Trip for fun

El Salvador sem crowd

No começo de 2009, tinha em mente fazer uma surf trip para algum lugar paradisíaco, sem crowd, quente e com altas ondas.

Comecei a pesquisar, falar com amigos para ver algum lugar que se encaixasse nesses itens.

Paradisiaco? Água quente? Altas ondas?! Bali, Austrália, Tahiti e Fiji se encaixariam facilmente nesses itens, mas aí vem o crowd. Com isso tudo, crowd é inevitável…

Bem, queria viajar de qualquer maneira e, como tenho uma irmã que mora na Austrália, a Gold Coast seria meu destino.

Um amigo das antigas, Sérgio Kellermann, 40, ao saber da minha intenção, entrou em contato comigo para ir junto na barca.

Nos reunimos para falar sobre a trip e, como eu já havia estado na Austrália, comecei a contar sobre as ondas, o país, etc…

Aí vieram à tona aqueles quatro itens: paradisiaco, quente, sem crowd e altas ondas.

Quem conhece sabe de todas as qualidades da Austrália, mas, no quesito crowd, não estava se encaixando naquilo que procurávamos. Então, ele comentou que havia ido pra El Salvador, na América Central.

No começo relutei e fiquei pensando na guerra civil , violência que assolou aquele país na década de 90.

Sérgio me tranquilizou e me contou que não era nada disso! Comecei a pesquisar sobre aquele país e suas ondas. O que vi me deixou muito à vontade no que diz respeito às ondas. Vi boas fotos e comentários de
várias pessoas que visitaram aquele local – agua quente, terral, etc.

Pronto!! Depois de alguns dia estava decidido! El Salvador era nosso destino.

Sérgio mostrou algumas fotos e me contou sobre as ondas de Las Flores e Punta Mango. Pelas fotos e seus comentários, já estava ficando fissurado.

Procura passagem, procura hotel, manda fazer o quiver!

No dia 29 de agosto, partimos rumo a San Salvador com escala em Lima, no Peru. Viagem tem seus perrengues também – paga taxa, espera de 5 horas e depois de algumas cusquenhas seguimos ao nosso destino.

Do aeroporto fomos direto a Sunzal. Chegamos ao hotel e podíamos escutar o barulho do mar. Nada muito animador. Fomos dormir cansados e louco para o dia amanhecer. Colocamos as quilhas, cordinha, parafina e fomos pra cama.

No outro dia, para nosso desespero, o mar estava pequeno. Pequenas ondas quebravam na bancada sem ninguém no mar.

Fomos pra água assim mesmo. Conseguimos pegar algumas ondas que nos deixaram um pouco aliviados para o primeiro dia.

Checando a net, as previsões não eram muito otimistas. Swell só na próxima semana.

Passando os dias, o mar subiu e boas ondas entraram, para o nosso delírio e do crowd de americanos que estavam por ali.

Mas nossa meta era surfar Las Flores (lugar paradisiaco , quente, sem crowd e altas ondas! Se lembram?). Depois de 10 dias surfando Sunzal, La Bocana e Km 59, partimos para a região de San Miguel, onde se encontram as boas direitas de Las Flores e Punta Mango.

Havia previsão de um swell entrando e vimos pela webcam alguma ondas entrando, o que nos deixou na fissura.

Pegamos um transfer e chegamos ao Atlakamani Hotel. Corremos para a praia e a decepção foi grande. Um mar flat e mexido.

Saímos de Sunzal com ondas de 1,5 a 2 metros e lá nada. O jeito foi tomar a tradicional Pilsener Salvadorenha.

Checando os sites de previsão, vimos que estava pra encostar um swell no outro dia.

Não botei fé, mas fomos dormir com toda esperança nisso. Ao acordar, novamente a decepção. Maré cheia, marolas e um calor insuportável.

Voltamos ao hotel. Ping Pong foi a solução. Depois de algumas cervejas, fomos para a praia, de prancha, pra dar um mergulho.

Ao chegarmos, uma grata surpresa nos aguardava. Maré seca, vento terral e linhas perfeitas que surgiram do nada entrando! Sem ninguém na água!!! Correndo para a água, ondas de 1 metros com séries maiores entrando sem parar. E o melhor, dois amigos no line-up, coisa
linda!!

Depois disso, vimos a grande importância da maré para aquelas ondas funcionarem realmente.

Acordando diariamente às 5 da manhã e ficamos 12 dias nessa região com o mar variando de 1 a 2,5 metros e sem crowd algum, apenas alguns americanos de pranchão e alguns brazucas que monitoraram o swell também.

Linhas perfeitas e tubulares quebravam junto à famosa pedra para nosso delírio e de todos que estavam lá. Rapidamente a notícia se espalhou e nos últimos três dias o crowd chegou com tudo. Mas já estávamos de cabeça
feita e nossa missão estava cumprida em surfar aquelas ondas.

Resumindo: lugar paradisíaco, sem crowd, quente e com altas ondas.

Queria deixar aqui agradecimentos especiais ao locais do pico, pescadores da região que fazem o transporte de barco até Punta Mango – Vladimir, José, Cheche do Atlakamani Hotel e em especial ao Lito, surfista e único fotográfo daquela região.

Aloha!

Nagel Mello, 41, e Sérgio Kellerman, 40, free surfers de Balneário Camboriú (SC).

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