O niteroiense Evaristo Kiko Ferreira foi o vice-campeão do Big Buey 2008, prova de ondas grandes disputada na última semana, em El Buey, Arica, Chile.
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Em final bastante acirrada, Kiko descolou notas 9.00 e 8.25, contra 9.25 e 8.50 do local Reinaldo Chacha Ibarra, que virou a disputa nos instantes finais.
A terceira posição ficou com o chileno Diego Medina, seguido pelo argentino Diego Comti.
O evento rolou em um dia e contou com ondas de até 6 metros de face. As condições estavam bastante perigosas, com forte vento terral, água gelada e tubos imensos.
Com apenas 32 convidados, a disputa contou com momentos marcantes. A maior emoção do dia foi protagonizada por Evaristo, que na semifinal levou três bombas de 6 metros de face na cabeça e foi parar perto da areia.
“Tive de voltar tudo de novo, remando, e a cena se repetiu na final, com uma série muito mais pesada por causa da maré”, diz Kiko.
“Isso acabou me atrapalhando a manter a liderança, pois demorei 16 minutos para chegar ao pico novamente e, quando cheguei, já estava muito cansado e não veio nenhuma outra bomba”, lamenta o niteroiense.
“Estou muito feliz. Não tenho patrocinador; tive a ajuda de um amigo (Rodrigo), da Osklen, agência Tripping, meus alunos de surf e, principalmente, do Doutor Ivan Nunes Junqueira, grande pessoa e meu ex-professor de Direito na Puc-Rio”, conta.
O big rider saiu do Rio na quarta-feira à noite, depois de passar toda a tarde resolvendo “pepinos” de lugar em vôos para Santiago – preço bom, etc.
“Cheguei a Sampa, dormi no aeroporto por apenas duas horas e fiquei mais sete acordado, rodando pra fazer hora. Tive de trocar meu vôo pra Santiago, caso contrário não chegaria mais a Arica a tempo de competir”, comenta.
Graças a uma desistência de última hora, o niteroiense conseguiu a troca. Ao chegar a Santiago, não havia mais vôos para Arica – estavam lotados -, mas conseguiram um aos 47 do segundo tempo.
“Como havia me encontrado com o atleta Charlie Brown em Sampa, que também estava vindo no mesmo vôo que eu, ele pôde me ajudar com meu excesso de bagagem, que foi de US$ 100, mais o ticket de última hora, que me custou US$ 250 (tudo o que eu tinha no bolso)”, revela.
Evaristo conheceu um repórter que estava indo fazer a cobertura do evento em Arica. “No avião, ele me ofereceu sua casa para que eu ficasse de graça. Chegamos em casa às 12 horas e só fomos dormir às 2:30 horas da manhã, para acordar às 7”, relembra.
“Corri minhas baterias ‘morto’, mas com uma vida que só os que amam de verdade tem. Pude sentir a mão de Deus em todos esses momentos. Senti sua presença em tudo, desde minha saída do Rio, e só não ganhei esse campeonato porque dei mole na marcação, mas está limpo. Estou amarradão e agradeço a Deus mais uma vez por ter me mostrado o peso da sua glória na minha vida. Sempre quis ganhar esse evento, mas só uma vez cheguei à final aqui. Com certeza foi um dos melhores eventos da minha vida”, define um extasiado big rider.
No próximo sábado começa o campeonato de El Gringo e todos já estão a postos. “Parece que vai quebrar grande, uns 2,5 a 3 metros, mas lá o bicho pega também”, brinca Kiko.
Evaristo usou duas pranchas específicas em El Gringo – uma Udo Bastos 8´4 e uma 9’0 Mauro Roxo (shaper de Floripa). “As pranchas estavam mágicas e por muito pouco não venci a final, pois minha diferença na derrota foi de apenas meio ponto”, afirma.
Kiko continua em Arica por mais uma semana para as competições de El Gringo e El Toro Viejo. Depois volta ao Brasil para continuar sua corrida atrás da onda grande para o prêmio Greenish, competir no evento de tow-in em Maresias e, talvez, ir ao México atrás de tubos gigantes e treinos de tow-in em ondas de verdade.
“Queria dizer que sem Deus na minha vida nada disso seria possível. Também quero dedicar este resultado à minha grande amiga e mulher Jaína, minha filha Maily, minha mãe, meus outros dois filhos e meu falecido pai, bem como a todos que direta ou indiretamente me ajudaram e, acima de tudo, acreditaram juntamente comigo neste sonho quando tudo e todos diziam o contrário”, agradece o atleta.
“Ao Parola, Gilson, Priscila, Jaína e Patcho: vocês são muito especiais para mim!! A todos que, por hora, não enumerei aqui, mas não esqueci de nenhum, cada parte de vida que esteve comigo nesta luta… Obrigado!!!”, finaliza Kiko.

