Hang Loose Pro Contest

Estrelas curtem Noronha

Tom Carroll no pódio do Hang Loose Pro Contest em 1987. Foto: Bruno Alves.

O Hang Loose Pro Contest reúne estrelas do circuito mundial nas tubulares ondas da Cacimba do Padre, em Fernando de Noronha (PE) entre 2 e 7 de fevereiro.

 

Realizada pela 11ª vez no arquipélago, a competição é a única no Brasil com status “prime location” – devido à excelente qualidade das ondas – e é válida pelo ASP One Ranking, novo ranking mundial unificado da Association of Surfing Professionals (ASP), com nivel seis estrelas e US$ 145 mil de premiação total.

A nova tabela de pontos da entidade soma os oito melhores resultados de cada atleta na temporada, inclusive dos tops 45. O niteroiense Bruno Santos defende o título da competição, que acontece pelo 24º ano consecutivo. 

 

O Hang Loose Pro Contest contará ainda com nomes de peso

Dave Macaulay levou o primeiro título da prova em 1986. Foto: Alberto Alves.

como o campeão mundial de 2001, CJ e seu irmão Damien Hobgood, ambos integrantes do ‘Dream Tour’ da ASP.  Também marcam presença novatos do  WCT como o tahitiano Michel Bourez, o norte-americano Brett Simpson, o potiguar Jadson André, entre outros.

Em Noronha, o Brasil dominou o placar de vitórias, com 7 a 3. As exceções foram o sul-africano Warwick Wright (2004), o norte-americano Bobby Martinez (2005) e o espanhol Aritz Aranburu (2007).

 

Para este ano, Wright e Aranburu também já garantiram vagas, assim como os experientes (e também campeões em Noronha) Guilherme Herdy (2000), o cabofriense Victor Ribas (2002) o catarinense Neco Padaratz (2003).

Fábio Gouveia fez a festa em 1990. Foto: Bruno Alves.

A prova tem tudo para marcar a história, pois o arquipélago tem recebido ondulações de alto-nível, proporcionando excelentes condições em praticamente todos os picos da ilha.

 

Convidado pelo patrocinador do evento, o paraibano Fabio “Mestre” Gouveia participou de todas as edições do Pro Contest.

 

No fim do ano passado, esteve em Noronha antes de embarcar para o Hawaii e confirmou ser uma das melhores temporadas na ilha.

 

“A qualidade das ondas e o fundo estão muito bons. Vários picos quebraram enquanto estava lá e tem tudo para dar altas ondas”, reconhece Fabinho.

Nick Wood ergueu a taça em 1992. Foto: Divulgação Hang Loose.

Ex-presidente da ASP e diretor-geral do antigo WQS, o australiano Al Hunt destaca a tradição da prova brasileira, realizada desde 1986 (com a edição clássica na Joaquina, Florianópolis-SC).

 

“O Hang Loose Pro Contest é o segundo campeonato mais tradicional do circuito da ASP (o primeiro é a etapa de Bell’s Beach, Austrália). Mas, entre as provas do WQS é o mais antiga patrocinada por uma única marca. Desde a prova histórica de Florianópolis este evento é um sucesso”, destaca Hunt.

O primeiro Hang Loose Pro Contest ocorreu em 1986 em Florianópolis e colocou o Brasil na rota do circuito mundial. Vencida pelo australiano Dave Macaulay, a competição marcou época e, desde então, traz para o Brasil os principais nomes do esporte mundial.

 

Em sua trajetória, passou pelo Guarujá e Maresias, na região Sudeste, até chegar ao estado de Pernambuco, promovendo duas edições (em Gaibu e Maracaípe). Em 2000, criou raízes no paradisíaco arquipélago, marcando mais uma vez o pioneirismo da Hang Loose ao realizar a competição nas melhores ondas do país.
 
“Fernando de Noronha é espetacular, não só pelas ondas de extrema qualidade, mas também pelo visual incrivelmente paradisíaco. O evento ter percorrido várias praias do Brasil até chegar à ilha foi uma excelente ferramenta de marketing”, comenta Hunt.
 
Preocupação ambiental Fazer o campeonato em uma Área de Proteção Ambiental (APA) requer uma série de medidas e cuidados por parte da organização, resultando em um evento totalmente diferenciado.

Erguido em palafitas, o palanque abriga apenas a comissão técnica, sendo que a estrutura conta ainda com duas torres de transmissão para internet. “Para termos as melhores ondas do Brasil, tivemos que nos adaptar em parceria com os órgãos ambientais (Tamar e Ibama)”, comenta Alfio Lagnado, fundador e presidente da Hang Loose.

Além de palco da competição, a Cacimba do Padre também é uma área de desova de tartarugas. Para não atrapalhar os répteis, a lona do palanque é produzida em tons que não ofuscam a visão dos animais e a permanência na praia só é permitida impreterivelmente até as 17 horas (horário em que começa a desova).

A estrutura da competição sai cerca de duas semanas antes do início do evento de São Paulo, de onde segue de caminhão até Recife (PE). De lá, é embarcada em um navio, no qual permanece mais três dias até chegar a Noronha. Depois, com ajuda da mão-de-obra local e acompanhamento de órgãos ambientais, como Tamar e Ibama, tem início a montagem do palanque.

Arte de J. Borges Pelo segundo ano consecutivo, o campeonato homenageia o mestre da xilogravura e ícone da cultura nordestina José Francisco Borges, ou J. Borges (como prefere ser chamado). Aos 75 anos, ele é um dos artistas mais expressivos do cenário nacional, que leva ao mundo em versos e traços o universo cultural nordestino, dos costumes às lendas fantásticas em um incrível repertório de “causos” contados com visão bem humorada.

“No ano passado, a comunicação visual foi muito elogiada. Optamos por repetir a dose e seguir mais um ano valorizando este expressivo talento da cultura nordestina”, diz Tom Toledo, diretor de arte da Hang Loose.

Reflorestamento da ilha
Desde seu descobrimento, Noronha foi alvo de intenso desmatamento, fruto da ocupação desordenada e introdução de plantas exóticas, alterando drasticamente o equilíbrio natural. Somente em alguns locais pode ser vista um pouco da cobertura vegetal original, como na Ponta da Sapata, na encosta do Morro do Pico e nos mirantes do Sancho, Baía dos Golfinhos e praia do Leão.
 
Em parceria com o Ibama / FN e a Administração do Arquipélago, a Hang Loose mantém um viveiro de mudas de espécies nativas próximo à praia do Leão, com potencial de produção de 20 mil mudas por ano, destinadas ao reflorestamento de áreas degradadas.
 
Para que ocorra a reabilitação do ecossistema local e despertar a sensibilidade dos visitantes sobre a importância da conservação da biodiversidade natural, ocorre o plantio de espécies vegetais nativas nos açudes dos Gatos, Xaréu e Ema – pontos estratégicos definidos pelo Plano de Manejo do Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha.
 
Os açudes constituem os principais reservatórios de água doce da ilha, recurso natural escasso no arquipélago. O plantio de espécies nativas nas margens cria um importante mecanismo natural contra a ação das chuvas e dos ventos, impedindo o carregamento de sedimentos provenientes do solo exposto para o leito dos açudes. E também contribui com a preservação da umidade local e o equilíbrio climático.
 
Com patrocínio exclusivo da Hang Loose, a 11ª. edição do Hang Loose Pro Contest em Fernando de Noronha conta com importante parceria do Governo do Estado de Pernambuco (por intermédio da Empetur – Secretaria de Turismo) e Administração de Fernando de Noronha, Instituto Chico Mendes, Projeto Tamar, Tecnologc, Napali Rib Diamanti. Co-patrocínio das lojas Overboard, Bleat, Central Surf, Sthill, Tent Beach, Uluwatu, WQSurf, Planeta Surf, Hot Water, Surf Store e Ecológica. Homologado pela ASP South America, o evento acontece com apoio da Federação Pernambucana de Surf, Associação Nordestina de Surf (ANS), Gráfica Formags, Revista Fluir e site Waves.Terra.

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