Evolução ou revolução?

Marcos Sifu ensina como executar um kerrupt flip. Foto: Daniel Smorigo / Freesurfer.com.br.

Recentemente assisti a uma leva de novos filmes de surf, como Freakside, Passion Pop, First Chapter, entre outros.

 

Duas coisas me chamaram a atenção. A primeira foi o incrível nível de evolução das manobras aéreas. Fiquei perplexo com as variações e a altura dos tricks.

Num primeiro momento, ao ver toda essa evolução escancarada na tela da Tv, me senti ultrapassado.

Não existe mais cutback! Aliás, existir até existe, mas ele serve somente de trampolim para o que virá depois: um big fuck aerial!

Jamie O´Brien desafia as leis da gravidade no Backdoor. Foto: ASP World Tour.com / Tostee.

Se você, internauta, tem mais de 20 anos de idade e não sabe, ou pior, não executa manobras como fake air, alley-oops ou kerrupt flip, tenha certeza: você já era!

E não adianta ficar nervoso. A culpa não é minha nem sua, caro internauta, e sim daquele galego do Jamie O’Brien, do nanico do Josh Kerr, do barrigudinho do Ry Craike e por aí vai.

A segunda coisa que me chamou a atenção, e isso sim me deixou muito feliz, foi a trilha sonora dos filmes. Eles estão cada vez mais ecléticos! Rock, hip hop, eletrônico e até jazz!

Isso é bom, pois acaba de vez com esse rótulo de ?surf music?. Mas, o que é surf music? Uns vão dizer que são aquelas bandas australianas dos anos 80, como Gang Gajang e Midnight Oil.

 

Outros vão dizer que surf music são aquelas bandas punk / hardcore californianas dos filmes do Taylor Steele (Momentum, Focus, Good Times) como Pennywise e Offspring.

 

E ainda tem os ?moderninhos?, que vão bater o pé e dizer que a verdadeira surf music é aquela combinação estilinho largado + letrinhas light + violão de Jack, Donavon e Harper. Tudo não passa de BULLSHIT! E isso fica claro nos filmes de hoje.

É bom ver que assim como as manobras, as trilhas também evoluíram e hoje você pode se deparar com o rock esquizofrênico do The Mars Volta (antigo At The Drive In), a mistura de hip hop com jazz de bandas como Ozomatli e Atmosphere, o dub hipnótico from New Zealand do Salmonella Dub ou ainda o caldeirão étnico de sons do Thievery Corporation – isso para citar os mais conhecidos, pois a lista é extensa.

Depois do “The End”, minha cabeça fervilhava pensando no contraste do passado, o choque do presente e as dúvidas do futuro. E, a resposta para o título, pode-se dizer que se trata de uma evolução que revolucionou! Boas ondas para todos!       

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