Especialistas apuram ataque em Maresias

Somente especialistas poderão afirmar qual espécie de peixe atacou e matou o turista André Luiz Lopes, de 20 anos, no último domingo (20/10), na praia de Maresias, litoral norte paulista.

 

Segundo o delegado José Luiz Tibiriça, responsável pela investigação do caso, Lopes foi mordido antes de se afogar.

 

“O laudo do médico legista Marcelo Kupkis Saad, do IML, diz que o turista morreu por ‘asfixia mecânica por submersão no mar (afogamento) e traumatismo da face por mordedura animal (peixe grande)’ e aponta que ele foi mordido ainda vivo”, diz o delegado.

 

“Além do laudo da perícia técnica, as fotos do corpo serão encaminhadas a um especialista, biólogo ou oceanógrafo, para identificação do peixe que causou as lesões em Lopes”, explica.

 

O corpo do turista foi encontrado boiando no domingo (20/10), cerca de oito horas após ele ter se separado dos amigos Rafael Mendes da Silva e Frederico Conceição Bispoque, que estavam com ele na praia.

 

“Lopes estava com os dois amigos e não sabia nadar. Depois de um tempo na beira d’água, ele sumiu, mas seus colegas imaginaram que ele estivesse passeando na praia”, conta o delegado.

 

No final da tarde, o corpo apareceu com parte do rosto desfigurado. Lopes foi enterrado na última terça (22/10) no Cemitério dos Amarais, em Campinas.

 

Ao notarem a movimentação de salva-vidas e curiosos, os amigos foram ver o que estava acontecendo e o reconheceram pela bermuda que usava.

 

Segundo Terezinha de Jesus Lopes, mãe do rapaz, o rosto dele ficou totalmente desfigurado. “É duro falar, mas não deu nem para reconhecê-lo e o médico informou que os ferimentos eram característicos de ataque feito por algum peixe grande”, disse à reportagem do jornal O Estado de São Paulo.

 

De acordo com Terezinha, o médico afirmou que não saberia dizer qual foi o peixe que atacou, mas que a mordida era de um animal muito grande. 

 

“Eu entendo que os médicos não puderam afirmar ser um tubarão porque a cidade depende do turismo”, afirmou a mãe de Lopes ao Estadão.

 

A reportagem do jornal apurou com o biólogo Hertz Santos, do Departamento de Biologia da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto, que tubarões raramente atacam banhistas, mas são comuns em toda a costa brasileira.

 

“São mais de 200 espécies, algumas dóceis, outras bastante agressivas”, disse Santos.

 

Uma das espécies mais perigosas é o tubarão-tigre. Alguns chegam a ter até quatro metros e a espécie habita o litoral norte paulista e pode atacar pessoas em águas rasas.

 

Segundo o Centro de Biologia Marinha (Cebimar) da USP, em São Sebastião, não há registro de ataques de tubarão no litoral norte de São Paulo. O caso mais recente de ataque de tubarão no Estado de São Paulo ocorreu há dez anos na praia do José Menino, em Santos, quando um garoto foi mordido na mão.

 

O Grupamento Salva-Mar, do Corpo de Bombeiros, que atende o litoral norte, está em alerta e monitora todas as praias da região para a presença de algum animal de grande porte.

 

O comandante do grupamento, Igor Klein, informou ao jornal que nunca soube da  existência de tubarões na região.

 

De acordo com ele, não é possível dizer com certeza se Lopes foi mordido antes ou depois de se afogar, porque espécies como o peixe-porco, baiacu e caranguejo costumam alimentar-se de cadáveres.

 

 

 

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