Ondas artificiais

Evento discute tecnologias

Futuro dos parques de ondas artificiais é discutido no Surf Park Summit. Foto: Shawn Parkin.

Fernando Aguerre, presidente da ISA, participa do evento por meio de vídeo conferência. Foto: Shawn Parkin.

O Surf Park Summit, evento que visa discutir formas de acelerar o desenvolvimento de piscinas de ondas e do surf sustentável, foi realizado no último dia 13 de setembro em Laguna Beach, Califórnia (EUA).

 

O argumento apresentado por Scott Bass, orador do seminário, e apoiado por Glenn Henning e Fernando Aguerre, que participaram por vídeo do seminário, é que a criação de parques de ondas artificiais traria mais felicidade para o mundo. A lógica por trás dessa afirmação é de que surfistas estão sempre “amarradões”, então, mais pessoas surfando resultaria em mais pessoas felizes.

 

Um participante afirmou que levar o surf para pessoas que estão longe do oceano seria dar continuidade ao legado de Duke Kahanamoku. Outra ideia apresentada foi a criação de uma réplica do pico de Lefts and Rights, em Hollister Ranch, Califórnia (EUA).

 

Dan Harmon trouxe para a conferência toda a experiência adquirida na criação, construção e operação do Wadi Adventures, um parque aquático de mais de 85 milhões de dólares localizado nos Emirados Árabes que conta com uma piscina capaz de gerar ondas de 1 metro em média.

 

Ele apresentou dois modelos diferentes de parques: piscinas de ondas dentro de complexos de entretenimento, como a Disney, e piscinas em centros de treinamentos esportivos e academias. Um dos problemas encontrados na execução desses projetos é a necessidade de grandes bombas hidráulicas, que são imprescindíveis em piscinas construídas na forma de tanques. 

 

Uma possível alternativa exibida pelo criador do sistema Flow Rider Tom Lochtefeld seria uma “máquina de ondas” que utiliza hélices para mover a água. Mas, assim como as outras tecnologias atualmente disponíveis, a criação necessita de bastante energia para gerar as ondas.

 

De acordo com Lochtefeld, sem o desenvolvimento de energia limpa, a criação de piscinas de ondas artificiais terá um grande impacto ambiental.

 

Outro tópico bastante abordado durante a realização do evento foi o crescimento do mercado que estes parques causariam. Doug Palladini, presidente da Surf Industry Manufacturers (SIMA) e vice-presidente da Vans, explicou que a expansão para as massas da cultura “surfística” pode incentivar o o desenvolvimento da indústria do setor.

 

O australiano Peter Townend, campeão mundial da IPS (International Professional Surfing) em 1976, também participou do simpósio e fez uma das declarações mais emblemáticas do evento. “Pregos (iniciantes) são a chave para tornar as piscinas de ondas viáveis economicamente”, disse o australiano.

 

O que permitiria que estes parques fossem financeiramente viáveis seria a capacidade dos designers de criarem piscinas que possam gerar, consistentemente, três a cinco ondas por minuto, oito horas por dia, todos os dias. “Ainda não chegamos lá”, afirma Jamie Meiselman, empresário que participou de um projeto de construção de uma piscinas de ondas na Flórida que fracassou.

 

Por incrível que pareça, possivelmente o maior revés das ondas artificiais que quebram em piscinas é algo que muitos surfistas acabam enfrentando no mar: o backwash. Graças ao pouco espaço das piscinas, o operador é forçada a parar a máquina por até 90 segundos para que a turbulência não afete as ondas seguintes.

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