Igor Havenga na antiga sala do saudoso Shena, no Hawaii. Foto: Arquivo pessoal Havenga.

Depois de quatro meses instalado nas ilhas havaianas, onde trabalhou na fábrica da Surflight, o catarinense Igor Lopes, o ?Havenga?, absorveu tudo o que pode em matéria de novidades e técnicas na produção de pranchas.

 

Ao lado de nomes como Eric Arakawa e Dennis Pang, entre outros, ele buscou conhecimento e inspiração para fazer os foguetes de alguns dos principais surfistas brasileiros no circuito mundial e nacional.

 

No ano passado Havenga comemorou muitas vitórias.

 

Com foguetes projetados por Havenga, Neco Padaratz surfou muito em Sunset e garantiu o retorno no WCT. Foto: ASP / Covered Images.

Com uma prancha feita por ele, Neco Padaratz venceu provas do WQS na Austrália, fez história em Sunset e garantiu sua volta ao WCT; Jihad Khodr foi campeão brasileiro e Diego Rosa catarinense.

 

Nesta entrevista concedida ao amigo e atleta Ricardo Azevedo, Havenga fala sobre a experiência de estar no Hawaii e as últimas novidades do setor, entre outros assuntos.

 

 

Há quanto tempo você está em Oahu e o que mais tem feito?

 

Estou há quatro meses e o que mais fiz foi shapear.

 

Como é sua rotina de trabalho na fábrica?

 

Trabalho na Surflight, uma fábrica especializada em pranchas de competição, ao lado de shapers como Jeff Jonston, Tokoro, Eric Arakawa, Tim Carroll e Dennis Pang. Era onde o saudoso (Fernando) Shenna trabalhava. Tudo dele que ficou lá é guardado com muito carinho. É bom porque me sinto em casa vendo as fotos dele e trabalhando com as ferramentas que eram dele. A presença do Shenna lá é muito forte.

 

O que mudou nos EUA depois da crise dos blocos?

 

Surgiram muitas fábricas novas de bloco. A US Foam é a principal para pranchas de poliéster. Na Surflight foi desenvolvido o Marko FoaM, mais leve e com altas curvas. Lá é feito o trabalho de corte e colagem da longarina, além da laminação no epóxi. E a própria prancha Surflight, que tem sido muito procurada pelos tow surfers.

 

Com quais surfistas você tem trabalhado ultimamente?

 

Já fiz prancha para muitos profissionais, mas atualmente quem usa direto é o Neco, Diego Rosa, Jihad Khodr, Marco Polo, Ricardo Ortiz, Márcio Farney, Roni Ronaldo, você e mais uma galera. Sou muito amigo dos competidores, tento ajudá-los com uma visão diferenciada. Somos todos muito humildes, participo das sessões de free surf, procuramos lugares isolados, todos se ajudam como uma grande família.

 

Como foi o ano de 2006 para você?

 

Foi um ano de muitas vitórias. O Neco começou ganhando a etapa de Newcastle, na Austrália, com uma 6?4, 18 ½,  2 3/8, rabeta round. Ele correu todas as etapas com pranchas minhas. Finalizou em Sunset com uma grande performance, em que foi muito aplaudido e garantiu a vaga para o WCT. O Jihad foi campeão brasileiro com uma 5?11,  17 7/8, 2 1/8, rabeta squash; e o Diego Rosa foi campeão catarinense e sul brasileiro com uma 6?0, 18 ¼, 2 ¼, rabeta round.

 

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Havenga na fábrica da Surflight, onde trabalhou por quatro meses. Foto: Arquivo pessoal Havenga.

Como foi ser o caddie de  Neco em Sunset?

 

Foi muita emoção. Trocávamos idéias durante a bateria, ele foi o nome da competição com manobras fortes nas morras. Ele passava berrando por mim e os gringos não entendiam nada porque falávamos em português. Aquilo foi pelos nossos filhos, nossa família. Falo isso não porque ele usa minhas pranchas, mas por uma grande amizade.

 

Por que você decidiu vir ao Hawaii?

 

Estou seguindo meus instintos. Não é fácil, larguei minha família, minha fábrica, meus melhores amigos e os competidores, tudo em busca de evolução. Para ganhar experiência em pranchas para ondas radicais, como Pipe e Teahupoo. Tudo isso é para a equipe ter confiança no equipamento. Estou aprendendo muito, vou levar os melhores designs e equipamentos para o Brasil.

 

No geral como é a vida aqui?

 

É a maior batalha para conseguir um espaço para fazer minhas pranchas. Existe a dificuldade de ficar longe da família e da minha fábrica, sinto falta da equipe que trabalha comigo. Estou todo esse tempo aqui pelo surf brasileiro. No meio da correria consigo surfar e ver os profissionais nas melhores ondas do mundo. Nestes quatro meses presenciei os melhores momentos da temporada, as melhores ondas. O Hawaii tem muita energia, quem surfa Sunset ou Pipe 12 a 15 pés sabe o que estou falando.

 

Você é adepto das máquinas de shape ou gosta do trabalho artesanal?

 

Eu não uso máquina. Continuo fazendo uma por uma, tanto as encomendas particulares dos meus amigos como dos competidores. Realizo o sonho de todos de ter a prancha igual a de competição, a mágica. Na mão eu passo uma vida, um sentimento para a prancha. Hoje em dia, com a máquina, qualquer um pode ter um disquete e shapear, mas não é bem assim. É preciso ter feeling, talento, e dar um passo de cada vez. É como a vida: você é criança, jovem e depois fica adulto. Você começa fazendo quilhas e consertos, vira lixador, depois laminador e, por fim, shaper.

 

Quais são seus planos para o Brasil?

 

Continuar fazendo as melhores pranchas de competição. Continuarei sendo muito atencioso com as encomendas particulares, pois muitos são meus amigos e acompanho a evolução de cada um.

Deixe um recado para os usuários do Waves.

 

Isso é para a nova geração e para todos: sempre siga seu sonho, corra atrás que um dia chega. Siga seus instintos, mesmo que demore um dia vai se realizar. Agradeço a todos que me ajudaram chegar onde estou, gosto do que sou e da onde vim, ?o que sinto arde em segredos e uma chama que chama vencer?.

 

 

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