Um problema cada vez mais comum em diversas praias brasileiras está em evidência num dos balneários mais freqüentados do litoral paulista.

 

Depois de vários dias de sol escaldante e nem uma gota de chuva neste verão, a praia do Tombo, Guarujá, sofre os efeitos do descaso com relação a uma fonte de esgoto a céu aberto.

 

Um imenso cano localizado no canto direito da praia, que deveria escoar somente águas pluviais (de chuva), segue cuspindo na areia um líquido fétido e escuro que escoa no mar, onde banhistas e surfistas desavisados procuram refresco e diversão.

 

Mas, se depender dos surfistas esse cenário deve mudar. A partir de uma denúncia, a reportagem Waves foi até o local e registrou o fato, acompanhada do biólogo e surfista Denis Abessa.

 

?Considerando que até o último dia 18 de janeiro, quando checamos o local, o Guarujá não recebeu chuvas por um bom tempo e que o aspecto e o odor do efluente que saía do cano eram característicos de esgoto, há fortes indícios de que uma ou mais ligações clandestinas despejam seus resíduos ali, de forma criminosa?, avalia o biólogo.

 

Algumas amostras foram colhidas e enviadas a laboratórios da UNESP para análise. A atitude dos surfistas é compreensível: o canto direito do Tombo é um dos picos clássicos do litoral de São Paulo.

 

Procurado pela equipe Waves, Élson Maceió, Secretário de Meio Ambiente do Guarujá e respeitado ambientalista, se prontificou a buscar uma solução para o problema.

 

?De acordo com a legislação brasileira, as águas das praias são classificadas como Classe 1 ? destinadas, entre outros usos, à recreação de contato primário (isto é, ao banho), sendo proibido o lançamento de esgoto ou de efluentes contaminados nessas águas?, esclarece Abessa.

 

A legislação diz ainda que qualquer projeto de urbanização na zona costeira deve possuir obrigatoriamente sistemas de coleta, tratamento e disposição de esgotos. ?Nem é preciso dizer que muito pouco disso vem sendo cumprido?, observa.

 

Os surfistas estão de olho e certamente irão cobrar uma solução, de preferência antes do término de mais um verão.

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