Matt Biolos, da …Lost Surfboards, comanda uma das fábricas que mais produzem pranchas na Califórnia, além das feitas por seus licenciados pelo mundo, inclusive no Brasil. Sem muita embromação e com certo sarcasmo, ele dá dez dicas aos consumidores menos experientes, quebrando inclusive alguns paradigmas.
1 – Pranchas com menos rocker, mais retas, remam mais rápido. Remar é 50% do jogo. Se você não pega ondas, não surfa. Mesmo que esteja surfando ondas mínimas e mexidas com três amigos, ainda vai ter que competir por elas. Você achava que isso tinha só a ver com flutuação (volume)? Nada disso. Trata-se de como o fundo da prancha se move pela água. No entanto…
2 – O volume é seu amigo. Você pode ter uma prancha realmente grossa, mas se colocar um V Bottom neutraliza tudo. Por outro lado, uma prancha com menos volume e concave pode deslizar muito mais.
3 – Modelos de rabeta não importam tanto quanto você imagina. Se a largura que vai até a rabeta é a mesma, uma square, squash, dimond ou swallow vão funcionar de forma muito parecida. Rabetas round ou pin diminuem a largura na traseira, portanto seguram um pouco mais e diminuem o raio das curvas.
4 – Não entro nessa de que há surfistas que colocam mais peso no pé da frente ou no pé de trás. Todos nós surfamos com a força do pé de trás. Você pode ser um surfista que tem muita ou pouca força no pé de trás. Você pisa forte ou não, é isso. Você é o Taylor Knox ou um garotinho.
5 – Olhe o outline da sua prancha. Linhas retas dão velocidade, linhas curvas viram bem. Simples assim.
6 – Quanto mais reto o rocker (curva de fundo) mais para trás você precisa pisar na prancha. Pranchas com rocker contínuo oferecem mais área para pisar. Porém, e esse é um grande porém, uma prancha mais reta pega velocidade mais fácil, só que será mais exigente nas curvas.
7 – Encaixe a curva da prancha com a curva das ondas. Isso é para os surfistas normais, para os prós vai tudo pela janela, eles podem fazer qualquer coisa. Viajo com uma prancha curva e uma reta: pranchas “envergadas” para Gold Coast e os shorebreaks de Sydney, mais cavados. Pranchas retas para ondas gordas, cheias, ou fracas e mexidas. Uma prancha “tábua” não funciona quando você precisa pular sobre ela e fazer a curva na base num só movimento rápido. Além do que, quando você ficar de pé, tudo que vai conseguir são floaters paralelos com o lip.
8 – Existe um número mágico e o nome dele é seu volume cúbico. É dever dos shapers educar as pessoas e agora há informação disponível em nossas máquinas de shape. Explico. Um dos caras do meu time de surf, Shea Lopez, estava tirando uma onda da minha cara sobre o tamanho das minhas pranchas. Estávamos em Lowers, tinha duas “gordinhas” na mão. Ele pegou uma e disse: “Dá uma olhada na porra desse barco!”. “Bem, sou gordo, tenho 40 anos, mas quer saber fdp…? Aposto que minha relação de volume e peso não está longe da sua. Sou 30% mais pesado que você, e essa prancha tem uns 30% a mais de volume. A diferença é que sou piloto de computador e você surfista profissional”. Se sabemos nossos volumes cúbicos todas as outras dimensões podem ficar a cargo do shaper. No lugar de dizer que você surfa com uma 6’1” x 18” 5/8 x 2” 5/16, você pode dizer seu peso e altura, que tem 42 anos, e me faça uma merrequeira. Isso exige certa confiança em seu shaper.
9 – Há dois tipos de shapers em que você pode confiar. Um é o shaper local que conhece as condições locais e, provavelmente, como você surfa. Depois há a confiança que você tem num shaper internacional, reconhecido. Você confia no Al Merrick porque ele faz, com consistência, ótimas pranchas para ótimos surfistas e mercado internacional. Se você mora em Santa Barbara, onde ele vive, você tem conhecimento local e internacional. Se você mora na Gold Coast, tem as duas coisas: Darren Handley e Jason Stevenson. Se morar em Sydney, James Cheal (Chilli). Se você mora em San Clemente tem o Tim Paterson e eu. Mas, se você mora em qualquer outro lugar, tem que pesar as possibilidades entre conhecimento local e global.
10 – Equilíbrio é tudo numa prancha e os shapers andam no fio da navalha cada vez que produzem uma prancha customizada. Se você quer uma prancha com muito rocker o shaper tem que equilibrar tudo em volta desse detalhe para balancear as coisas. Se um elemento é exagerado o resto da prancha tem que agir para neutralizar esse exagero. Greg Webber é um gênio nesse assunto. Equilíbrio é tudo.