Durante a Expedição Surfando na Selva ? Black Dragon, em busca da pororoca chinesa no início de agosto, a dupla Serginho Laus e Jorge Pacelli se encontrou mais uma vez para marcar história no surf de maré. Dessa vez o encontro rolou no rio Quintang, localizado na bela cidade de Hangzhou, noroeste da China.
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As histórias já relatadas aqui no site Waves mostraram uma surf trip diferente e com peculiaridades a parte. Mas os brasileiros não esperavam estampar na capa dos principais jornais da província de Zejiang, roubando a cena até das expectativas dos Jogos Olímpicos.
Além dos jornais, Pacelli e Laus participaram de coletivas para imprensa e sempre eram assediados por paparazis locais, que buscavam soltar a grande notícia antes da autorização do governo chinês.
?Durante uma reunião com as autoridades de Hangzhou, o chefe dos esportes, o senhor Zhao Rougfu, recebeu um jornal com nossa imagem na capa. O mesmo ficou furioso e mandou todos os jornalistas para fora da sala, ficando emburrado e falando alto. Depois fui saber que eles estavam tentando camuflar a notícia, para soltar apenas depois de avaliar os riscos da empreitada?, relata Laus, recordista mundial de surf na pororoca.
Segundo Rougfu, essa expedição entra para a história da província, que estará registrando nos documentos oficiais o ineditismo dos brasileiros especialistas em ondas de marés.
?Eles foram os primeiros a serem convidados pelo governo e terem todas as honras para encaram o grande Dragão. É uma honra para nós poder observar esse espetáculo, que será repetido por mais vezes pelos brasileiros?, diz Zhao Rougfu.
Antes da equipe Surfando na Selva, o inglês Stuart Mathews e equipe estiveram no rio Quintang em 1988. Porém, equipamentos impróprios e a falta de sorte fizeram com que no primeiro dia de surf, após pagar um bom dinheiro para serem liberados para a ação em condições extremas, naufragasse.
Assustados com a força da maré a equipe recuou, não voltando mais para a China. Eles ainda editaram um filme – ?Jaws of Dragon?, que relata a aventura.
Já no ao passado, o francês Antonie ?Yep? Colas e sua equipe, fizeram também uma tentativa de surfar a pororoca chinesa, porém sem autorização, ou seja, ilegalmente.
?Yep me mandou um email convidando para a expedição, mas como não tinham a autorização meus representantes na China pediram para abortar a missão, pois poderia dar cadeia e nunca mais voltar para fazer um trabalho?, conta Laus.
A equipe conseguiu surfar, mas sem logística para explorar as melhores ondas e captar imagens. O brasileiro Eduardo Bagé estava na trip e junto com o ?Hulck?, apelido de seu companheiro de surf, levaram uma dura da polícia junto com Yep. Feito esse que fez os governantes marcarem os nomes das pessoas numa lista negra.
?Infelizmente eles estão sob vigia das autoridades, que me apresentaram, num tom nada humorado, um documento com o nome deles e de Gary Linden, presente também no local?, diz Laus.
Uma semana depois da chegada de Pacelli e Laus em Hangzhou, os norte-americanos Brad Gerlach e Mike Cianciulli, editor sênior do site Surfline, chegaram ao local para também provar das garras do Dragão.
A total falta de experiência em ondas de maré causou situações de risco para os americanos que se achavam os ?bons do pedaço?, assim levando uma verdadeira ?coça? do Dragão.
Sem equipamentos adequados para a ação, os americanos perderam credibilidade com as autoridades locais e ficam mais uma vez em segundo plano. Porém, em relatos já publicados a aparência é outra.
Sempre estão arrumando uma forma de sair por cima. Nada de novidade para quem já está acostumado a lidar com esse tipo de pessoa.
?Esses gringos sempre chegam atrasados. Nós brasileiros enfrentamos as piores condições e depois eles vem perguntando como está lá dentro?, fala Pacelli.
Agora, os brasileiros que contam com os pilotos Márcio Pinheiro e Glauco Vaz, junto com o fotógrafo Likoska, aguardam a próxima chamada para reunir o resto da equipe e retornar pra China com equipamentos pesados para a produção de um filme.
Para obter mais informações sobre a equipe Surfando na Selva, envie mensagem para [email protected].
