A temporada de inverno havaiana tem sido marcada por grandes ondulações. No North Shore da ilha de Oahu não foi diferente, mas as coisas começaram a esquentar mesmo no final de novembro, durante a reta final do WQS de Haleiwa.
Poucos dias depois, no WQS de Sunset, ondas gigantes adiaram o evento por dois dias. Até a cabine de salva-vidas teve que mudar de lugar, pois o mar quase a levou embora. Naqueles dias era Waimea que fazia a cabeça geral. Crowd o dia inteiro, ondas de 4 a 5 metros, algumas maiores, talvez com 6.
Nos dias seguintes o mar deu uma trégua. A disputa em Sunset rolava em alto nível. Em uma quinta-feira (3/12), aconteceu a cerimônia de abertura do Quiksilver em Memória de Eddie Aikau. Aí o bicho começou a pegar novamente.
Neste dia surgiu a oportunidade de conhecer Phantons, um pico que é surfado também de tow-in. O Stephan Figueredo deu a pilha, ligando para o Gordo (Felipe Cesarano) e falando que iria surfar lá. Nesta hora estávamos juntos, preparando-se para encarar Waimea. Mudança de planos.
Phantons fica em uma bancada de coral, no outside de V-land. São 15 minutos de remada até o pico. Fomos eu, Felipe Giusti, Gordo, Eduardo Carica, Rafael Barriga e o Rafinha. Chegando lá, as ondas vinham com até 5 metros e quebravam para os dois lados. A esquerda é uma onda gigante, longa e drop muito casca! Já a direita é um dropão mais perto do canal.
Ficamos pelas direitas, pois ninguém queria arriscar um caldão ali. Cada um conseguiu pegar uma onda e vencer o desafio de surfar um novo pico de ondas grandes pela primeira vez. Só não contava com uma série gigante, a maior até então, fazendo todos correrem para o canal.
Nesta hora eu e o Stephan tivemos que abandonar as pranchas. Tomamos a onda na cabeça. Eu, que estava mais embaixo, tomei uma de 5 metros na cabeça. Foi o maior caldo que já tomei. Fui para baixo do pico e tomei a segunda da série, outro caldão.
Quando voltei à superfície pela segunda vez, vi que só havia metade da minha prancha 10’4” na cordinha. Estava no meio mar e sem prancha. Levantei os braços para a galera me ver e o Felipe Giusti foi me rebocar da área do espumeiro. Foram uns 45 minutos até sair do mar, com os dois pedaços da prancha.
O dia seguinte foi uma sexta-feira, 4 de dezembro, dia da final em Sunset. A estrela de Joel Parkinson brilhou e ele levou o titulo, com o havaiano Sunny Garcia em segundo. Sábado, dia 5 de dezembro, Waimea quebrou com 7 metros na face da onda. Surfei as maiores da minha vida. A experiência em Phantons, dois dias antes, me deixou mais firme na prancha. O Felipe Giusti foi demais. Ele mal sentou no pico e já dropou uma bomba, a maior que já vi ele pegar.
No dia seguinte foi realizada a disputa do Eddie Aikau em Waimea, o evento mais esperado do ano. Foi um verdadeiro show da natureza, deixando todos de boca aberta, multidão na praia, trânsito parado. Um dia para ficar na história.
Um dia depois surfei Waimea com até 6,5 metros. Ficou marcado, um novo nível alcançado com direito a mais um caldo para a coleção. No dia 23 de dezembro surfamos em Pipeline com até 3,5 metros, com direito a uma foto que gostei muito, tirada de dentro da água pelo brother Rafael Sterza.
Mas o melhor mesmo foi o presentão do dia 25 de natal. Surfei Waimea com até 8 metros, em uma queda de 4 horas. Peguei as maiores ondas da minha vida. Vinte minutos depois que saí do mar, entrou uma série fechando a baía. Todos tomaram na cabeça. 90% dos que estavam na água saíram, alguns com ajuda de jet skis. O que aconteceu lá não foi brincadeira.
Agradeço o fotógrafo profissional Bidu, que eternizou momentos históricos do Hawaii. Também ao Felipe Cesarano, o Gordo, que é quem mais me instiga a quebrar meus limites. Obrigado pelo apoio
Inject Brasil e Surf PB.