Dos grotões para o shape-room

#Todos nós sabemos que o Brasil é um celeiro de talentos e que muitos deles ficam escondidos pelos grotões desse imenso país. A história de Leandro Santos, 28 anos, há 9 como shaper, é mais uma dessas. Um garoto que nasceu no distrito de Bacaxá, município de Saquarema (RJ), de uma família modesta e trabalhadora e que, apesar das dificuldades da região, ralou e acreditou no seu sonho até conseguir se tornar o primeiro shaper saquaremense de alto nível.

Sua oficina fica no terreno da própria família, que sempre apoiou seu trabalho e ganhou um padrão confortável de vida para os parâmetros locais. Saquarema já teve diversas oficinas de shape, de Gary Linden a Mudinho e Otávio Pacheco, passando por tantos outros. Porém, nenhum deles era nativo. Todos vieram de fora e haviam escolhido a cidade como novo lar, nem que fosse só por algum tempo em suas vidas.

Atualmente, apenas o carioca Carlos Fernandes, irmão do shaper radicado no Hawaii Heitor Fernandes, mantém sua oficina em Saquarema. Leandro Santos começou seu envolvimento com o mundo das pranchas na oficina de Tom que fazia as pranchas ?Saquarema Surfing?, tendo inclusive sido presidente da Associação de Surf de Saquarema.

?Comecei na oficina raspando a parafina das pranchas, preparando-as para o conserto. Um dia passei a achar que poderia ser shaper?, lembra Leandro.

No começo ele observou o trabalho de alguns shapers, como o niteroiense Marcos Villaça, e aprendeu bastante. Em 94, conseguiu alavancar seu aprendizado ao passar um período de 8 meses em Santa Catarina, onde fez intercâmbio com a Cia. Catarinense de Laminação (CCL).

#Nessa época, cruzou com o shaper australiano radicado na Espanha Bruce McKee. Com 25 anos de profissão, o australiano trabalha para a Pukas no país das touradas e passou vários segredos da arte para Leandro. Em 2000, nova temporada em Santa Catarina, agora com os shapers Cristiano Mafazioli e Natanael Nunes. Foram quatro meses num rico intercâmbio profissional.

A partir daí, muito trabalho para encontrar o shape ideal e determinação para superar o preconceito dos próprios nativos saquaremenses. Sendo Bacaxá ?longe? da praia (15 minutos de ônibus e 10 de carro), sempre houve um a certa rixa entre a galera que mora no pico, seja na praia de Itaúna ou na Vila, e a galera que vinha da ?distante? Bacaxá. O que dizer então de um shaper vindo do segundo distrito, como é conhecida Bacaxá, que é aquela cidadezinha na beira da BR por onde se passa antes de chegar em Saquarema.

Porém, com o tempo, alguns talentos locais, como Alexandre Buri e Alesandra Vieira, começaram a usar e aprovar suas pranchas, passando assim a chamar a atenção para o trabalho do shaper que lentamente foi ganhando mercado, frente à concorrência das pranchas vindas de fora.

Passou a ser comum ver suas pranchas vindo nas melhores ondas da série em Itaúna. Aliás, ter Saquarema como campo de teste foi decisivo para o progresso do shaper bacaxense. ?Aqui testo todos os tamanhos de prancha, da mais hotdog à mais gunzeira?, conta Leandro.

?E a onda te permite ganhar muita sensibilidade sobre como a prancha funciona?, completa. Hoje o shaper se orgulha em dizer que dois atletas da região integraram a equipe do ISA Games utilizando suas pranchas.

#A saquaremense Thais de Almeida corre o Super Surf há três anos com suas pranchas, tendo terminado em 4º lugar no ranking do ano passado. No ISA Games também fez bonito, apesar de não ter feito a final. Seu quiver era composto de cinco pranchas: duas 5?10? swallow, uma 6?0? round pin, uma 6?3? round pin e uma 6?6? round pin.

O outro atleta a integrar a equipe do ISA Games foi o kneeboarder Eduardo Machado, de Araruama, cidade da Região dos Lagos. Para a competição, ele levou três pranchas: 6?0?, 6?3? e 6?6? ? todas swallow.

Vencido o preconceito inicial, Leandro tem hoje como maior dificuldade a falta de mão de obra especializada. Não é raro que ele seja obrigado a laminar, lixar e polir as pranchas que faz. Desse jeito sua produção não perde velocidade, mas ele acaba não se concentrando no que deveria ser seu único foco: shapear pranchas e administrar o negócio.

Esse problema só tende a se agravar, pois a cidade tem hoje uma escolinha e uma associação de surf que fomentam novos talentos, que em breve desejarão ter pranchas. Caso continue a atual restrição de mão de obra, não será possível ao shaper bacaxense acompanhar o crescimento do esporte nos próximos anos, pois sua produção se estrangulará rapidamente.

Hoje Leandro Santos vive o típico dilema das pequenas empresas, que precisam alavancar sua estrutura para crescer e ganhar o mercado, inclusive fora de Saquarema.

Para saber mais sobre o shaper acesse www.lssurfboards.hpg.com.br ou ligue para (0xx22) 9211-3567 ou (0xx22) 2031-1060.

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