Na entrevista abaixo, concedida com exclusividade ao site Waves, a jovem e promissora diretora carioca, Carla Lima, mostra que sua percepção está em total sintonia com os novos movimentos de mercado.
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À frente de produções no Canal Off, da Globosat, Carlinha aprimorou sua técnica de captação de imagens aquáticas em trabalhos como o programa Sol & Sal, que tem como protagonista a ex-competidora e agora freesurfer profissional, Claudia Gonçalves.
Carla está finalizando um documentário sobre Helisnow na Islândia e, de quebra, produz um novo programa.
Você é uma das poucas, se não a única mulher, a fotografar e filmar dentro da água. Como você desenvolveu essa técnica e como se prepara para conseguir captar imagens em condições mais punks?
Na verdade, sempre fui mais no feeling do que na técnica. Quando comecei a filmar de dentro d’água, eu já surfava e já tinha competido natação por anos, e claro já filmava de fora, apesar de nunca ter sido a minha primeira e nem segunda função. Então, já tinha noção de enquadramento e sabia o momento certo da manobra. Depois disso, era acertar o momento, calibrar a câmera de maneira correta e nadar, nadar muito para se manter no pico. Eu treino forte, faço treinamento funcional com o Gabriel do Surfelates no Rio, de 3 a 4 vezes por semana. Ele me prepara não só para o surfe, mas, principalmente, para tomar a maior da série em dias de ressaca na Barra da Tijuca. Ele me faz varar inúmeras vezes a arrebentação nadando com o pé de pato para aumentar a minha resistência, fora todos os exercícios de fora d’água. Nos outros dias da semana fazemos treino funcional de corrida na praia com o Alexandre Ribeiro, o ultra-man, que me põe na linha e que também aumenta muito o condicionamento já que a areia força mais e ao mesmo tempo protege o corpo das lesões.
Quais são os projetos que você está trabalhando hoje em dia?
Estou gravando a terceira temporada do Sol & Sal para o Canal OFF, em finalização de um documentário sobre Helisnow na Islândia e em fase de pré-produção do Dois Estilos, uma série da história do surfe longboard. E, ainda em fase de captação do documentário Pelos Olhos de Gana.
Seus projetos, além do surfe e do snow, tem algum outro direcionamento?
O mercado sempre me puxou para o lado dos esportes, já trabalhei também com o Tour do Rio, maior evento de ciclismo da América Latina, na parte de vídeos e ainda a Copa Light, outro evento de ciclismo brasileiro, mas também já trabalhei com DVDs de música, que gosto bastante, e institucionais.
Como é a sua relação com o surfe, desde quando pega onda?
O surfe é o meu estilo de vida, foi ele quem me proporcionou trabalhar com o que eu mais amo, a estar no lugar que é meu habitat natural. Não tem ambiente no mundo que eu me sinta mais confortável do que dentro d’água. Mas não sou aquela fissurada, em dia de mar muito ruim eu prefiro nadar do que surfar, mas é aquilo, preciso estar ali na praia, observando, respirando aquela energia. Surfo desde os 16 anos, mas o mais importante é o esporte estar na sua alma, no seu coração.
Como você analisa a produção do mercado audiovisual relacionado ao surfe no Brasil?
Acredito que estamos evoluindo, demos grandes passos com os filmes Surf Adventures I e II levando muitos brasileiros há alguns anos às grandes telas. O mercado vem crescendo com canais na TV fechada direcionados ao surfe e a outros esportes radicais e aos poucos estamos melhorando as transmissões de campeonatos ao vivo pela internet. Acho que estamos no caminho certo para que a indústria audiovisual de surfe no Brasil não deixe a desejar da qualidade dos gringos em breve.
Como sua produtora vem lidando com o advento da internet e suas várias possibilidades?
A internet veio para aumentar a nossa capacidade de comunicação. Antes o que demorava anos para chegar no Brasil hoje chega em minutos. Acredito que a internet possibilitou a busca por referências, a divulgação do trabalho, o acesso ao mundo inteiro em algo simples e extraordinário, fora que a internet é mais um nicho para as produtoras audiovisuais aonde o trabalho normalmente é de curta duração e maior quantidade devido a velocidade da informação que ela propaga.
Em qual momento ser mulher facilita e quando complica?
Vivemos em um mundo machista, o esporte que eu faço e o meu trabalho são considerados “coisas” para homem, então não vejo muitas facilidades para ser sincera. Dentro d’água temos que remar de igual para igual, na hora que eu to filmando, percebo que antes das pessoas me verem trabalhar e o resultado do trabalho, ficam com aquela pulga atrás da orelha: será que ela vai entrar mesmo nesse mar? Será que vai se machucar? Nós somos o sexo frágil mas acredito que isso vem mudando, de pouco a pouco, estamos quebrando os tabus.
Qual momento, no surfe, você gostaria de ter filmado?
Em qualquer caída do Andy (Irons) em Pipe ou Backdoor.