Dan Moore e o big surf

O surfista de ondas grandes Dan Moore, 45, já fez historia no surf em ondas grandes.

 

Ele rebocou Ken Bradshaw em uma onda que muitos consideram a maior de todos os tempos, no outside de Log Cabins, em 1998, com cerca de 80 pés.

 

Hoje ele é um dos favoritos a vencer ao Billabong XXL, com uma morra surfada no último swell gigante em Jaws, em 15 de dezembro.

 

Sua profissão oficial é de marceneiro e não conta com patrocínios, surfa pelo puro prazer em dropar ondas enormes.

 

Pioneiro também com o kitesurf em ondas grandes, Dan diz que não dorme nas vésperas dos dias ”D” e reza muito para Deus quando está no meio de caldos enormes como o do dia 15 de dezembro.

 

Como você começou a pegar onda?
Minha primeira experiência na água foi com 12 anos na costa leste da Florida e o sonho de morar no Hawaii e surfar ondas grandes começou desde ali.

 

E o tow-in?
A primeira vez que eu vi o tow-in, foi no vídeo que o Straped Team de Maui produziu e eu fiquei impressionado com tudo o que envolvia a categoria. Em 1994 eu fiz uma parceria com meu amigo Ken Bradshaw aqui no North Shore de Oahu e como ele era shaper e eu também nossos equipamentos evoluíram muito rápido.

 

Fale um pouco da sessão épica em Log Cabins que vocês tiveram, onde Ken surfou uma onda que muitos consideram a maior surfada de todos os tempos com 80 pés?
Bom, esse dia foi muito especial mesmo. Dia 28 de Janeiro de 1998. Vai ser difícil quebrar um dia tão clássico e grande como aquele. As ondas estavam entre 50 e 60 pés com algumas séries maiores, mas o especial mesmo foram as condições do vento, maré e swell que tornaram o dia muito liso e perfeito. O pessoal do IMAX que filmava em 70mm ficou chocado com o material e o resto do mundo também (rs).

 

Quando você colocou o Bradshaw naquela onda já imaginava que ela era a maior onda do dia e provavelmente uma das maiores da história?
Aquele dia as condições tão perfeitas não demonstravam o verdadeiro power da
onda, assim que o surfista soltava a corda, somente quando ela entrava totalmente na bancada e ela explodia mais para o inside, ai sim ficávamos espantados com a potência da ondulação. O tubo Rolando atrás do surfista era o auge da adrenalina. E na onda do Ken o tubo que rolou atrás foi ridiculamente grande.

Quais as diferenças que você sentiu no mar de 10 de Janeiro e 15 de dezembro
de 2004 em Jaws?
O dia 10 de Janeiro me impressionou e muito porque durante praticamente todo o dia vinham séries gigantes de 50, 60 pés plus. Se compararmos os dois mares, posso dizer que o do ano passado era mais grosso e constante. Esse ano foram poucas as ondas grandes comparadas as do ano passado.

 

Qual foi a sensação de soltar a corda naquela bomba que esta concorrendo ao prêmio da maior da temporada? Você não passou a onda. Você queria entubar ou ficou muito atrasado mesmo?
Quando meu parceiro na sessão, Mark Anderson me jogou na onda eu sabia que estava atrasado e também com a prancha errada para aquela situação. Eu tinha perdido minha prancha oficial nas pedras durante a manhã e quando comecei a descer a onda eu senti que a prancha não me dava à velocidade necessária para que eu fizesse a cavada e ganhasse a parede e a sessão jogou grotesca na minha frente, me obrigando a ir reto e tomar o caldo da vida e acabando fraturando o tornozelo.

 

Você acha que o elástico em volta do seu tornozelo preso ás alças foi a causa da fratura, por você não conseguir tirar o pé de dentro da alça?
Sinceramente eu acho que não, ajustei bem as alças e o elástico. Eu não calculei direito a abertura e acabei me dando mal por isso.

 

Quem você acha que vai vencer o Billabong XXL?
Existem muitas fotos concorrendo com tamanho equivalente, eu torço pela minha, afinal o dinheiro ira me ajudar e muito pela falta de patrocínio.

 

Você dorme tranqüilamente nas noites anteriores aos swells?
Nos dias grandes eu costumo viajar para Maui na noite anterior, assim eu acordo no local, mas mesmo assim eu não consigo dormir muito bem não. Eu acabo me virando na cama a noite inteira, é muita adrenalina. E na hora da sessão você acaba não estando totalmente ?energizado? e precisa manter a calma, pensar positivo e arrepiar as ondas sem hesitação.

 

Qual seu relacionamento com deus?
Pode ter certeza que toda vez que eu estou tomando um caldo daqueles, eu penso em Deus e Rezo, peço para que ele me proteja. ”Por favor, Deus esse não é meu dia de morrer, que tal me levar para a superfície” (rs). Ele tem me ajudado.(rs)

 

Você acha que o colete salva-vidas tem ajudado muito. O que você pensa sobre a segurança no tow-in?
Com o crescimento tão rápido do tow-in e as ondas que temos surfado eu fico surpreso de notar que não tem ocorrido tanto acidente. Graças a deus, mesmo com tantos atletas não preparados praticando a modalidade não houve nenhuma morte e eu rezo para que continue assim. O colete, o parceiro e ?muita gente na água têm evitado acidentes. Na hora que alguém esta em perigo todos estão ajudando e isso é muito bacana.

 

Existem muitos atletas que nunca remaram em Waimea, praticaram windsurfe em ondas gigantes, ou melhor, não são verdadeiros watermans e estão fazendo tow-in. O que você tem a dizer?
Eu recomendo que toda essa galera treine muito e corram atrás dos ensinamentos em Waimea, no windsurf, ou qualquer esporte radical no oceano, pois existem roubadas no surf de ondas grandes que ninguém ira poder salvá-lo e sem essa experiência você estará em apuros.

 

Você somente se exercita na água ou fora dela também?
Eu faço musculação, corro e nado fora o kitesurf, surf e tow-in. O aspecto cardiovascular é muito importante na minha opinião.

 

O que você pensa dos brasileiros?
Eu namorei uma brasileira no passado e amo as brasileiras (rs). Eu tive um grande amigo do Brasil que se chamava Bacalhau. Um cara trabalhador e muito gente boa. Ficou comigo um ano, só que se meteu em uma briga com Jonnhy Boy Gomes e depois de estar batendo no havaiano um amigo dele veio pelas costas e o acertou com um bastão de beisebol. Ele foi parar no hospital e depois teve que ir embora devido ao localismo da época. Eu fiquei muito chateado com toda a aquela situação. Se ele ler essa entrevista eu quero lhe desejar tudo de bom e que volte agora para o Hawaii. Muito gente boa!!!

 

Como você começou a praticar o kitesurf?
Em uma das viagens para Maui eu vi Flash Austin arrepiando, ele foi um dos pioneiros aqui no Hawaii e depois de vê-lo arrepiando em Hookipa eu também comprei o equipamento e hoje já faz seis anos. E essa modalidade tem me ajudado muito também no tow-in. Ser rebocado pela pipa em alta velocidade em uma prancha pequena me deixa em forma quando não ha grandes ondas a serem surfadas.

 

Os dois são modalidades, onde o atleta é rebocado. São muitas as semelhanças. São muito parecidos. O sentimento é similar quando você é rebocado por um jet-ski e por um kite. O kite puxa mais para cima do que o ski, mas os músculos usados são os mesmos em ambos esportes. São duas modalidades parecidas e muito radicais.

 

Como foi ser um dos pioneiros a praticar o kitesurf nas pesadas direitas de backyards. Eu comecei na modalidade por sua causa. Um dia estava surfando Sunset 10 pés, meio mexido com uma Gun e você arrepiando as ondas em backyards com o kite. Muitas manobras nas ondas, saltos. Sai do mar decidido a aprender…
Backyards é um lugar muito bonito e especial. Eu moro lá ha oito anos e mesmo sabendo que não é o local ideal para a pratica do kite, eu comecei ali e fiquei familiarizado. O vento rajado é uma constante ali, os dias perfeitos são raros. Cada vez mais estamos surfando ondas maiores de kite por ali e com o aumento de atletas no local está sendo bem interessante.

 

Tem algo a acrescentar?
Eu acho que o curso de towin que todos estão fazendo tem aprovado muita gente não apta á modalidade. Eles teriam que fazer um teste: físico, psicológico e também histórico com esses atletas. Muita gente com a carteirinha, mas sem um histórico positivo.

 

Você é marceneiro?
Eu tenho uma fabrica de móveis e comecei agora com um site onde vendo quipamentos.

 

Você também fabrica morey boggies de resgate, pranchas de kite e tow, cordas de tow-in e outros equipamentos?
Quem quiser dar uma olhada nos equipamentos que produzo é só entrar no site Outerreef.com .

 

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Aloha

 

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