#O big surf vem atraindo grande espaço na mídia nas últimas temporadas havaianas, tanto na especializada como em programas de alto nível, como o Fantástico e Esporte Espetacular, da Rede Globo, gerando grandes pontos no Ibope para as emissoras.
E isso está causando uma grande polêmica entre os surfistas e profissionais da mídia especializada. O grande problema, segundo os envolvidos, é que nunca o surf competição ou o free-surf em ondas médias atingiu mídias tão importantes como o big surf vem fazendo.
A realidade é que o público leigo, ou melhor, aquele telespectador do interior do Mato Grosso do Sul, por exemplo, não acha graça alguma em ver um surfista realizando os mais diversos malabarismos em uma onda pequena ? como afirma um dos responsáveis pelo esporte na TV Globo, pedindo para que eu não revele sua identidade.
Uma solução para esse conflito seria uma campanha para educar o público leigo a entender melhor o que o surfista competidor está realizando dentro da água, fazendo com que esse telespectador fique feliz em acompanhar os campeonatos.
Imagina que show poder assistir pela TV, em horário nobre no Brasil, os tubos e aéreos de Armando Daltro e Guilherme Herdy em Jeffrey?s Bay, na África do Sul, ou outros paraísos do surf pelo mundo. Vamos torcer para que isso aconteça um dia!
Mas o que me surpreendeu em toda essa história foram as declarações de alguns ?especialistas? da mídia, como Fred D?Orey, que compara o surf em ondas grandes com gladiadores e, no final, afirma que prefere ver a primeira onda de uma criança começando a surfar do que surf em ondas grandes.
Para que serve uma comparação dessa? Isso é de alguma forma construtivo?
Eu particularmente não poderia descrever a felicidade de um filho meu surfando sua primeira onda na praia onde sou local, mas também fico imensamente feliz com um tubo do Phill Rajzman em Off the Wall. Para que essa comparação? Cada sentimento é diferenciado, não dá para comparar.
A segunda declaração que me gerou curiosidade foi do editor do site Câmera Surf, Zé Augusto Aguiar, indagando se será benéfico para o surf em geral tanta mídia e dinheiro das empresas direcionadas para os big riders…
Esse mesmo conclui também que os jovens influenciados pelas atitudes dos big riders podem se tornar suicidas do futuro, e também se preocupa com a possibilidade do budget das empresas se desviarem das competições normais e escolinhas de surf e se focarem no big surf.
Vocês não acham que há espaço para todos e que cada macaco deve ficar no seu galho?
Outro assunto abordado é a formação do caráter da garotada que aprecia ondas grandes, pois segundo eles, fica impossível para uma criança sonhar em se tornar um big rider. Nesse assunto a minha indignação é ainda maior, pois não é porque você não tem culhões para dropar uma onda em Jaws que você não pode apreciar quem dropa.
Dessa forma, você também não pode dar o aéreo do Kelly Slater e muito menos pegar o tubo que o Renan pegou em Pipeline e deixar de gostar de ver isso em TVs e revistas e se espelhar neles.
Por outro lado, com certeza arriscar a vida pode aumentar o Ibope, e não só pode como aumentou, mas eu posso afirmar que, no meu caso, não tenho a intenção de arriscar a vida surfando essas ondas, e sim de sentir aquele sentimento que só quem dropou uma onda acima de 20 pés pode falar.
Arriscar a vida é apenas uma conseqüência… Um exemplo é o saudoso Ayrton Senna. Será que ele o fazia por prazer ou só pelo dinheiro?
É claro que não posso responder por todos, mas respondo a essas críticas por saber que outros big riders não iriam perder seus tempos escrevendo tudo isso. Mas eu não consegui dormir enquanto não terminei…
Outra coisa que essas pessoas não precisam se preocupar é com quem investe no big surf, pois são empresas grandes, normalmente de fora do segmento, como a Nissan (prêmio para maior onda da temporada), Mega Produções (patrocinadora do campeonato em Jaws), Ford, K2 ou com certeza alguma outra empresa que anuncie nos canais onde essas imagens serão transmitidas.
Como fico feliz ao ver o Renan Rocha ou Peterson Rosa levantando a bandeira do Brasil em Pipeline ou Sunset na frente de todo aquele público, alegrando toda uma nação e conseqüentemente enchendo suas contas de dólares.
Hoje nós somos muito felizes por podermos esfregar na cara dos gringos dois títulos mundiais de ondas grandes ? Rodrigo Resende com o título da Tow-in World Cup, em Jaws, e Carlos Burle que venceu em Todos os Santos, no México, em 99. Dá-lhe Brasil!
Agora vamos torcer para que algum brazuca nos dê essa alegria também no WCT. Sempre haverá publico e mídia para todas as áreas, como já dizia o ditado: ?Todos tem seu lugar ao sol?.
Vamos acabar com essas ?picuinhas? e torcer pelo esporte como um todo!
Aloha!