
Quando vejo as pessoas falando que o bodyboarding não evolui por falta de força de vontade na busca de melhorias, fico indignado. Não há falta de empenho, não há estagnação! Realmente há coisas que não dá pra entender: somos exemplo em qualquer lugar do mundo pelos atletas top de linha, mesmo sem incentivo e dinheiro.
Quando se fala em bodyboarder brazuca lá fora, somos reverenciados, temos uma quantidade incrível de pessoas praticando bodyboard. Por que ainda representamos o retrato do que somos taxados? Quando discutimos isso, falam logo em grana como reconhecimento de sucesso.

O primeiro alvo sempre é o dinheiro, mas nosso país tem uma economia doente e só há espaço para mega empresários. O sistema nos oprime e nos obriga a viver numa ditadura maquiada. Não há grana na prefeitura, não há grana de empresas particulares, uma situação complexa. Assim fica fácil colocar a falta de verbas como único problema para o insucesso do nosso esporte. Mas será realmente a falta de grana, culpada por toda essa situação?
Vejam o exemplo da Austrália, dois bodyboarders cansados do jeito que aconteciam os campeonatos de lá, resolveram se unir e mudar a forma de administrar e aplicar campeonatos. O resultado dessa luta foi o famoso Human Shark, a etapa mais prestigiada e mais esperada pela elite do esporte. Mesmo as etapas que temos em outros países não tem tanto sucesso, até a etapa de Pipeline virou chacota.
O grande diferencial seria a união e o entrosamento por um só objetivo: a mudança e a real estrutura que os bodyboarders merecem. União e foco, essas são as palavras chave! É preciso analisar nossa real situação nos bastidores. Falar da desunião, a pior dificuldade para estruturar o esporte. Não deveria haver espaços para críticas em nossa família, quer dizer, nessa guerra. Os que criticam são bombardeados pela minoria que não quer nem pensar em quebrar paradigmas.
Minoria, acostumada a ver o bodyboard de forma que eles apareçam mais até que o próprio esporte. Se alguém tenta aplicar a tal liberdade de expressão, não consegue: atleta, juiz ou jornalista free lancer; não há espaço para idéias ou observações. São reprovados e tirados de cena, por isso esse ciclo ruim. Qual atleta, juiz ou organizador que precisa de espaço vai contra essa minoria?
Ninguém! É melhor ficar de vaca de presépio dos caras, do que ir contra eles. Mas será melhor mesmo? A cada reclamação um escândalo e falação sobre interesses políticos. Realmente o amor pelo bodyboard morreu e o que temos são jogos de interesse e marketing. Nosso esporte virou uma vitrine onde alguns aparecem e ganham, outros são massacrados por tentarem mudar a situação caótica que nos encontramos.
Precisamos mudar nossa postura e assumir a descente e necessária para a sobrevivência do nosso esporte e de fato sermos uma família. Desunidos é o que somos! Há muitas idéias, muitas reclamações, muita vontade, mas nada disso aparece porque não há espaço. É preciso união e buscar um objetivo único. Esquecer o que fomos ou o que somos e viver o presente com o pé no chão. Uma verdadeira revolução no esporte e continuar a ser referência mundial.
Falta coragem para assumir os erros e humildade para pedir ajuda e consertar a situação. Estagnados, isso não somos, infelizmente somos desunidos.
Que Deus abençoe todos vocês.