10 dicas

Escolha de prancha

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O shaper californiano Matt Biolos. Foto: Guilherme Calissi
 

 

Matt Biolos, da …Lost Surfboards, comanda uma das fábricas que mais produzem pranchas na Califórnia, além das feitas por seus licenciados pelo mundo, inclusive no Brasil. Sem muita embromação e com certo sarcasmo, ele dá dez dicas aos consumidores menos experientes, quebrando inclusive alguns paradigmas.

1 – Pranchas com menos rocker, mais retas, remam mais rápido. Remar é 50% do jogo. Se você não pega ondas, não surfa. Mesmo que esteja surfando ondas mínimas e mexidas com três amigos, ainda vai ter que competir por elas. Você achava que isso tinha só a ver com flutuação (volume)? Nada disso. Trata-se de como o fundo da prancha se move pela água. No entanto…

2 – O volume é seu amigo. Você pode ter uma prancha realmente grossa, mas se colocar um V Bottom neutraliza tudo. Por outro lado, uma prancha com menos volume e concave pode deslizar muito mais. 

3 – Modelos de rabeta não importam tanto quanto você imagina. Se a largura que vai até a rabeta é a mesma, uma square, squash, dimond ou swallow vão funcionar de forma muito parecida. Rabetas round ou pin diminuem a largura na traseira, portanto seguram um pouco mais e diminuem o raio das curvas. 

4 – Não entro nessa de que há surfistas que colocam mais peso no pé da frente ou no pé de trás. Todos nós surfamos com a força do pé de trás. Você pode ser um surfista que tem muita ou pouca força no pé de trás. Você pisa forte ou não, é isso. Você é o Taylor Knox ou um garotinho.

5 – Olhe o outline da sua prancha. Linhas retas dão velocidade, linhas curvas viram bem. Simples assim.

6 – Quanto mais reto o rocker (curva de fundo) mais para trás você precisa pisar na prancha. Pranchas com rocker contínuo oferecem mais área para pisar. Porém, e esse é um grande porém, uma prancha mais reta pega velocidade mais fácil, só que será mais exigente nas curvas. 

7 – Encaixe a curva da prancha com a curva das ondas. Isso é para os surfistas normais, para os prós vai tudo pela janela, eles podem fazer qualquer coisa. Viajo com uma prancha curva e uma reta: pranchas “envergadas” para Gold Coast e os shorebreaks de Sydney, mais cavados. Pranchas retas para ondas gordas, cheias, ou fracas e mexidas. Uma prancha “tábua” não funciona quando você precisa pular sobre ela e fazer a curva na base num só movimento rápido. Além do que, quando você ficar de pé, tudo que vai conseguir são floaters paralelos com o lip.

8 – Existe um número mágico e o nome dele é seu volume cúbico. É dever dos shapers educar as pessoas e agora há informação disponível em nossas máquinas de shape. Explico. Um dos caras do meu time de surf, Shea Lopez, estava tirando uma onda da minha cara sobre o tamanho das minhas pranchas. Estávamos em Lowers, tinha duas “gordinhas” na mão. Ele pegou uma e disse: “Dá uma olhada na porra desse barco!”. “Bem, sou gordo, tenho 40 anos, mas quer saber fdp…? Aposto que minha relação de volume e peso não está longe da sua. Sou 30% mais pesado que você, e essa prancha tem uns 30% a mais de volume. A diferença é que sou piloto de computador e você surfista profissional”. Se sabemos nossos volumes cúbicos todas as outras dimensões podem ficar a cargo do shaper. No lugar de dizer que você surfa com uma 6’1” x 18” 5/8 x 2” 5/16, você pode dizer seu peso e altura, que tem 42 anos, e me faça uma merrequeira. Isso exige certa confiança em seu shaper.

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Mason Ho, confiança no equipamento para poder extrapolar nas ondas. Foto: ASP / Cestari
 

9 – Há dois tipos de shapers em que você pode confiar. Um é o shaper local que conhece as condições locais e, provavelmente, como você surfa. Depois há a confiança que você tem num shaper internacional, reconhecido. Você confia no Al Merrick porque ele faz, com consistência, ótimas pranchas para ótimos surfistas e mercado internacional. Se você mora em Santa Barbara, onde ele vive, você tem conhecimento local e internacional. Se você mora na Gold Coast, tem as duas coisas: Darren Handley e Jason Stevenson. Se morar em Sydney, James Cheal (Chilli). Se você mora em San Clemente tem o Tim Paterson e eu. Mas, se você mora em qualquer outro lugar, tem que pesar as possibilidades entre conhecimento local e global.

10 – Equilíbrio é tudo numa prancha e os shapers andam no fio da navalha cada vez que produzem uma prancha customizada. Se você quer uma prancha com muito rocker o shaper tem que equilibrar tudo em volta desse detalhe para balancear as coisas. Se um elemento é exagerado o resto da prancha tem que agir para neutralizar esse exagero. Greg Webber é um gênio nesse assunto. Equilíbrio é tudo.

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Chris Ward, um dos pilotos de teste da Mayhem. Foto: ASP / Cestari
 

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