#Na edição de janeiro da Revista Fluir, o leitor foi brindado com dois artigos que apresentavam pontos de vista absolutamente opostos sobre os recentes feitos da dupla Carlos Burle e Eraldo Gueiros em Maverick?s, na Califórnia.
Pode-se dizer que foi uma amostra bastante interessante das diferentes correntes de pensamento possíveis dentro do surf brasileiro.
Os artigos foram escritos por dois ícones de nosso esporte. De um lado, o surfista e jornalista Fred D?Orey, com seu irretocável histórico como excelente surfista hotdogger (Fred, me perdoe se você não gostou da definição, mas é um elogio com certeza).
Do outro, o big rider e comunicador Ricardo Bocão, cuja experiência o faz, sem exagero, o colunista mais credenciado do Brasil quando se trata de falar em big surf.
D?Orey, numa atitude corajosa e plenamente conflitante com toda mídia atual, mostra um total desprezo pelos big riders, chegando ao extremo de considerar a maioria dos ícones do big surf (incluindo Greg Noll!) como pernas de pau nas ondas pequenas que buscavam compensar sua inabilidade surfando ondas grandes, ou melhor, gigantes.
#O colunista faz questão, entretanto, de tirar Burle e Eraldo dessa categoria, reconhecendo a competência deles em todos tamanhos de onda.
Antes de julgar Fred, vale lembrar que ele mesmo se penitencia no texto, não desconsiderando a possibilidade de haver uma pontinha de inveja em suas palavras.
De fato, um gentleman com uma visão crítica, quase ácida, da atual febre em torno do big surf, na qual ele não deixa de ver interesses puramente mercantilistas da imprensa por trás dessa avalanche de matérias sobre surf em ondas gigantes.
Por outro lado, o texto de Bocão é pura excitação com os limites do big surf, que têm sido sucessivamente superados. A definição de big surf, segundo o colunista, tem de passar por uma redefinição, pois o que era gigante há uma década com certeza não é gigante hoje, ainda que ponha medo na maioria dos mortais, ou seja, nós leitores.
Bocão ainda nós dá alguns exemplos saborosos de condições de surf no Hawaii que não são mais classificadas como gigantes, mas que poderiam dar o maior sufoco na maioria dos surfistas. Coisas básicas como um Sunset de 15 a 18 pés.
Frieza x Paixão: duas visões tão distintas e tão interessantes de um mesmo assunto: a eterna busca da superação dos limites pelo homem.
Quem ganha com isso é o surf brasileiro, que demonstra um amadurecimento cada vez maior ao apresentar opiniões tão diferentes e, ao mesmo tempo, tão consistentes. Só a leitura dos dois textos já vale pela revista inteira.