
Na água a elite do surf de tow-in. Mais parecia um campeonato mundial, só que a premiação era o “simples” fato de fazer tow-in em Teahupoo e surfar essa poderosa esquerda.
Estavam na água as duplas Shane Dorian e Vetea David, Garret McNamara e Ikaika Kalama, Laird Hamilton e Dave Kalama, os locais Raimana e Manoa, Brad Gerlach e Mike Parsons e eu, que finalmente consegui realizar meu sonho de fazer tow-in em Teahupoo.
Ainda no Brasil, segunda feira, 19 de abril, 22 horas. Como de rotina, sempre dou uma checada no swell em alguns picos do mundo.

Foi quando entrei na área do Pacífico Sul e me deparei com uma bomba pegando fogo e se dirigindo rumo ao Tahiti.
Teahupoo Monstro – Sempre foi um sonho. Já tinha mandado esse projeto a todos meus patrocinadores e senti que o momento havia chego.
O swell com séries de até 10 metros estava previsto para quinta-feira (22/4). As mãos já começavam a suar.
Tinha somente um dia para agilizar tudo! O plano era embarcar

na quarta-feira pela manhã, chegar no mesmo dia à noite no Tahiti e estar na água com tudo pronto na quinta-feira cedo, o “dia D”.
Um check list mental começou naquele momento: Pranchas. Será que tem vôo? Fotógrafo, cinegrafista, dinheiro, parceiro, jet ski.
Com total ajuda dos meus patrocinadores, agilizei passagens, fotógrafo e cinegrafista. Aproveito aqui para agradecer a confiança de todos.
Minha nova prancha para tow-in só ficaria pronta na sexta-feira e foi preciso toda a atenção da fábrica, principalmente do Luiz, gerente da Tropical Brasil, e

também do shaper Avelino Bastos, que faz minhas pranchas de tow-in e está acertando todas. E ele acertou mais uma.
Pressionei o Fábio para entregar urgente alguns jogos de quilhas que havia encomendado, e com mais ou menos metade das coisas resolvidas, mesmo sem um parceiro brasileiro e um jet ski próprio, fomos com a cara e a coragem. Eu, o fótografo Motaury Porto e minha companheira e cinegrafista Fabiana Nigol.
Depois de quase um dia inteiro voando (são aproximadamente 14 horas de vôo) chegamos em Papeete.
Fomos recebidos ao som do delicioso ritmo tahitiano, com flores para serem colocadas sobre a orelha e já entramos no espírito tahitiano. Debaixo de muita chuva, nossos amigos locais nos esperavam com colares de flores e nos levaram para casa, quase em frente da sonhada onda de Teahupoo.
Bon Jours! Acordamos com chuva, pegamos um barquinho e fomos checar o pico. O swell ainda não tinha mostrado toda sua potência, mas séries de 8 pés já explodiam na bancada de Teahupoo, com formação irregular e vento meio ladal.
Há dois anos não surfava essa onda, uma das minhas preferidas. Vê-la quebrando é algo que não consigo explicar. Voltamos para o café e para procurar meus amigos Ikaika e Garret McNamara, pois tínhamos combinado de fazer tow-in juntos.
Encontrei Ikaika na vila e recebi a notícia de que o jet que usaríamos estava quebrado. O swell estava aumentando e a tarde seria o melhor momento. E agora? Pensei rapidamente e Ikaika, como se estivesse lendo meus pensamentos, disse que tinha alguns contatos e que me avisaria na seqüência. Nos falamos e ele propôs um aquecimento em Vairao, uma esquerda um pouco menor também pela área.
Peguei as pranchas e fui sozinho até nosso barco. Chovia muito. Não sei o que aconteceu, mas o barco não pegou e passei uma hora tentando fazê-lo funcionar. Fui atrás de um mecânico por toda vila e não estava acreditando. Altas ondas, barco novo, motor zero e nada?
Já dava para notar uma certa movimentação em Teahupoo, pois o mar já tinha crescido.
Resolvi abandonar o barco e tentar uma carona na marina. E não é que minha carona estava lá?! Dois jet skis com três tahitianos indo para Teahupoo com slad, corda e toda a simpatia que esse povo tem.
No caminho, Thierry disse que praticava foil board e que não surfaria, só estava indo para olhar a potência das ondas. Chegando no canal, não acreditei na cena. Raimana, local casca grossa, vinha em uma onda animal!
O mar não tinha mais nada a ver com o que vi pela manhã e o circo já estava todo armado. Os melhores do mundo estavam ali, com a mesma intenção. Na minha cabeça, uma felicidade muito grande, pois tive certeza que estava ali na hora certa e no local exato.
Não estava sol e chovia muito, mas as ondas que tanto sonhei estavam ali e isso era o que importava. Só faltava pegá-las! E mais uma vez Deus ouviu meus pensamentos.
Raimana veio até nosso jet e disse para Thierry me puxar devagarinho que ele conseguiria. Ele nunca tinha puxado ninguém nessas ondas, ainda mais fazendo tow-in.
E lá fomos nós concretizar o meu sonho. Mal acreditava. Começamos pegando umas menores e fomos nos familiarizando com o pico, até que entrou aquela série!
Viemos no lugar certo, larguei a corda e comecei a acelerar. A onda foi ficando maior e maior, dobrando de tamanho, e de repente lá estava eu, dentro do tubo que sonhei há anos, desde a primeira vez que vim para o Tahiti.
Do canal podia ouvir os gritos da galera. Sai perfeito e com uma satisfação enorme, uma sensação que droga nenhuma pode proporcionar a nenhum ser humano, eu acredito. Realizei meu sonho e coloquei a bandeira brasileira em mais um lugar nesse mundo!
E que lugar!
Aloha
Clique aqui e confira a galeria de fotos da session.