Por trás das notas

Duelo de gerações marca estréia do WCT

Disputas entre jovens e veteranos marcaram as finais da primeira etapa do WCT, circuito mundial de surf, na Gold Coast australiana. Entre os homens deu a nova geração. A promessa australiana Dean Morrison, 22 anos, derrotou na final o veterano Mark Ochhilupo, 36 anos, e ficou com o título, largando na frente na corrida pelo título da temporada 2003.

 

Entre as mulheres, as veteranas Layne Beachley e Truddy Todd reagiram e fizeram a final, deixando a brasileira Jaqueline Silva e a nova estrela do surfe feminino, a peruana Sofia Mulanovich, num excelente terceiro lugar.

 

O melhor brasileiro entre os homens foi Neco Padaratz, que depois de ganhar de Luke Egan foi parado pelo americano Pat O’Connell, e terminou a etapa com um honroso quinto lugar. Sem dúvida este está sendo o melhor começo de ano da carreira de Neco.

 

Outro que mostrou um bom desempenho foi o baiano Armando Daltro, com um show no primeiro rounde. Infelizmente Mandinho foi parado na terceira fase, ficando em décimo sétimo junto com Peterson Rosa e Paulo Moura. O restante dos brasileiros ficou em trigésimo terceiro lugar.

 

Altas ondas quebraram durante a competição em Snnaper Rocks, pico situado quase na fronteira sul da Gold Coast, com direitas muito longas e manobráveis, talvez uma das ondas com mais potencial para manobras do circuito. Quem já surfou lá sabe do que eu estou falando.

 

Ainda me lembro da primeira vez que vi um vídeo desta onda, com o taitiano Vetea David. Ele simplesmente quebrava em ondas tão longas que o cinegrafista, depois de determinado ângulo, só conseguia filmar as costas da onda.

 

O resultado do masculino não era esperado, mas quem conhece nosso esporte sabe que os locais sempre levam vantagem, e além do grande potencial de Morrison, ele é local do pico, cresceu surfando em Snapper, e é protegido do ex-campeão mundial e atual presidente da ASP Rabbit Barthlomew.

 

Dean é da mesma geração de Joel Parkinson, Mick Fanning e Zane Harrison. Depois de ter sido convidado a disputar o tour este ano devido a uma contusão no final de 2002, o atleta justificou o convite ganhando a primeira etapa do ano.

 

Para os brasileiros foi um começo fraco. Tirando Jaqueline e Neco, ninguém deve usar os pontos desta etapa. O brasileiro está mostrando uma consistência incrível e Jacque está arrebentando, pois fazer semifinal na Austrália não é mole não.

 

Na próxima etapa, em Bell’s Beach, veremos quem vai levar a melhor, a molecada ou os mais experientes. Pelo peso da onda de Bell’s – e pelo atraso da Páscoa -, acho que vai dar um veterano nas ondas grandes e geladas do sul da Austrália. Boa sorte e boas ondas.

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

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Doutor Guilherme Vieira Lima, explica como a estabilidade do core define a potência das manobras e protege o corpo de lesões crônicas.