Ryan Martins

Escola peruana

Assim como a maioria dos pais surfistas que conheço, sempre tive o desejo de fazer uma surf trip com meu filho. Muitas vezes ficava imaginando como seria essa experiência, porém, junto com o desejo, sempre pinta aquela insegurança de viajar com filho pequeno, mudança de clima, alimentação, entre outras coisas.

Estes e outros fatores acabam nos desencorajando, porém, desta vez foi diferente. Após algumas temporadas no norte peruano, apresentei a ideia de fazer esta viagem com nosso filho mais velho. Minha esposa, como toda mãe coruja, teve receios, mas felizmente aceitou.

Ryan está com 9 anos e naquela fase da empolgação, sempre assistindo vídeos e as baterias de seus ídolos Gabriel Medina, Filipe Toledo e John John Florence. Quando falei sobre a viagem, a felicidade e a empolgação foi total. Começamos a pesquisar passagens e roteiro. Mesmo perdendo uma semana de aula, comprei as passagens para depois contar isso para a mãe.

Arrumamos as malas, pranchas e tudo pronto. Partimos para Lima, onde fomos recebidos por um amigo local, Rodolfo. Passamos o dia todo visitando as praias de Miraflores e fizemos a primeira queda. Ondas de meio metro, perfeitas, muito legais principalmente para o Ryan, que surfou pela primeira vez no Pacífico com fundo de pedras.

No outro dia pegamos um voo para Piura, depois uma van de 2:30 horas até Mancora, um pointbreak para esquerda, que segundo Ryan, parece até uma piscina de ondas de tão perfeito. O clima na região é bem agradável: água clara e não muito gelada. A culinária local é fantástica, praticamente a base de peixes e crustáceos, tudo muito fresco. Ceviche, tartar, tiraditos deliciosos a um custo bastante acessível.

Nesta região também surfamos em Piscinas, Panic Point, Organos e Cabo Blanquillo. As ondas estavam pequenas e perfeitas.

Depois de dez dias neste paraíso, ficamos sabendo de um swell perfeito para Pacasmayo, um dos lugares com ondas impressionantes. Pegamos um ônibus e fomos direto para o hotel El Faro Resort, que fica em frente ao pico e tem ótima estrutura.

 

No segundo dia o swell chegou com força total, com ondas com até 2,5 metros perfeitas, muitas com mais de 2 quilômetros de extensão, uma verdadeira pista muito lisa e manobrável. Não por acaso, Laird Hamilton também estava lá para aproveitar aquelas ondas com seu foil. Tivemos a oportunidade de conhecê-lo e ainda dividir ondas com este mito que, aos 52 anos, esbanja saúde e disposição.

Quando o swell baixou um pouco, chegou a vez de Ryan, que pôde realizar seu sonho surfando ondas perfeitas e intermináveis. Mesmo naquela água gelada e ondas pesadas, mostrou muita disposição e atitude, enchendo o pai de orgulho.

É indescritível a emoção e a superação que um pai e um filho podem compartilhar durante uma surf trip destas: quarto bagunçado, palhaçada e muitas amizades novas nos fizeram ter uma única certeza: foi uma experiência incrível, que será lembrada para o resto de nossas vidas.

Aquela semana de aula “perdida” na escola, foi na verdade substituída por uma aula de vida e parceria que repetiremos o mais breve possível, pois o tempo passa e temos muito que aprender junto com nossos filhos!

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