Equador vive clima de copa do mundo no ISA Surfing Games

Depois de mais de 10 horas de viagem, incluindo a vinda de alguns atletas até São Paulo, a conexão em Lima, Peru, e a viagem de ônibus até a cidade de Salinas, cerca de 170 Km de Guayaquil, a seleção brasileira que disputa o ISA World Surfing Games 2004 no Equador já está com a cabeça na competição, que começa neste sábado na FAE ? Fuerza Aerea Ecuatoriana, praia localizada em uma área militar.

 

Delegações de 27  países estão movimentando o balneário de Salinas, um local aparentemente calmo que vive do turismo, mas que na verdade está situado em uma região considerada estratégica, e por isso desperta o interesse dos militares.

 

Porém, eles demonstraram muita simpatia com o esporte ao liberar a área para as olimpíadas do surfe e também vibraram com a bela cerimônia de abertura realizada nesta sexta-feira.

 

As ruas de Salinas ficaram lotadas e a cidade parou para acompanhar o desfile das equipes, aplaudindo muito quando cada uma aparecia com as respectivas bandeiras e integrantes.

 

Depois foi realizada a cerimônia das areias, em que um representante de cada país deposita um punhado de areia da terra natal em um recipiente, até reunir a areia de 27 nações que

têm no surfe inspiração para levar um título de campeão mundial para casa.

 

O argentino Fernando Aguerre, presidente da ISA ? International Surfing Association, fez um discurso em que destacou a importância do World Surfing Games e agradeceu o governo do Equador por dar o suporte necessário e ajudar a evolução do esporte na América do Sul, que possui vários países na competição e começa a construir sua história no surfe mundial.

 

Serão cinco categorias em disputa nas olimpíadas do surfe e o Brasil será representado por Teco Padaratz, Marcelo Coutinho, Jussemir Junior e Martins Bernardo na categoria Open, Andréa Lopes e Marina Werneck na Feminino,

Marcelo Freitas no Longboard, Roberto Bruno e Bruno Invik no Bodyboard Masculino e Neymara Carvalho no Bodyboard Feminino.

 

Apesar de ser uma competição amadora, uma das maiores armas do Brasil é justamente um atleta com experiência de 15 anos no circuito mundial e muitas participações em provas como esta.

 

Aos 32 anos, Teco Padaratz é o capitão da seleção canarinho e terá importância dobrada na busca pelos títulos pelos atletas brazucas. Na primeira reunião realizada pelo grupo, na noite de quinta-feira, ele foi um dos porta-vozes e deixou clara sua missão no Equador.

 

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?Todos estão buscando a vitória, mas o principal objetivo aqui é dar o melhor de si e ajudar a equipe a sair vencedora. Tenho muita experiência neste tipo de competição e posso e gosto de ajudar quem precisa de algum conselho, dar dica sobre algum adversário ou mesmo desabafar. Não quero ver ninguém de canto remoendo um mal resultado, se perder é para continuar na areia torcendo e dando força para o companheiro que está na bateria?, ensinou com jeito de mestre o surfista, que disputou os mundiais amadores de 86, na Inglaterra, e 88, em Porto Rico.

 

Naquela ocasião, ele lembrou que o Brasil tinha tudo para sair campeão, mas não conseguiu.

 

Marcos Conde, técnico do Brasil, concordou e disse que o importante é relaxar a aproveitar a oportunidade de viver essa experiência, muito importante para o amadurecimento da carreira dos jovens atletas, como Martins, Jussemir, Marina e Bruno.

 

?Estou há 18 anos trabalhando com surfe e sinto cada vez mais que é isso que queria para minha vida. Estar aqui e poder incentivar e ajudar essa garotada a ganhar experiência e amadurecer é um privilégio. Essa competição é um trampolim para uma base sólida e dela saíram figuras de destaque no cenário mundial, como o próprio Teco, Fábio Gouveia, campeão mundial em 88, Tom Curren, campeão Júnior em 80, na França, e muitos outros?, lembrou Conde.

 

O Brasil tem dois títulos mundiais por equipes, conquistados em 2000, em Pernambuco, e 2003, no ISA World Junior Surfing Championships, na África do Sul.

 

Desta vez, os adversários incluem países que possuem pouca ou nenhuma tradição no esporte, como Irlanda, Suécia, Suíça e Jamaica, e países considerados potências, como Austrália, EUA e África do Sul, além de outros que estão evoluindo e/ou têm tradição, como os latino-americanos Peru, México e o próprio Equador.

 

Antes do desfile de abertura, a sexta-feira foi reservada para treinos nas ondas de 1,5 a 2

metros que entravam com muita pressão na praia das FAE e a previsão indica ondas ainda maiores para o inicio da prova no sábado.

 

Por causa disso, a organização decidiu colocar somente as baterias da Open na água, e o Brasil estréia na primeira disputa do dia, às 8 horas, com Marcelo Coutinho.

 

O próximo a entrar na água é Martins Bernardo, na nona bateria. Depois é a vez de Jussemir Junior, na 16a , com Teco Padaratz disputando a 21a bateria do total de 24 baterias previstas para rolar.

 

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