Enquanto espero longas horas para o meu embarque no aeroporto de Guangzhou, na China, escrevo de degusto minha experiência no Mundial de Longboard Feminino.
Na tropical ilha de Hainan, ao sul da China, foi realizado o Swatch Girls Pro China, o evento que define a campeã mundial de long.
Diferente do ano passado, chegamos com ótimas condições de onda, um point break de esquerdas em torno de meio metro, com séries de até 1 metro, o que nos surpreendeu.
Tratamos então de correr com as baterias, antes que o mar baixasse e, em três dias, finalizamos o campeonato – entre os dias 20 e 23 de novembro.
As brasileiras que participaram do mundial foram Cristiana Pires, Chloe Calmon, Atalanta Batista, Karina Abras e eu.
Atalanta e Cris, apesar de terem surfado bem, pararam no segundo round, barradas por Wini Paul (Nova Zelândia) e Alice Melissa (Ilha Reunião), respectivamente. Eu e Karina avançamos uma fase.
No round 3, o surf progressivo de Karina perdeu para o clássico surf californiano de Tory Gilkerson.
Em minha bateria, enfrentei nada menos que a bicampeã mundial Jennifer Smith.
Fiquei muito feliz, consegui soltar o freio de mão e Jen virou faltando apenas cinco minutos para o término.
O melhor de tudo é que me diverti muito. Há tempos não surfava devido a algumas contusões que sofri ao longo deste ano. Mas, mesmo com prancha emprestada da minha amiga Atalanta, tive uma boa performance.
A melhor brasileira foi Chloé Calmon, que chegou para treinar na China três semanas antes. A carioca avançou para as quartas–de-final, perdendo apenas para a vice campeã da etapa, a australiana Chelsea Williams, dona de um polido e consistente surf.
Como um Déjà Vu, pela terceira vez consecutiva na China, a havaiana Kelia Moniz e a australiana Chelsea Willians se encontram na final. Em 2011, Chelsea ganhou o evento. Já em 2012, foi a vez de Kelia. Agora, na melhor de três, o Hawaii ficou com a vitória.
Nesse evento, ficou bem claro a tentativa de mudança e a nova preferência da ASP com relação aos critérios de julgamento do longboard. Houve uma reunião com todos os atletas (Feminino e Masculino) logo depois do encerramento do evento.
Finalmente os juízes estão valorizando as manobras mais tradicionais, o que causou controvérsias.
A ASP esta querendo resgatar o que foi perdido no longboard ao longo destes anos de circuito, a “real essência”.
Mas, em contraponto, as manobras mais progressivas foram uma evolução da própria categoria, e o que foi levantado pelos próprios atletas é que eles não deixam de executar manobras com classe como belos noseridings. Mas nada ficou definido ainda.
Elegemos nossos representantes os atletas Harley Ingleby e Chelsea Williams. Eles serão os porta-vozes na ASP e tudo será discutido e votado por e-mail. Esse foi só o começo, ainda vai dar no que falar. XieXie byby (obrigada em chinês).
Agradecimentos à QIBA (Quuensland International Business Academy), Prefeitura de Curitiba, Playground Surf Resort, Evoke.


















