
Faltando apenas dois dias para o início das disputas em Jeffreys Bay, na África do Sul. A etapa, famosa por suas direitas perfeitas, promete embolar ainda mais o ranking e consequentemente a briga pelo tão cobiçado título de campeão mundial deste ano.
Atual líder do ranking com 28.000 pontos, Adriano de Souza defende a lycra amarela há duas etapas (Rio e Fiji), e chega ao pico onde foi campeão de um QS em 2010, querendo manter sua posição, apesar da proximidade do seu compatriota Filipe Toledo, que com 27.450 chega a J-Bay com força total e querendo retomar a liderança.
Com metade das etapas do Tour já disputadas, cada detalhe a partir de agora pode fazer a diferença e, como cada pico tem sua própria característica, os Tops já começam a buscar formas de minimizar os erros e pensar no que cada onda/prancha pode oferecer de melhor, afinal, qualquer coisa vale quando um título mundial está em jogo ou se está perto da zona da degola – e sua vaga na elite está em risco.
O PICO
O nome de uma das direitas mais perfeitas do mundo também é o nome da cidade que abriga o pico. Foi tirado do capitão J. A. Jeffrey, que, vindo da cidade vizinha Port Elisabeth, se instalou em The Fishery (nome do antigo vilarejo) e ali construiu o White House Hotel. A popularidade de seu negócio e, principalmente, de seu bar tornou-se grande entre os pescadores, que mais tarde rebatizaram o local de Jeffreys Bay.
A ONDA
A onda favorece os regulares. Direita longa, paredes amplas. Veloz com tubos pelo caminho, na parte superior da onda. Muito terral, estrias e falta de conhecimento da bancada dificultam a vida de qualquer mortal.
Quando os surfistas chegam a J-Bay e se deparam com os 180 graus de abertura para o swell, é praticamente impossível conter o êxtase. São sete ondas que quebram em Jeffreys: The Point e Tubes (mais longas e menos intensas), Boneyards e Magnatubes (mais cavadas e difíceis de quebrar), Albatross (direita rápida numa parte mais distante da baía), Supertubes, que pode te levar por mais de 200 metros. E Impossibles.

QUIVER
Como disse o campeão mundial de 1977 Shaun Tomson: “Surfar Jeffreys é fácil, o difícil é surfar bem”. Tomson também falou sobre o equipamento adequado: “Pranchas maiores garantem embalo e possibilitam que você mantenha sua linha alta dentro dos tubos. Há muita parede a sua frente e você precisa fazer curvas longas. Uma round pin ajuda a manter a borda na água por mais tempo e desenhar manobras mais conectadas umas às outras”.
Jon Pyzel concorda, e acrescenta: “Mantenha o outline mais estreito, isso ajuda na transição de uma borda à outra. Mais volume também resolve o problema das longas remadas, tipo 1/8 ou até 1/4 a mais, e mantém o embalo na parede depois da curva na base”. Vide Tom Curren, que este ano fez uma nota 10 com uma round pin, estreita e alongada. Pranchas leves se perdem nas longas curvas e sofrem o efeito do terral forte. Use algumas polegadas a mais no tamanho da prancha. Não abuse dos concaves. A onda já te dá velocidade e você precisa de controle.
SWELL E TEMPERATURA
Funciona melhor de maio a setembro, com ondulação e vento de sudoeste, podendo quebrar de 3 a 12 pés. A bancada de pedra coberta de mariscos requer atenção para não se machucar no point break.
A gélida temperatura da água pode ser um empecilho para a maioria dos surfistas, como comenta o guarujaense Adriano de Souza: “O mais difícil é surfar cedo. Logo de cara, quando você chega ali nas pedras é tão frio que elas se tornam facas no seu pé.” Long john é necessário.

OS EXPERIENTES
Quem chega com tudo pra brigar por mais um título em J-Bay é Mick Fanning. O australiano, que atualmente ocupa a quarta colocação no ranking, já venceu três vezes no pico – 2002, 2006 e no ano passado -, e vem cheio de gana em busca do tetracampeonato e da liderança do Tour.
Se ele é franco favorito em qualquer condição, nas direitas sul-africanas não podia ser diferente. Onze vezes campeão mundial, Kelly Slater vem com uma campanha singela este ano. É o décimo primeiro colocado, mas como já venceu quatro vezes no pico – 1996, 2003, 2005 e 2008, não pode ser esquecido, afinal, é quando menos se espera que o careca costuma surpreender.
CONHECIMENTO LOCAL
Surfistas locais sempre chegam como favoritos, e a cobrança por um bom resultado aumenta ainda mais quando você já venceu duas vezes em casa. É o caso de Jordy Smith, que faturou dois títulos em J-Bay e precisa de um bom resultado para subir posições no ranking e evitar ser cortado da elite no final do ano.
PERIGOS
Claro, eles não poderiam ficar de fora: os tubarões-brancos são presença frequente no line up. Em 2003, o australiano Taj Burrow chegou a deixar a competição depois de ter avistado um dos bichos. Em 2007, o também aussie Mick Lowe disse que viu um durante a competição. O esquema é ficar atento e remar para a praia nesses casos.
O J-Bay Open 2014 rola entre 8 e 19 de julho, válido como sexta etapa do Championship Tour.