Redes de pesca

Estatística segue macabra

Redes de pesca já mataram 49 pessoas no Rio Grande do Sul. Foto: Divulgação.

Se a lei que regula a presença de redes de pesca nas praias gaúchas fosse cumprida em Capão da Canoa, o jovem Thiago Ruffato, 18, não teria morrido na última segunda-feira (1/11).

 

É o que disse Virgílio Matos, diretor de segurança da Federação Gaúcha de Surf (FGSurf), em entrevista à Rádio Gaúcha na última quarta. O dirigente denunciou o que considera “omissão” das autoridades ao fazer cumprir a legislação.

“O que falta é a fiscalização. Nós temos a lei que determina as áreas nos municípios nos cento e poucos balneários no nosso litoral. Existe uma omissão da Brigada Militar e dos promotores do Ministério Público nas comarcas do nosso litoral, para atuar e cobrar das prefeituras as placas e o regramento”, declara Matos.

De acordo com a Lei Estadual 8.676/88, todos os municípios banhados por mar, lagoas ou rios com praias devem demarcar os locais destinados à pesca, aos esportes e ao lazer por meio de balizas, placas e dizeres visíveis e permanentes.

 

A fiscalização das áreas cabe às prefeituras e aos órgãos estaduais competentes. O que, segundo Matos, raramente ocorre no litoral gaúcho.

“A penúltima morte também aconteceu em Capão da Canoa. A prefeitura da cidade está sendo omissa em não demarcar estas áreas e informar a população, informar o próprio surfista e obrigar os pescadores a sinalizarem as redes com boias como diz a lei”, afirma o diretor, lembrando que as redes de pesca já causaram 49 mortes no Rio Grande do Sul.

Matos isenta a governadora Yeda Crusius de culpa, afirmando que a política não poupou esforços para resolver o problema. Ele admitiu, também, que houve omissão dos próprios surfistas, que não compareceram em peso às reuniões que tratavam do assunto.

“Todos culpam a governadora, mas ela teve o pulso forte para nos ajudar. Mas temos de fazer um ‘mea culpa’. Há pouco houve uma reunião na Assembleia Legislativa e foram apenas seis surfistas. Fomos omissos também”, admite o dirigente.

Segundo ele, Yeda criou o programa Surfe Legal, reunindo representantes do Ministério Público, da Brigada Militar, do Corpo de Bombeiros e da Casa Civil. Porém, Matos lamenta que o projeto “não andou”.

 

Fonte Surf Seguro RS

 

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