
Estou preocupado com a falta de educação dentro da água, principalmente quando o mar está pequeno e fica cheio de praticantes iniciantes, muitos deles usando longboard sem controle algum.
No último verão, tive vários problemas na Prainha e comecei a reclamar. Acho que temos que mudar a atitude na arrebentação antes que isso vire uma tarefa impossível.
Não sou nenhum santo surfando, mas o que tem acontecido está acima de qualquer simples rabeada.
É um clima de desespero urbano, para pegar ondas de qualquer maneira, mesmo que para isso o surfista tenha que rabear, atropelar e colocar em risco quem estiver no caminho.
Em fevereiro passado, fui atropelado por um longboarder que remou desesperadamente em uma marola, de cabeça baixa, achando que por estar em um pranchão ia entrar de qualquer jeito na onda.
Depois que entrou, ele levantou a cabeça e estava acompanhado por mais três ‘malandrinhos’. Ele não conseguiu virar sua prancha, por ser grande demais e por não ter habilidade, e veio na minha direção, atravessou a prancha que eu usava e por sorte não me tocou.
Ainda falou que só quebrou a prancha por que eu afundei e abandonei. Imagina se eu não largo e afundo, ia me acertar em cheio.
Não sei bem o que fazer, mas os iniciantes deveriam procurar locais mais apropriados, principalmente em ondas abaixo de 1 metro, e não ficar disputando com os veteranos na Prainha, em Maresias, Itaúna, Itamambuca, entre outras praias.
Outra coisa que incomoda são muitos longboarders no pico. Como é que eu vou disputar uma onda com um pranchão? O raio de ação de uma prancha pequena é de mais ou menos cinco metros. Um pranchão cobre a distância de até 20 metros.
Surfar de pranchão, principalmente para os que estão começando é melhor em ondas mais cheias de até meio metro, como as da praia da Macumba. Eu mesmo tenho um 9’0 para surfar no Forte Copacabana. Aliás, peguei altas na semana passada, algumas lá de fora até o píer do Salvamar.
Tem outra coisa que temos que levar em consideração: o espírito do surf de longboard é outro, é mais diversão, os praticantes se rabeiam numa boa, vão cinco na mesma e tudo bem.
Só que isso não funciona no espírito individualista do surf de pranchinha. Onde existem os dois tipos de surfistas tem que existir respeito, e os longboarders têm de compreender e aguardar a vez, ainda mais sabendo da vantagem que eles têm na remada.
As escolinhas são muito importantes neste processo. E eu tenho visto o mau exemplo começar de baixo, com algumas escolas dando aulas para muitos alunos, porém com poucos instrutores e em um espaço muito pequeno.
Às vezes vejo instrutores empurrando dois alunos na mesma onda, o que é um risco de acidentes e mau exemplo. Alunos que rabeiam deveriam ser punidos com flexões ou castigos similares.
Mesmo sabendo que mudar os hábitos adquiridos é muito difícil, ainda mais em um país sem educação como o nosso, não podemos nos entregar. Já que educar as pessoas nas ruas está além de nossa comunidade, pelo menos dentro da água temos que dar o exemplo da nossa conscientização.
Minha intenção não é falar mal desta ou daquela categoria, e sim melhorar a educação na água. Boas ondas a todos os surfistas e respeitem o próximo.