosso maiores talentos estão se apagando.
Hoje, somos os melhores do mundo dentro d’água e só temos três representantes no Circuito Mundial. A culpada é a crise?
Claro que não! Pois nosso famoso “primo-rico” nunca foi campeão mundial e tem diversos representantes na primeira e segunda divisão do Circuito Mundial. Isso se chama organização e competência.
No Rio de Janeiro, graças a Deus, nosso dirigente conseguiu fazer o que a CBRASB não fez em anos: programa na TV, inscrições baratas (praticamente simbólicas para os tops), campeonatos móveis para valorizar o mar e os atletas.
Pelo que vejo, parabéns a FEBBERJ. Acho que estão no caminho certo, estão quase lá, ainda faltam alguns ajustes…
O que falta nesta Confederação é competência e vontade de inovar. Um evento de bodyboard tem que ser um show, como nosso esporte.
Eu sugiro o seguinte:
Criação da primeira e segunda divisão do circuito:
Primeira divisão:
Poderia ser até uma etapa por ano. Mas, que fosse em um local digno do esporte, com janela, estrutura e premiação digna.
Segunda divisão:
Rolaria em qualquer pico, com objetivo de divulgar o esporte.
Uma locução mais atrativa:
As pessoas que não conhecem o esporte são atraídas pelo som, pela estrutura e movimentação do público. Quando chego em um evento, vejo uma locução fria, que fala apenas sobre resultados etc. E quem não conhece o esporte?
Por quê na locução não temos comentaristas, como ex-profissionais que explicassem as manobras, explicassem quem é o atleta que está ganhando, fizesse entrevistas.
E nos e nos eventos onde o mar não estiver colaborando, caso de Rio das Ostras, uma boa locução seria fundamental. Na MTV temos o programa Rock Gol, onde artistas pernas-de-pau se enfrentam em partidas de futebol.
Quem assiste um programa desse? É justamente por esse motivo que no programa a locução é divertida, engraçada, que agrada a todos e faz você querer conferir o programa.
Imagine, no meio do evento, o locutor anunciar que vai pagar determinada quantia para o atleta que voar mais alto. Isso não é empolgante?
São certas inovações baratas que fazem a grande diferença. Basta um pouco de vontade de inovar e um pouco de competência. O bodyboard está nesta mesmisse, neste declínio a muito tempo.
A vantagem disso tudo é que mais atletas estão se indignando e começando a investir em vídeos, como eu fiz com meu sócio. Outros também estão fazendo. Em Rio das Ostras tive a felicidade de assistir ao “Hein? É assim que nois veve”, do pessoal do Ceará; o “Elitebb”, da galera da Bahia, e o “Revolt”, de São Paulo. Parabéns a todos! Atitudes como essa só enriquecem o esporte.
O recado está dado!!