Dupla dinâmica se despede do circuito mundial

Depois de abrir as portas do mundo para o surfe brasileiro e disputar o WCT por 15 anos, o paraibano Fábio Gouveia e o catarinense Flávio “Teco” Padaratz têm as últimas aparições oficiais no circuito mundial de surfe profissional no Xbox Pipeline Masters 2003, no Hawaii.

 

Eliminado na quarta colocação na segunda bateria da repescagem, realizada no último sábado em Pipeline, Teco finalizou a etapa em 33o lugar, encerrando qualquer possibilidade de permanecer na elite mundial na próxima temporada. Com isso, depois de tanto tempo competindo no circuito mundial, ele provavelmente finaliza a carreira internacional.

 

Já Gouveia, ficou em segundo lugar na oitava bateria, vencida por Mark Occhilupo, e continua na disputa do Pipe Masters, mas não tem mais chances de ficar entre os 28 primeiros colocados no ranking, automaticamente classificados para o próximo ano. Ambos também não conseguiram ficar entre os 15 primeiros colocados no ranking do WQS, lista que classifica para o WCT do ano seguinte.

 

Agora, Teco deve passar mais tempo no Brasil, ao lado da família, onde pela primeira vez na carreira irá disputar integralmente o circuito brasileiro profissional. O próprio atleta fez o pedido ao Grupo Abril, organizador do SuperSurf, e foi prontamente atendido por Evandro Abreu, diretor de eventos da Unidade Jovem do Grupo Abril e responsável pelo circuito.

 

“É mais um grande atleta que irá abrilhantar o SuperSurf e não poderíamos deixar de atender o pedido. O Teco Padaratz está confirmado para disputar o título brasileiro em todas as etapas do ano que vem”, garante Abreu.

 

Aos 33 anos, o atleta conseguiu importantes conquistas em sua carreira, como dois títulos mundiais no WQS (92 e 99), com três vitórias em etapas da segunda divisão; e duas em etapas do WCT – 91 no Alternativa Surf International, Rio de Janeiro; e em 94, no Rip Curl Pro, França. Ainda em 94, o atleta finalizou a temporada na oitava posição, melhor resultado na carreira.

 

Além disso, Teco já deu o primeiro passo nos negócios, ao assumir a sociedade na Tropical Brasil, ao lado do shaper e mentor Avelino Bastos, e ao dirigir a etapa brasileira do WCT, no último mês de outubro, em Santa Catarina – sendo o primeiro surfista do tour a receber a licença para fazer uma etapa do WCT.

 

Fábio Gouveia, de 35 anos, também foi (e continua sendo) um dos principais embaixadores do surfe brasileiro. A melhor temporada foi em 92, quando foi quinto do ranking. No total, foram quatro vitórias em etapas do WCT – em 90 no Hang Loose Pro, no Brasil, em 91 no Arena Surfmasters, na França, e no Hard Rock Café World Cup, no Hawaii (único brazuca a conquistar tal feito), e em 92 no Marui Pro, no Japão – e sete no WQS, circuito do qual também foi campeão mundial, em 98.

 

Além deles, outros nomes saem da lista dos top 45 do WCT para o ano que vem. O Brasil perde, além de Teco e Gouveia, o estreante Danilo Costa, que não teve um bom ano devido às seguidas contusões, apesar do brilhante terceiro lugar em Teahupoo, no início da temporada. Fora os brazucas, também caem fora Shane Powell, Luke Hitchings e Luke Stedman, da Austrália, e Shane Dorian, do Hawaii.

 

Das 45 vagas para o tour em 2004, 43 já estão confirmadas. As duas restantes devem ficar com os australianos Nathan Hedge e Beau Emerton, mas ainda há uma remota chance para o campeão de Haleiwa, Troy Brooks, também da Austrália.

 

Os três wildcards da próxima temporada ficam com o havaiano Sunny Garcia, o norte-americano Pat O’Connell e o aussie Michael Campbell, que também foram prejudicados por causa de lesões que os afastaram de etapas importantes este ano.

 

Com isso, o Brasil terá oito representantes no próximo ano: Guilherme Herdy, Victor Ribas, Peterson Rosa, Paulo Moura, Neco Padaratz, Armando Daltro, Raoni Monteiro e Marcelo Nunes, estes quatro últimos classificados pelo ranking do WQS.

 

O Waves.Terra deixa aqui uma sincera homenagem aos dois principais pioneiros do surf brasileiro no circuito mundial WCT, Fábio Gouveia e Flávio Padaratz, pelos excelentes serviços prestados ao esporte nos últimos 15 anos. Que a renovação no circuito mundial venha à altura dos dois que se despedem.

 

Atletas que continuam no WCT

 

Kelly Slater (EUA)
Andy Irons (Haw)
Taj Burrow (Aus)
Mick Fanning (Aus)
Kieren Perrow (Aus)
Joel Parkinson (Aus)
Taylor Knox (EUA)
Michael Lowe (Aus)
Jake Paterson (Aus)
Dean Morrison (Aus)
Cory Lopez (EUA)
Shea Lopez (EUA)
Daniel Wills (Aus)
Mark Occhilupo (Aus)
Richard Lovett (Aus)
Damien Hobgood (EUA)
Luke Egan (Aus)
Phillip MacDonald (Aus)
CJ Hobgood (EUA)
Guilherme Herdy (Bra)
Kalani Robb (Haw)
Victor Ribas (Bra)
Nathan Hedge (Aus)*
Beau Emerton (Aus)*
Trent Munro (Aus)
Peterson Rosa (Bra)
Paulo Moura (Bra)
Neco Padaratz (Bra)

Chris Davidson (Aus)
Lee Winkler (Aus)
Armando Daltro (Bra)
Darren O’Rafferty (Aus)
Toby Martin (Aus)
Tim Curran (EUA)
Nathan Webster (Aus)
Tom Whitaker (Aus)

WC – Michael Campbell (Aus)
WC – Pat O’Connell (EUA)
WC – Sunny Garcia (Haw)

 

Voltam: Shane Beschen (EUA), Greg Emslie (Afr), Marcelo Nunes (Bra)
Novos: Bruce Irons (Haw), Eric Rebiere (Fra), Raoni Monteiro (Bra)

 

* Não estão matematicamente garantidos

 

** Colaborou Alexandre Campbell

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