Este foi o primeiro grande swell da temporada havaiana e chegou tarde. Imaginem a ansiedade e fome dos big riders! Corri para Waimea com uma prancha emprestada. Nada menos que uma 10’8 reserva do Ross Clarke Jones. Minha gun nova estava no concerto e emprestei a antiga para o Caio Vaz.
Não gosto de falar em tamanho de mar. Afinal, cada um diz uma coisa. No resumo, a opinião geral era: séries de 5 a 6 metros constantes e 7 metros nas rainhas.
Logo na primeira onda, um australiano caiu no meu colo bem na base. Notei a prancha dele tocar meu corpo de leve. Pensei no perigo das cordinhas enroscarem. Senti medo, mas nada aconteceu. Todo sem graça, o aussie subiu se explicando e afirmou “ter tomado uma fechada do cara da frente”.
No meu ponto de vista, essa é a situação mais perigosa para quem surfa Waimea. O crowd é grande e está repleto de caras sem noção. Portanto, é lógico que rolam vários acidentes e fatalidades.
Por exemplo, os caras dropam em velocidades diferentes, não controlam a prancha, não seguem a linha de quem estão rabeando e tornam os choques inevitáveis.
Minha melhor onda foi justamente dividida com o dono da prancha – que honra! Estávamos conversando quando a série apontou no horizonte. Lembro de remar com todo gás e entrar na bomba.
O drop foi meio no vazio. Estávamos bem deep nessa hora. Aterrissei, estabilizei a prancha e então vi a bolha, enorme. Tive certeza do caldo, mas passei por cima dela sem sentir. Na minha frente, vi Ross, Lucas Silveira e o filho do Clark Abbey, lendário Mr. Waimea.
Cheguei na base escutando o estrondo da espuma logo atrás de mim. Sabia que iria me engolir a qualquer segundo. Não deu outra. Fui parar lá no fundo e tudo ficou escuro. Mantive a calma e subi relaxada.
Por sinal, usei um coletinho de surf pela primeira vez. Para falar a verdade, não senti muita diferença. Talvez existam modelos melhores para testar.
Enfim, peguei oito ondas em seis horas. Apesar de não muito grandes para os padrões do point, as ondas estavam cavadas, dificultavam o drop e serviram como excelente treino. Pretendo agora surfar os out reefs, onde o crowd é bem menor.
Confira no vídeo acima, a melhor onda de Silvia Nabuco durante a sessão registrada pelo videomaker Leandro Dora, o Grilo.
Foto de capa Ian Vaz