
Após rápida troca de e-mails com a jornalista do Waves.Terra Nancy Geringer, o big rider pernambucano Eraldo Gueiros relata um dia muito louco na vida de um surfista fissurado por ondas grandes.
Saiba como ele e seu parceiro Carlos Burle viajaram várias horas de avião e carro e ficaram sem dormir para encarar apenas algumas ondas em Jaws, na ilha de Maui, Hawaii, para logo depois partir em busca das ondas de Cortes Bank, na Califórnia. Tudo isso em 48 horas.
“Oi, Nancy
Vou te contar por alto a história mais louca que já vivi para surfar ondas grandes. Foi no dia 10 de janeiro de 2004. Eu e Carlos Burle estávamos de malas prontas para viajar no dia seguinte, às 14 horas, para a Califórnia, mais precisamente para surfar o pico de Cortes Bank, que segundo previsões poderia estar épico.

Por volta das 10 horas da noite, Burle me liga dizendo que a bóia do Hawaii estava marcando cerca de 6,5 metros (19 pés) com 20 segundos de intervalo, e que aquele swell que parecia ter apenas 6 metros estaria bem maior do que a gente esperava.
Quando eu liguei para checar as bóias, elas já marcavam quase 7 metros e 20 segundos de intervalo, então resolvemos fazer uma loucura: sair de Oahu na madrugada em direção à Maui, para surfar Jaws e voltar antes do meio-dia para pegar o vôo das 14 horas para a Califórnia.
Não pregamos mais os olhos dali em diante. Às 4:30 da madrugada Burle passou em casa, às 5:30 embarcamos para Maui, às 6 estávamos alugando um carro em Maui, às 6:30 estávamos com o jet-ski amarrado no carro alugado a base de cordas, pois não tinha engate. Às 7 estávamos em frente à baía onde se colocam os jets na água, o mar estava enorme e a baía fechando tudo.

Contamos com ajuda de Roby Seeger para colocar o jet dentro da água. Ás 8:30 surfávamos as primeiras ondas. Cada um surfou quatro bombas e às 9:30 estávamos voltando para a baía. Às 10 levamos o jet e às 10:30 fomos para o aeroporto. Às 11:15 devolvemos o carro, ao meio-dia embarcamos para Oahu, onde chegamos às 12:30.
Embarcamos para a Califórnia às 13:30, acabados e morrendo de cansaço. Se qualquer coisa tivesse dado errada não teríamos conseguido embarcar. Fomos para Cortes Bank no dia seguinte, dia 11, depois de mais 10 horas de barco e com a esperança de pegar as tão sonhadas ondas de 100 pés.
Porém, as previsões não se confirmaram e pegamos apenas 20 pés, mas valeu a intenção. Não quero nunca mais fazer uma loucura destas, mas foi bom pra testar se a parceria com o Burle é mesmo de rocha. Eu não tenho nenhuma dúvida.Um abraço, Eraldo.
Ps: escrevi às pressas, se precisar dê uma ajeitada no texto, por favor.”