Conexão Brasil-Austrália

Waves.Terra apresenta seu novo correspondente, direto da Austrália, Vitor Froimtchuk. Carioca de 24 anos, formado em jornalismo e ex-competidor, Vitor irá trazer para os internautas um pouco do que rola no dia-a-dia de um surfista na terra de Oz, repleta de altas ondas e visuais alucinantes.

 

Como free-surfer, ele já viajou para diversos lugares, como Costa Rica, Bali, G-land, Mentawaiis, Jeffrey’s Bay, Hawaii e Austrália, e possui uma bagagem de mais de 10 anos no esporte.

 

Como jornalista, trabalhou na TV Globo, foi assessor de imprensa de etapas do mundial WCT no Rio de Janeiro e já teve artigos publicados nas principais revistas de surf do Brasil.

 

Vitor vive há dois anos na Austrália, na Gold Coast, onde termina um mestrado em cinema e televisão. Com muitos sonhos na cabeça e disposição nos pés, acredita que a verdade é a chave do sucesso e da felicidade.
   
Inclusive, quem tiver curiosidade de conhecer mais sobre a vida desse carioca pode acessar
www.froimtchuk.hpg.com.br, página pessoal do surfista na internet, ou enviar mensagem para [email protected] .

 

Nesta primeira participação, ele conta um pouco mais sobre a rotina de um surfista fissurado na costa australiana, com direito a descoberta de um pico virgem.

 

 

Little fish’s point
 
No último final de semana resolvi me dar um descanso dos estudos. Sábado fui até meu “recanto” para mais uma aventura no estilo “the search”. Eu, Felipe e Vladimir (brasileiros que moram por aqui) fomos até Broken Heads, no Estado de New South Wales – para quem não conhece, é como se fosse a região dos Lagos no Rio de Janeiro ou litoral norte de São Paulo, altas ondas e tranqüilidade.

 

Logo pela manha saímos em busca das ondas, já que a Gold Coast (onde moramos) estava flat. Chegando lá, constatamos que o point também estava sem condições de surf. Resolvemos então surfar nos beach-breaks da praia de nudismo, que fica atrás do point, separada por uma reserva florestal. Do alto do morro vimos que três praias depois as ondas pareciam maiores. Mas, para chegarmos lá precisaríamos dar uma caminhada longa e subir três morros.

 

Caminhando pela paisagem maravilhosa de praias desertas, areia branca e vegetação intocada, chegamos no último morro que nos separava do tão sonhado beach-break. Mas, ao chegarmos na ponta da pedra vimos que sua extensão ia até o mar, onde na ponta quebrava uma direita que de cima do morro parecia surfável. Convenci a galera que deveríamos dar a volta no morro remando para checarmos esta direita.

 

Quando chegamos perto vimos que o pico era uma maternidade de peixes, e as muitas gaivotas que sobrevoavam o pico eram sinal de algo estranho. Com a paranóia normal de tubarão que se tem por aqui, logo ligamos uma coisa com a outra. Mas enquanto decidíamos o que fazer (dar a volta andando ou remar que nem alucinados), uma direita triangular subiu na minha frente. Não tive tempo de pensar muito.

 

Remei, dropei na frente das pedras (o pico era em frente a parede do morro) e fiz a onda até o final. Pronto. Estava descoberto mais um pico. Sem ninguém, surfamos por horas a fio. Esquecemos os tubarões (se é que tinha mesmo, e acho que não, porque cardumes de golfinhos passavam todo momento pelo local dando o check nos intrusos que nadavam no meio de seu banquete).

 

Sendo assim, após um session muito feliz numa direita de fundo de pedra, dropando do lado de uma pedrinha, clássico, cinco manobras, batizamos o pico de “Litlle fish’s point”. Fomos até Byron Bay (cidade a 10 minutos do pico onde estávamos) para almoçar e voltamos felizes para casa. Até a próxima!

 

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