Muita coisa mudou na vida do surfista cearense Pablo Paulino depois da vitória no
Mundial Júnior em janeiro deste ano na Austrália.

 

Porém, poucas pessoas sabem que muita coisa também mudou na vida de Thiago Bastos Cunha, shaper e responsável pelo desenvolvimento do atleta.

 

Durante anos a fio, Thiago lutou para conseguir dar condições mínimas de trabalho para Pablo.

 

O shaper perdeu as contas do número de vezes em que empresários “roeram a corda” na última hora, às vésperas das competições, e não cumpriram cotas de patrocínio acertadas.

 

No ISA Games da África do Sul, em 2003, um

“patrocinador” prometeu bancar a passagem aérea e, na hora da verdade, simplesmente sumiu.

 

Numa atitude corajosa e quase irresponsável do ponto de vista financeiro, Thiago arcou com as despesas da passagem sem ter reais condições para tanto, uma vez que já estava bancando outros custos, além do equipamento.

 

Como conseqüência, ele teve o cartão de crédito bloqueado por um ano. Pablo Paulino foi sétimo colocado na competição, estabeleceu a maior media do evento e ganhou uma experiência que seria fundamental no Mundial Júnior, um ano depois.

 

Desse fato todos tomaram conhecimento, mas as dificuldades que o shaper passou em decorrência do cartão bloqueado só ele sentiu na pele.

 

Depois que seu pupilo tornou-se campeão mundial Júnior, Thiago Cunha passou a ter um tipo de problema que antes desconhecia: o assédio de empresas ávidas a patrocinar a nova estrela, além de empresários sedentos por carona na imagem do atleta, sem vínculo algum com ele.

 

Um exemplo ocorreu quando uma badalada revista de moda apareceu na Casa dos Surfistas, projeto de Thiago Cunha ao lado da oficina, para fazer uma foto de Pablo.

 

Porém, a produção levou peças de uma marca famosa sem qualquer relação de patrocínio com o atleta, para uma belíssima carona na matéria.

 

Cunha impediu a foto com roupas da produção. Inacreditavelmente, alegaram não ter percebido o “detalhe” de que havia compromisso do atleta com o patrocinador dele.

 

Ao longo dos cinco anos de trabalho com Pablo Paulino, Thiago Cunha estima já ter investido aproximadamente R$ 200 mil, dos quais seguramente ainda não viu o retorno financeiro.

 

O apoio da esposa Sheila ao projeto tem sido fundamental, tanto para compreender e apoiar os investimentos como para fazer o papel de “segunda mãe” dos moradores da Casa dos Surfistas.

 

Quando Paulino sentia saudades da família, por exemplo, era ela quem fazia a lasanha para levantar o ânimo do garoto.

 

Agora Pablo Paulino está morando em São Paulo, no CT da Billabong em Camburi, e tornou-se um atleta mais maduro e atento às armadilhas do mercado.

 

Porém, sua relação de fidelidade e gratidão ao mentor Thiago Cunha permanece sólida frente às abordagens oportunistas – e é bom para o surfe brasileiro que assim continue.

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